quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Chamadas


 

Quando atenderes o telefone sorri sempre. Do outro lado saberão.
Mas quando do outro lado pressentem indisposições quando não existem? Passamos largos minutos a tentar explicar que está tudo bem para alguém que não está muito predisposto a acreditar.
“Mas demoraste imenso tempo a atender, o que estavas a fazer?” Metes-te na tua vida?
 “Como está o tempo aí?” Inverno, frio, chuvisca. “Por cá até esteve bom.” Não perguntei nada. Posso não ter interesses meteorológicos?
“Ai esqueci-me do que queria falar.” Não faço ideia porquê.
Já a desligar: “De certeza que está tudo bem?” WTF, está tudo! Posso ter momentos de não total euforia só porque ligaste?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Novelos embrenhados


 

Há alturas em que parece que tudo o que andamos a ouvir faz um sentido tremendo. Como se fossemos desfiando e entrançado as meadas, descobrindo o novelo, descosendo as linhas. Enquanto este processo de descoberta vai decorrendo por vezes torna-se importante ter cuidados com as agulhas, com os nós, e prolongar no tempo a emoção do empenho.
Mais importante do que descobrir é estender ao vindouro e não deslembrar. Por isso os últimos acontecimentos fizeram recordar a verdadeira essência do ser que foi apregoada há tempos muito recentes. Constituo-os aqui uma prelecção a evocar permanentemente.
Ser fiel a si próprio.
Tratar todas as pessoas da mesma forma é um sinal de carácter. Sem olhar a distinções, a hierarquias, a cargos, a diferenças, a semelhanças, a atitudes, a exigências, a disfarces. Somente como exijo que me tratem. E se há quem não mereça, ser educado, nada mais.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Até já



As despedidas já começaram.
Como habitualmente tenta-se minimizar o acontecimento e o normal Até já, Até amanhã, Até logo é pronunciado como todos os dias.
O depois é que não é assim tão fácil. Recordam-se situações específicas em que as amizades acabaram por se desvanecer pela distância ou fortalecer-se ainda mais. Tenta-se profetizar. Começa-se a pensar em como tudo será diferente e prever o futuro só é agradável para a Maya.
A reter: aproveitar os últimos momentos sem pensar neles como um adeus.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

P.S. I Love You


 

Já andava para ver este filme desde que saiu mas nunca se proporcionou. Foi hoje. Amei.
Já não me lembrava da última vez que passei um filme inteiro com as lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios. Sou lamechas, sou chorona, sou romântica.  
I want to be a somebody’s Gerry someday”. Não é o que andamos todos à procura? De um grande amor?
Daqueles que nos tira o fôlego a cada beijo.
Que nos aperta o peito quando pensamos nele.
Quando o seu abraço nos faz sentir seguras.
E mesmo assim felizes sofremos a pensar nos ses, no futuro, no ainda.
E o seu olhar nos acalma e diz que ficará, será tudo bem.
E ficará.
Nada será perfeito mas terá a perfeição ideal.
Um dia eu quero o meu Gerry. Eu quero ser o Gerry de alguém algum dia.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo


 


Parece que as “férias forçadas” não vão demorar muito a passar e não vão ser assim tão extensas como estava à espera.
Isso é bom porque a partir de hoje não tenho nada de útil para ocupar os dias e mesmo as séries, filmes, livros, arrumações e passeios fazem transparecer que vão rapidamente se sumir pelo meio do vasto espaço temporal.  
É mau porque a imensa incógnita do momento seguinte ainda não se resolveu. As dúvidas permanecem enquanto o tempo para pensar nelas é infindável e por isso tornam proporções colossais.
Conheço muita gente que dava uma unha para estar a tocar violinha nesta altura do ano mas o ser humano é bastante confuso. Só lhe faz falta o que já não tem e perdeu e não dá valor a coisas que depois pensa como foram boas. Vou ter muitas saudades mas estou a começar a gostar da ideia de mudar de ares, de vistas, de interesses. Não me posso queixar dado o cenário e resolvi que as coisas coloridas são bem mais agradáveis. Deprimir porque acabou, porque nada será como antes não ajuda a que o futuro melhore para além de tornar o presente meio sombrio. Para além disso adoro aviões!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Palavras soltas


