segunda-feira, 3 de maio de 2010

Há coisas que mudam, outras não


A amizade não muda de sítio.
Inês Pedrosa in “Nas tuas mãos”

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Baloiçar



Voltei ao meu baloiço.
Passei boa parte da tarde a ler, um livro novo que estou a gostar bastante.
Recordei os sons mas outros eram diferentes. A água no lago tinha mais força, as rãs eram em maior quantidade e maiores e coaxavam mais alto. Os pássaros não mudaram e o seu chilrear manteve-se. Os miúdos na escola enfrente continuam barulhentos e o tamanho da bola de basket não parece ser um problema para quem mal consegue ter braços para a abraçar. Os carros continuam a ser uma constante mas já nem dou por eles, consequência de muito tempo a ter que dormir numa rua movimentada. Ao longe oiço o árbitro num jogo de futebol no meio de alguém que grita “aqui, aqui”. Os insectos conservaram o poder de me importunar naquele zumbido irritante e a pousar perto de mim. As cadelas olham-me com ar doce a pedir colo mesmo sabendo que não o vão conseguir, esquecem-se de mim quando surge outra presença conhecida no jardim.
Já não me lembrava de como a madeira pode ser dura e desconfortável. Revolvo-me vezes sem conta a tentar encontrar uma posição simpática sem tirar os olhos das palavras que me transportam para sítios distantes. O momento único eleva-me os pensamentos para outros locais e distrai-me.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sonhos



Ultimamente não me lembro dos meus sonhos.
Há pessoas que dizem que sonhamos todos os dias, podemos é não lembrarmos deles depois de acordarmos.
Adoro sonhar.
Não me lembro do meu último sonho nem de um num passado próximo. E queria muito.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Queixas literárias



Este fim-de-semana entrei naquela famosa livraria começada por B. Nunca me seduziu muito mas a decepção agora foi maior.
Tirando os livros técnicos que dominam grande espaço, foi com alguma desilusão que os livros que predominavam eram de criaturas fantásticas, vampiros, terras sombrias… Até mesmo os livros de bolso em português…
Limitada por um género que não me apetece fiquei com as biografias (Tony Carreira não sabia que já tinhas um livro como o do Cristiano Ronaldo), com os livros de bolso em inglês (posso ler na minha língua?), livros que já li e os que estão inseridos no programa escolar.
Tive saudades daquela loja começada pela letra F, N e A depois e terminada em C. Lá no meio daquele ambiente movimentado mas com sabor a leitura encontrava sempre o que queria, surpreendia-me sempre e o mais difícil era sair de lá com menos de dois livros no saco.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Podes fugir mas não te podes esconder



Há uns dias reencontrei num almoço de família uma parte desta que deixou de fazer parte da minha vida. Acabava por conviver com eles cerca de dois dias por ano, estes últimos anos. Porque mudei de localidade, porque acabei por superar as expectativas que eles tinham para mim, porque as suas vidas não tomaram o rumo que eles tinham previsto para alcançar o seu tão almejado sucesso. Durante todo este tempo contam-se pelos dedos as palavras proferidas naqueles encontros forçados. Soube mais tarde que todos acharam que eu agora que regressei estou muito diferente. “E para melhor. Já brinca e tudo.” Sei que não é assim. Não fui só eu que mudei. É engraçado como moldamos as coisas para nos parecerem que nós estamos correctos, agimos da forma correcta. Todos crescemos, todos somos forçados a tomar decisões que nos mudam.
Não nos escondermos, sermos quem nos transformamos, quem escolhemos ser. Há quem se desiluda connosco mas há quem goste de quem nós somos. Não vou mudar para agradar ninguém que não eu.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Erros de calendário



Estes dias confundem-me.
Ontem pensava que hoje seria sexta-feira.
Já nem falo no “número” dos dias porque aí a minha cabecinha tem que começar a fazer contas e a contar pelos dedos.
Estas semanas estão a tornar-se grandes demais e o fim-de-semana custa a chegar.
But “its a new day” everyday.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Dados adquiridos



É engraçado como há coisas que nem pensamos viver sem elas. Como se não pudessem desaparecer ou tão simplesmente mudar.
Coisas simples, que no fundo, nem nos lembramos delas porque são tão rotineiras. Mas a trivialidade delas não é certa e acabam por, num momento, se fazerem notar. Apesar da constatação da sua presença ser, quase sempre, evidenciada pela sua ausência ou perda.
Hoje lembrei-me de umas quantas coisas dessas e estou muito feliz por as ter comigo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Autenticidade



