Não é que Sandra Bullock fez questão de receber o Razzie para melhor actriz no All about Steve? (Notícia aqui)
Adoro a Sandra. Tanto em comédias como em filmes mais sérios. Realmente este não vale nada mas será que merecia? Definitivamente não. Mesmo assim ela como excelente actriz que é ainda sobressaiu naquela confusão. É com estas que se vê no que dá as más escolhas.
O facto de ter lá ido pessoalmente receber é corajoso. Apareceu sem preconceitos e ainda fez humor sobre isso. É assumir-se, é saber rir-se de si própria e não ter vergonha.
Como dá para perceber gosto imenso de relembrar momentos da minha infância e adolescência. Olhando para trás foram óptimos momentos. Claro que houve alturas em que parecia que o mundo ia desabar mas fez parte do exagero de fases que toda a gente vive. Os momentos maus existiram mas os bons camuflaram-nos e sobressaíram-se.
É por isso que o caso do menino que se atirou ao rio porque já estava farto não me sai da cabeça. Aquela criança não suportou os abusos sucessivos na sua fresca vida. E não foram adultos que os causaram. Foram igualmente crianças. Será a malvadez algo inato? Como se explica que existam pessoas mesmo que pequeninas tão más que perseguem e têm necessidade de provocar o mal aos outros? Dizem que as crianças são cruéis. Tentar contra a saúde física ou mental dos outros é muito cruel. Fazer com que eles próprios se culpabilizem é atroz.
E onde andam os adultos? A família do abusado, a do abusador, os auxiliares escolares, professores, directores? Por que é que têm que ser outras crianças a defender o amigo? Porque estas não têm medo de represálias, de trabalho a denunciar, de os demover de disparates de por termo à vida, de lutar. Mas serão capazes de actos eficazes? Terão a maturidade necessária para a resolução sem sequelas? Quero acreditar que o serão muitas vezes mas noutras não. Estes não fecham os olhos nem viram a cara ao problema. É triste verificar que a sociedade se demitiu de todos os valores que sejam referentes aos outros. Muitos será por medo. Houve uma inversão de pressupostos e os adultos têm medo das crianças.
Como será o futuro destas crianças? Das que sofrem, das que se divertem com o sofrimento dos outros? Serão adultos saudáveis?
E que motivos despoletam estas acções? Inveja. Ser diferente. São as diferenças que nos tornam especiais. A pessoa é singular e não plural.
Quando andava na escola também havia bullying. Havia imensos grupinhos mas na generalidade as coisas resolviam-se bem. Por haver imensos geeks, populares, betos, todos acabavam por saber que todos tinham a sua individualidade e as coisas não eram sustentadas. O que mudou?
A minha primeira cassete de desenhos animados. Foi modo repeat vezes e vezes sem conta. Sabia as falas de cor e salteado. Ia para a escola a cantarolar as músicas todas.
Adorava o Timon, o Pumba, a Nala, o Zazu e todos todos. Partilhava a alegria com a minha colega de carteira de madeira que tinha o estojo, canetas e chegou a ter a mochila com o tema. Distraia-nos no meio do giz e até mesmo no intervalo.
Adoro rever e após tanto tempo ainda recordar palavras, gestos, sorrisos…
Ainda hoje perco-me com desenhos animados. Têm sempre uma lição que aos adultos faz pensar e juntamente com os mais pequenos sonhar. Valores como a amizade, a luta por ideais, o amor, a sinceridade, a bondade nunca são demais evocar.
Porque toda a nossa infância marca-nos o futuro: Hakuna matata!
Depois do último desabafo (e de outros) o meu mau feitio veio ao de cima.
E porque sou uma menina que a explosão faz muito bem depois a paz volta ao meu reino. E o sorriso volta. Porque há coisas boas e pessoas boas e momentos óptimos.
Estou sem paciência nenhuma para coisas pequeninas. Para pessoas pequeninas. Para acontecimentos pequeninos. Para rodeios. Para mentiras.
Querem gritar, gritem. Querem falar mal, falem. Querem dizer-me alguma coisa, força! Mas deixem-se de sorrisos ao longe exagerados, de palavreados floreados, de perguntas com rasteiras.