 

Acabada de chegar de uma sessão de esclarecimento (nada esclarecedora) as palavras que me ocorrem:
Polvo: e não é por causa das escutas nem por fome
Rede: não continuo com o tema piscatório
Soprano: mais por causa do Tony do que por música
Pastilha: masca-a enquanto nos entala
Gravata: nem sem ela estas roupitas do século passado te salvam
Presunção: e a água benta?
Piadas: não vale rir quem as conta
Futuro: wii.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

De choro fácil


 

Choro sem razão.
Choro sem querer.
Choro porque me alivia.
Choro de alegria.
Choro de tristeza.
Choro de raiva.
As lágrimas soltam-se.
Choro por revolta.
Choro de saudade.
Choro porque penso.
Choro por quem não devia.
Choro por quem merece.
Choro pelo passado.
Choro pelo futuro.
As lágrimas encontram um sorriso.
Chorar é preciso.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Invictus



Provavelmente um dos meus últimos filmes na Invicta.

“Uma fila inteira só para nós.”
Oito cartões encima do balcão da bilheteira. “Parece poker.” “Oh M. não há cartões no poker”.
“O Mandela é mesmo parecido com o Morgan Freeman”.
A estridente gargalhada da sra da fila de trás que tem mais piada do que a própria graça.
Pipocas a passar de um lado para o outro.
"O Matt  Damon está mesmo moreno." "É suposto, vive em África." "Podia usar factor 50."
Muitos risos abafados.
As analogias com o nome do François Pieenar.
Uma noite óptima.

O filme: inspirador.
Thank you Mr. Mandela

“Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.


In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.


Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.


It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.”


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Proposta (in)decente


 

Como se não bastasse a confusão que anda a minha cabecinha loirinha quanto ao futuro surge mais uma oportunidade.
Seria parva em não considerar mas numa altura em que tudo é vago, impreciso, indefinido, as propostas em vez de ajudarem só importunam.
Para muitos serei uma ingrata mas é-me difícil decidir coisas de imediato.
Posso pensar antes de me atirar de cabeça em direcção ao meu destino?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Injustiças (desabafo)

 


Quando sabemos que pela dualidade (tri, quadri) de critérios acabam por haver injustiçados.
Quando o mérito é atribuído de uma forma obscura.
Eu sempre fui a favor do reconhecimento do mérito. Até acho que se admite pouco o que de bom se faz. Mais facilmente dizemos mal do que bem… No entanto, há que ser rectos e imparciais.
Mas quando as coisas são avaliadas com base no prestígio dos que argúem, no pseudo trabalho que os coitadinhos fizeram… Porque todos estão habituados a fazer pouco, alguém fez algo mais e já acham que é imenso. Ou então, há outros, que com o espírito de “eu não tive tanto reconhecimento” também não o admitem quando há outros que o merecem.
Ainda é pior quando não se pode fazer nada para alterar.
Já bastam as dissonâncias que me doem na alma.
Depois de tantas incoerências, vou erguer a cabeça e honrar o meu trabalho. E se houver alguém que me atribua uma nota desmerecida não se me acabará a voz.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Bolinhas de sabão


 

Lembrei-me de uma brincadeira de criança.
Adorava bolinhas de sabão. Mesmo sem os frasquinhos próprios eu ia ao detergente da loiça (cujo nome me fazia sonhar, não sei bem porquê: Sunlight) e com a ajuda de um copo e de uma palhinha (para o leitinho morno antes de deitar) ficava deliciada.
Eram horas e horas passadas no jardim a rodopiar e a tentar imaginar a viagem que elas iriam fazer.
Era inevitável também a molha que apanhava sempre. No meio dos remoinhos o copo acabava sempre por verter. O arrepio do susto e o olhar pela janela para ver se alguém me iria ralhar não me demoviam da brincadeira e lá voltava ao lava-loiças, busca do banquinho para me conseguir equilibrar e nova fórmula mágica.
Era tão bom e hoje, subitamente, apetece-me fazer bolinhas de sabão outra vez, senti-las rebentar na pele e querer levitar com elas até ao infinito.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Mais uma voltinha no carrossel?


