Como conseguimos colocar um amigo que não está bem a sorrir?
Quando as palhaçadas e as piadas não resultam.
O recordar de situações difíceis que melhoraram não resulta.
A conversa e o simples ouvir não resultam.
O chocolate não resulta.
E agora?
Os números agravam-se, as pessoas minimalizam o problema.
Não é um problema dos outros, não está associada a determinadas pessoas.
Há uns tempos um colega e amigo, a trabalhar, picou-se numa agulha de anestesia numa senhora que por acaso era portadora de HIV. Ainda esteve uns tempos a fazer a profilaxia, sofreu pelos efeitos adversos mas sobretudo sofremos todos pela possibilidade.
É importante pensar nestas coisas, não acontece só aos outros. Pode acontecer aos amigos, à família, a nós.
Infelizmente a sociedade recrimina esta doença e apoia outras. Será assim tão grande a diferença entre uma pessoa com SIDA de outra com uma patologia crónica como o cancro do pulmão?
Que hoje, por se falar em todos os telejornais, seja um dia para pensarmos sobre isso.
Deixo um vídeo que gostei muito :)
http://www.youtube.com/watch?v=noqonOE1bfc
Foi-nos ensinado, desde pequeninos, que as princesas têm o seu príncipe que do alto do seu cavalo branco luta com bruxas e dragões até que nada mais os incomoda, casam e são felizes para sempre. Mas o que nos devia ser contado não seria a parte entre o casamento e o felizes para sempre? Essa é a parte que nos faz falta aprender.
Já sabemos que o sapatinho de cristal até se pode perder no intermédio do namoro mas não é depois do casamento que surgem muitas maçãs envenenadas? E como se resolve? Encontra-se outra princesa ou príncipe sem cara de sapo? Assim todo sentido de luta foi vencido por um fiador tão pequeno como as discussões sobre filhos, sogros ou até mesmo o jantar queimado.
Resta saber o limite para discutir, para saber onde termina o nosso reino, esquecer madrastas coscuvilheiras e se o amor por si só nos faz felizes para sempre.
Há quem não acredite nos químicos de laboratório e o seu chazinho de uma ervinha do quintal (ou do supermercado) seja a sua salvação daquela tosse ou dor.
Mas as dores são curáveis até com um sorriso. Daqueles sorrisos sinceros, de nada, de tudo. Vamos na rua e o sol e a brisa faz-nos sentir óptimos apesar daquela constipação (não gripe da moda).
Encontramos pacientes que não passam sem o seu actimel ou a mezinha da avó. E acreditam mesmo. E eu acredito neles. O primeiro passo para a cura é não pensarmos na doença. Há um colega meu que me encheria das suas teorias farmacológicas e princípios activos mas eu, apesar de ciência, acredito nestas coisas simples.
Quem não se lembra das suas valentes faringites, otites ( e todas as –ites) de criança que se curavam com aquela companhia que era o ursinho de peluche que nos falava ao ouvido e dizia que a noite ia passar rápido e na manhã seguinte nem nos lembraríamos daqueles remédios amargos que vinham numas saquetas brancas com letras azuis e que custavam tanto a engolir. Aquela tortura que vinha de hora a hora que era o medir a febre com aquele gélido termómetro ainda a mercúrio que contrastava com as quentes palavras do pai numa cara sôfrega mas com um sorriso que nos fazia sentir tão acarinhados e a única coisa importante no mundo.
Sou a favor dos abraços, dos sorrisos, dos carinhos, das palavras. Não só para curar mas também para serem uma constante. Afinal são as vitaminas que toda a gente devia tomar todas as manhãs.