Coberta por um cristal de betão onde o sol domingueiro não penetra anseio por uma fresta que guie a luz.
Mesmo que tenha que semicerrar os olhos hoje não me importo, mesmo que os óculos escuros não sejam suficientes.
Mesmo com o nariz franzido, ainda combalido da virose, dou por mim a sorrir porque me apetece.
No meio de um arrepio penso nas possíveis histórias de quem passa. Talvez influenciada por um conto que vinha a ler no metro, local pouco propício à leitura dada a nova geração de telemóveis com música altifalante e adolescentes que pensam que gritando fazem com que o mundo os oiça, mundo que gira à sua volta.
Sou confrontada com a boa educação e o sorriso torna-se maior. Mantém-se quando a má aparece sem avisar. Tal como perguntas sempre sobre o mesmo, com diferentes sotaques, ritmos, línguas, tal como pedidos invulgares. Outros, envergonhados, entram a medo por entre um frio espaço onde esperam que contribua para melhorar ou definir o futuro. Por entre os desconhecidos surge um rosto familiar que me questiona sobre o meu futuro. Vagamente, porque não o conheço, retribuo a incerteza, sem previsões ou projectos.
A formiguinha no estômago inquieta-se como o pensamento no jardim e no sol. A pausa feita num curto tempo, é mesmo assim, curativa.






