A paciência tem limites e de santa tenho muito pouco (mesmo nadinha).
Fica aqui o aviso para quem (felizmente) não sabe da existência deste local.
Outra razão para não ir logo à noite é o jogo da selecção.
E ia eu perder a coreografia feita por uns miúdos do I’ve got a feeling?
I’ve got a feeling que ficarei bem melhor a gritar GOOOOOLLLOOO de preferência várias vezes. Podia era ser contra a Inglaterra, Alemanha, Espanha… as vistas eram bem melhores.
Toda a gente acha estranho que eu veja jogos do campeonato de outros países, os jogos olímpicos... Não sou de clubismos mas gosto de ver bons jogos. E não só futebol. Ténis, voleibol, ginástica, natação e muito mais. Gosto e pronto.
Voltando à selecção. Estou para ver como se vão portar. Cheira-me que o Deco vai fazer muita falta mas é só um feeling. O mister Queirós já atinava com as tácticas, alguns meninos deixavam de estar mais preocupados com os diamantes e cabelinhos do que a bolinha nas redes e era bonito uns golitos aos chinocas para animar a malta. Sim? Se começam a perder agora já ninguém acredita em Junho, né?
Há umas pessoas que andam para combinar um jantar de despedida do curso há já algum tempo. Pormenor: só vai uma parte muito reduzida do curso porque ninguém demonstrou muita vontade.
Combinaram para um dia qualquer há mais ou menos duas semanas mas havia desistências. Pormenor: há pessoas a quem a presença ou ausência não importam, outras são indispensáveis porque sem elas não se pode jantar.
Acabaram de me mandar sms a comunicar que o jantar será esta noite. Pormenor: será em casa de uma pessoa que passou de uma das minhas melhores amigas para alguém que não me importo se nunca mais vir.
Facto: não vou. Apesar de me dar pena não estar com pessoas que me farão falta sinto que o incómodo das conversas de conveniência a tentar descobrir como serão as coisas daqui para a frente com um tom de falsa delicadeza, sorrisos amarelos e votos de felicidades incertos se sobressair-se-ão. Já para não falar do sucesso garantido apregoado aos quatro ventos por alguém que necessita de se exaltar.
Pormenor: tenho a certeza que irei reencontrar e ter óptimos momentos com alguém que me queira realmente bem sem se preocupar com detalhes.
Não sei o que me anda a dar mas nos últimos dias não me tenho importado de me dedicar aos afazeres do lar. Se calhar até sei e é o tempo livre.
Tratar da roupa, do comer, da cozinha. Com o novo amaciador do pingo doce de lavanda e camomila até dá gosto por a roupa a secar dada a propagação do perfume suave. O limpar não é bem assim. Também não podia ficar uma fada assim de um momento para o outro. Com sorte ainda chego lá até porque a alergia ao pó complica as coisas mas a ajuda nem sempre existe.
O I. com isso é que tem abusado. Vê as coisas feitas e até chega tarde, não pergunta se preciso de ajuda com alguma coisa, está muitas vezes ao telefone (será miúda? As namoradas do mano são aquela coisa que não quero nem saber enquanto não for sério). Agora pode se dar ao luxo de ir fazendo as coisas como lhe dá melhor jeito. Quero é vê-lo daqui a um mês a morar sozinho. Ele e (como andam as previsões) eu.
Acordei tarde e por ser tarde levantei-me muito rápido. Só depois pensei que não tenho nada de importante para fazer e todo o tempo do mundo (pelo menos hoje). Não melhorou.
Ouvi o alerta do mau tempo nos Açores. Liguei e apesar da rede estar má o “Está tudo bem” confortou um bocadinho.
O correio chegou e com ele o que ansiava há uns dias. É oficial, as probabilidades de ser como desejava diminuíram. Será que no entretanto as conjunturas alteram-se? Se calhar o “it was meant to be” é que vai valer no final. A espera continua. Mesmo assim não acho que seja o motivo para esta impressão imoderada.