 

Os profissionais dos carrosséis estão em manifestação. E ameaçam que se até esta semana não tiverem uma resposta do governo irão avançar com uma providência cautelar. Como não têm dinheiro para avançar já vão ter que pedir às autarquias. Qual o benefício das autarquias? E quem dá o dinheiro às autarquias?!
Não percebi bem o que está em causa mas na minha opinião perderam logo a razão quando pedem a promulgação da nova lei só para os novos profissionais. Isso faz algum sentido? Vamos estar a reger por leis consoante a idade?
Quanto ao carrossel ser necessário a todas as crianças não concordo totalmente. Eu adorava os cavalinhos e depois mais velha acompanhar o meu mano para ver se ele não caia. E a cara dos miúdos iluminava-se, bem como a dos pais que sorriam e o seu olhar dizia para a pessoa do lado “é a minha menina”. Mas isso foi há imenso tempo. Eu também brincava na rua, sujava-me… Agora acho que já não é bem assim. Será que as crianças ainda fazem de uma viagem no carrossel um sonho, um cenário idílico? Será que ainda acreditam no príncipe que a vem buscar no seu lindo cavalinho branco? Ou este príncipe foi substituído por uma banqueiro com boa pinta com carro de alta cilindrada e uma casa numa zona chique?
Serviam os carrosséis para nos fazer acreditar numa quimera, de como seria o nosso futuro. Mas se não estivermos interessados no futuro de príncipes e princesas, cavalinhos e bruxas?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Chapéus há muitos sua palerma



Sempre adorei chapéus. Mas usá-los está quieta.
Não sou muito corajosa e apanharem-me com alguma coisa na cabeça é difícil.
Quando tinha o cabelo comprido dizia que não me ficava bem porque “estrangulava”. Claro que não era verdade. Com o cabelo curto e na época dos gorros giríssimos também foi problemático porque cada um que experimentava via-me como uma sem-abrigo. Para melhorar a situação uma colega aparecia todos os dias com um gorro de avozinha, de croché, cada um com uma cor pior que a anterior. Claro que foi a chacota de toda a gente mas adivinhem ela não estava nem aí porque continuou e continuou a desfilar.
O ano passado também comprei um mega chapéu estilo diva. Não resisti e mesmo que não o use sei que o tenho para uma eventualidade… (isso não faz sentido nenhum). Quero acreditar que o vou usar. Todas as vezes que entro numa loja e vejo um chapéu tenho que ir lá pegar, mexer.
É uma tolice mas sei que o fundo da questão é a falta de coragem e o medo do que possa parecer aos outros. Quando for grande quero ser valente e sair de casa todos os dias com um chapéu, gorro, boina, diferente. Será a minha emancipação!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

E quando é que as pessoas crescem?


 

Quando entrei para a faculdade pensei que era desta ia lidar com adultos. Enganei-me redondamente.
Uma transição brutal de vida parecia ser bastante razoável para que as pessoas olhassem para além do seu umbigo. Mas esse umbigo foi emagrecendo, engordando e houve quem assistisse a cada milímetro porque não desviaram o olhar. Devem até saber a localização de cada poro.
O que mais me assusta é que há pessoas a um passo, de formiguinha, de saírem da faculdade, tornarem-se oficialmente empregados, adultos, vá. E são? Não. Continuam a olhar para a sua linda barriguinha e os outros que olhem pela sua. Parvos são aqueles que se atreveram a olhar para cima e a reparar no bonito que é o céu.
Lá no fundo quero acreditar que apesar de tudo estas pessoas estão a perder o sol, as nuvens, a lua, as estrelas. Eu sei que até podem vir a ser excelentes profissionais e muito felizes mas eu terei sempre a certeza que a minha escolha de olhar o céu me diferenciou. Não deixarei de ser óptima naquilo que faço para além de estar bem com os que estão à minha volta. Só assim faz sentido viver em sociedade.
E quando estou quase a cair na rede dos umbilicais alguém olha para mim e aponta para o céu. E ver o céu acompanhada sabe bem melhor.