O amontoar destes dias vãos começa a pesar. O torpor acumula-se e o usufruir deles torna-se dificilmente esquivo. Modificar é complicado. Quero acreditar que seja esta a razão.
Há dias dizia a uma amiga que é raro não gostar de um filme.
Deve ser por não ser esquisita que gostei deste.
A fotografia é muito boa e a música com género inesperado.
As meninas ficam com as “vistas” lavadinhas porque os elementos masculinos não são nada de se deitar fora e isso ajuda bastante ao sucesso. O Nate do Gossip Girl faz uma perninha mas há para todos os gostos.
Mais uma fita para não me lembrar (como quase todas) daqui as uns tempos e quem sabe rever.
É engraçado como foi escrito há uns séculos atrás e faz um sentido tremendo hoje.
Um livro que já me estava a acompanhar há algum tempo, aquele que andava a saborear lentamente.
E custou-me imenso acabá-lo. Queria se prolongasse ainda mais. Queria continuar a deleitar-me com cada frase, cada palavra. Daqueles livros onde cada vírgula faz sentido.
Onde paramos a cada ponto para reflectir. Para rir, para chorar, para pensar muito.
Ao ouvir pela primeira vez a explicação da teoria da evolução das espécies nunca pensei que fizesse sentido a outros níveis. Estava sentada numa secretária ao lado da minha amiga SD, católica extrema, que me chegou a segredar que não acreditava em nada do que não fosse a criação do Homem por Deus. Preferi continuar a ouvir professora entusiasta do que ligar ao que ela dizia.
Hoje penso que a selecção natural ocorre a cada momento na nossa vida. Entusiasmos, escolhas, pretensões, inibições, opções, desejos, aspirações, desilusões, fazem que cada instante seja selecto, único. Nós próprios sofremos provas para que no final sejamos o exemplo darwiniano.
A verdadeira busca da perfeição imperfeita para conseguirmo-nos adaptar.
Mini-S. no meio dos casais amigos num cinema não unissexo perto de si só foi ver o Mr. Clooney ontem.
Gostei da não convencionalidade da história. Do homem não ser o sacana sem coração do costume e as mulheres também mentirem e terem as suas fraquezas. Adorei a forma como se abordaram as fragilidades. O final deixou-me uma sensação de aperto.
Ainda não percebi bem porquê mas revi-me nele. Mais cedo ou mais tarde descubro a razão.
Por não querer perder o contacto, por achar que perdia muito por não lhe falar, por sempre achar que era boa pessoa fui mantendo a ligação. Mesmo quando a iniciativa só partia da minha parte.
Durou algum tempo mas as sucessivas desilusões não compensam que se mantenha. Querer acreditar que as desculpas que quando chegavam eram dadas à pressa mas pensadas são verdadeiras permitiu que resistisse tempo demais.
Querer que o vínculo perdure só porque em tempos foi bom, marcou imenso do meu crescimento, não é suficiente. Afinal as coisas têm que se ir cultivando para se manterem.
É muito triste ter que desistir das pessoas. Principalmente das que gostamos. Muitas vezes é necessário. Para nos deixarem de fazer de parvos, para nos protegermos, para seguirmos em frente. Males forçosos que (eventualmente) desaparecerão sem, no entanto, deixarem alguma mágoa e moldar-nos a forma de agir.
Gosto das ruas claras, da calçada que não permite saltos altos, das pessoas com a sua maneira muito própria. Gosto das diferenças marcadas, do clima, do ar apressado que respira a todos os passos.
Sempre que lá vou é a correr e sinto sempre uma vontade enorme de voltar.
Já tinha saudades de andar de comboio. Decididamente gosto de velocidade, aviões, comboios, até carros, venham eles.
Adoro Portugal. Estamos mal. Sou mais da opinião que podíamos estar bem pior mas isso dava outra conversa.
Junto à janela olho a paisagem salpicada pelas gotas de chuva. Como se de propósito toca a música “Please don’t stop the rain”. Please don’t, pelo menos até chegar ao destino. A paisagem pintalgada do mar, das dunas, dos rios, das pontes, do céu cinzento é bastante agradável.