Sala de espera da vida


 

Agora resta esperar. Estar ao dispor dos caprichos de certas pessoas.
Perder tempo a olhar para o tecto enquanto se podia estar a acelerar o passo para a longa caminhada que vai começar. Tempo precioso se as coisas não correram como se estava à espera.
Nesta sala de espera não há revistas, novas nem antigas, nem programas da Fatinha. E a voz de que vem chamar não parece muito meiga mas sim de escárnio, a despachar, a entalar até ao último cartucho.  Só o que me alenta é saber que dentro da salinha, a que interessa, vai estar um sorriso, uma satisfação, e vai valer a pena. E mesmo sem receber presentes sabem que são importantes.
Prefiro assim. Se a sala de espera fosse xpto, com o último modelo de entretenimento, e lá dentro não superasse? Sempre me ensinaram que mais vale o conteúdo do que a embalagem e convenhamos que há cada rótulo…
Confiança! E entretanto ir fazendo que se faz qualquer coisa até porque a tese não se defende sozinha.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Estudo mas pouco



Adoro as tardes passadas na amena cavaqueira com as amigas a cuscar imenso com o pretexto de nos encontrarmos para estudar.
Descobrem-se coisas que não imaginamos, rimos como umas desalmadas de disparates que fizemos, comentamos coisas absurdas que se passam à nossa volta. Falamos, rimos, suspiramos, estranhamos, mas estudar… Mas tenho a certeza que vai correr muito bem porque com um sorriso na cara nada pode correr mal.
Tenho pena é que seja o último exame. Não por estar a acabar, que estou desejosa, mas pelas maravilhosas tardes que não vão ter o maravilhoso toque de maçã e canela ou do chocolate.
Vou ter muitas saudades…

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ai



Hoje estou uma chata do pior. Nem eu me consigo aturar, o que sentirão os outros?
Por nenhum motivo particular, por todos.
Ai.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Vampiros


Sou só eu que acho um exagero o alarido que agora rebentou sobre vampiros?

O Twilight vá, é mais uma moda como foi o Harry Potter mas fazer disso séries nacionais que não param de antever estreias?!

Amores impossíveis entre humanos e seres fantásticos. Haverá audiência para tanto alarido? Produções dessas mexem muitos milhares: efeitos especiais, duplos, caracterização, etc. Valerá a pena ou é mais uma para acabar num horário descabido ou a ver reduzida a lista de episódios?

Parece que descobriram a pólvora quando desde o início da ficção, do cinema, que existem vampiros. Quem não se lembra da “Entrevista com o Vampiro” com o Brad Pitt? O que deu às pessoas para que de um momento para o outro começarem a achar piada a uma coisa que já é mais velha que o Pai-Nosso? Surpreende-me a capacidade de mover multidões.

Para mim é precisamente o secretismo e um filme de tempos a tempos que me faz lembrar deles e apreciar. Não será essa a essência do sucesso?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mundos paralelos


Estou a estudar ética.

Sinto-me num mundo surreal.

Mesmo nas aulas custou-me a acreditar nas palavras de uma pessoa que tenta transmitir uma visão correcta das coisas mas parece ser o primeiro a quebrá-la.

É triste mas actualmente ser correcto não é o mais prevalente. A lei do mais esperto, do que se consegue safar, do que se ri dos parvos que não se infiltram na sombra, é a “lei em vigor”. Mas engane-se quem pensa que só Portugal anda mal.

Ao estar a estudar uma irrealidade faz-me querer remar contra a maré mas são precisos uns remos muito poderosos... Quero acreditar que posso ser diferente e isso não me trará obstáculos mas sim uma afirmação que de se mudar o meu mundo algo muda. We will see what future says...

Mesmo não conseguindo ver uma luz ao fundo do túnel, um futuro em que as “leis” são alteradas, onde este mundo continua obscuro e a valer, quero acreditar que será um possível, um dia.

Vou voltar à utopia e sonhar.