Aveiro. Os chuviscos dão lugar ao sol. O senhor do lugar de trás, sem pedir licença, baixa o estore e o meu campo de visão diminui substancialmente. A minha liberdade termina onde começa a dos outros. Ao menos teve o discernimento de não o baixar totalmente. Não sei se aguento duas horas assim limitada.
Não me apetece acabar o livro que ando há muito a saborear, “I gess I’ll try again tomorrow”.
Baixo-me na cadeira para conseguir vislumbrar o verde dos pinheiros em contraste com a cor do céu.
O cheiro dos almoços embrulha-me ainda mais o estômago que desde ontem anda às voltas.
Tenho que aumentar o volume ao rádio. O granizo a bater no metal é ensurdecedor.
Passou e o sol já espreita outra vez, mas pouco.
Não acredito, o homem de trás baixou o estore até ao fundo. Deve estar a gozar comigo. Respiro fundo! Se calhar adormeceu encima dos botões porque não pára de subir e baixar de quando em quando. Já tem idade para se deixar de brincadeiras, deve ter algo mais grave do que um “problema de expressão”.
Uma hora de viagem. Coimbra e o parvo de trás sai. Subo o estore até ao cimo.
Entram para a minha frente uns senhores engravatados. Uma das gravatas é verde alface, ainda se usa? São super profissionais. Sacam do portátil e no meio do ar sério com uns sorrisos marotos à mistura começam a teclar desenfreadamente principalmente porque a net não funciona como devia. É dos carecas que elas gostam mais? Não generalizando este até é giro. Não sei o que quererá dizer mas a música que começa “all of my life where have you been”. O meu amigo ainda não disse nada sobre logo à noite… “She lives in a fairy tale”.
O cheiro ao estufado continua insuportável. A vista pela janela distrai-me. No meio das casinhas brancas acaba sempre por se destacar uma amarela, ou de azulejos. Estas últimas fazem-me lembrar casas-de-banho.
Os pássaros preferem voar a estar nos ramos avermelhados oscilantes. Alguns arriscam alienar as vacas castanhas que parecem não se importar com a sua presença.
“Can you feel my heart is beating”. A chegada ao destino aproxima-se e o coração começa, tal como o comboio, a acelerar, o estômago continua zangado, as pernas a ficar irrequietas. Respiro fundo porque não há razão para tal. Fecho os olhos e deixo que “drops of Jupiter” me serenem.
Vou a uma entrevista de emprego para o qual não estou interessada.
Para a primeira vez vale a pena tentar numa situação para a qual não é mesmo a sério, certo?
Além disso espero que a viagem sirva para reencontrar um amigo que já não vejo há muito tempo. Vamos ver ser desta vez os nossos horários coincidem. Estou ansiosa, irrequieta (resta saber se pela primeira ou segunda razão).
Ando a tentar ir arrumando as coisas gradualmente agora que não tenho grande coisa para fazer e preciso delas organizadas aquando da partida já próxima.
Ao rever objectos, trabalhos, textos, antigos acabo por reviver situações, momentos que adoro recordar.
Mas no momento de me desfazer de coisas que não fazem falta, sem valor sentimental, acabo sempre a pensar se não me fará falta, um dia.
Vou-me desfazer de imensa coisa agora, hoje já comecei, mas aquela sensação de perda ainda paira. Conhecendo-me como me conheço até sair tudo de casa ainda sou capaz de ir resgatar qualquer coisinha.
Irritam-me as pessoas que só “dão sinal de vida” quando precisam de alguma coisa. Para satisfazer um momento em que se sentem mais sós, porque precisam de algo que temos, porque querem sair e não têm companhia porque a habitual não está disponível.
Sei que um dia deixarei de lhe dar jeito, porque já não estarei tão disponível e nas mesmas coordenadas geográficas. Estou preocupada? Nem um bocadinho. Considerei-as em tempos amigas, mas por conveniência, não obrigada. As reais e verdadeiras é que importam. Com estas fico infeliz com as suas tristezas e muito contente com a sua felicidade, com o seu sucesso (a propósito, Parabéns A., mereces!)