Antes tinha que pensar numa resposta quando questionada sobre mim, sobre os meus gostos. Pensava que era isso que ia fazer com a pessoa me achasse interessante, gostasse de mim.
O mau é que as respostas podiam variar dependendo de quem perguntava. Muitas vezes omitia (acho que nunca menti).
E isso era relativo a coisas muito simples como gostos musicais, literários…
Agora ando a ler um livro de uma escritora que em tempos recusei porque um amigo me tinha dito que este tipo de leituras light não faz bem à sociedade, aos pensamentos das pessoas tornando-as como cavalos amestrados que andam todos na mesma sintonia. Este amigo desiludiu-me. Na mesma altura fui à estante e no meio de muitos livros por ler peguei neste.
Já tinha lido outro dela. Não me tinha convencido totalmente. Este vai na mesma linha mas não desgosto de todo. Nesta fase da minha vida estou disponível para este género, se calhar noutra não conseguia acabar. Já cheguei a pegar em livros que adorei e não me saber ao mesmo, desiludirem-me até.
Basta um livro arrancar-me um sorriso (lágrimas é extremamente difícil) e já valeu a pena. Este, no meio de frases lidas a correr sem grande paciência para pensamentos profundos, ainda sorri umas vezes.
Voltando ao inicio, se me perguntarem se leio livros de escritoras da moda não hesito e digo “sim”. Se me perguntarem se gosto de música pop daquela que os teenagers gostam respondo “há algumas que gosto bastante”. Se perguntarem se vejo as novelas da TVI digo “há umas que valem a pena”... E não tenho vergonha. Assumo as minhas escolhas mesmo que não pareça intelectual o suficiente.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Enquadra-se




Gosto deste vídeo. Já o vi imensas vezes e prestei tão pouca atenção à música que nem sei se gosto dela ou não.
As imagens penetrantes, os lugares mágicos… Revejo-os e não deixo de ter a sensação de tranquilidade, do que preciso neste momento, da calma. E o sotaque típico do final interpreto-o como desprendimento, despretensão (não percebo, não percebes, who cares).
Adorava ter feito parte do vídeo. Gomo (Gomes) como não te lembraste de mim?!
E quando toda a gente acha o final pavoroso com todo aquele sangue (sangue!!!), não me importo com o final porque o principio e meio valem muito mais que muitos finais.
Um ajuste perfeito.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Melhor


Nada mudou excepto a forma como me sinto.
Hoje apetece-me rir. De piadas parvas, por nada. Sem dramas.
E até agora tudo óptimo.

(Acabei de reparar que é o meu 100º post. Nada melhor que um good mood para comemorar.)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

À deriva



No meio da lagoa olho as margens. O verde confunde-se com as manchas brancas que pintalgam os campos. Oiço a calma. Sinto a névoa fresca nos braços arrepiando-me de quando em quando. As algas espreitam à superfície.
Não tenho remos. Acho que os perdi, voluntaria ou involuntariamente. Sinto-me à deriva. Consigo tocar com os pés no extremo do meu barco de madeira. Apercebo-me que tenho os pés frios. Não consigo voltar a remar porque tenho as mãos enregeladas. Não sei nadar.
Tenho medo que o orvalho se transforme em chuva. Tenho medo da minha passividade. Não consigo reagir ao inesperado. Rememoro que fui eu que me coloquei nesta situação e tenho que sair dela, rapidamente. Não consigo pensar lucidamente. Respiro, as lágrimas esvaem-se na bruma.  

terça-feira, 13 de abril de 2010

We already said



Mas a confiança, o desejo e a certeza permanecem.
Já passei por algo semelhante e sei como as coisas são embora as pessoas sejam todas diferentes.
Após algum tempo há o receio de “revisitar” alguém que se gosta e as coisas já não serem como antes. Aprendi que às vezes as coisas continuam como foram porque há coisas que simplesmente não mudam com o tempo, adversidades ou morada. Outras são diferentes, porque todos estamos diferentes, crescemos, abrimos horizontes. Mas isso não é necessariamente mau. E se há silêncios no meio das conversas é porque assim tem que ser. Muitas vezes os silêncios servem para dizer algo que não conseguimos por palavras, outras para abafar o escorrer das lágrimas pelo rosto.
Sei que estou sempre a dizer que na amizade não se agradece mas Obrigada. Pelos momentos maravilhosos, pelas alegrias, pelas tristezas, pelos sorrisos e aconchegos de mãos. Porque nada seria como agora é. Eu não seria a mesma. E este aperto que sinto é sinal de saudade mas também que tenho pessoas que adoro e me fazem falta por não as ter sem meio atlântico no meio.
Somos um bocadinho daqueles que nos permitem entrar na sua vida. Eu tenho orgulho de ser uma porção das fantásticas pessoas com quem convivi e partilhei esta fase.

terça-feira, 30 de março de 2010

Cidades




Há cidades inesquecíveis e esta vai ficar gravada no meu coração.Porque me acolheu e se tornou minha casa.
Com uma pronúncia memorável e uma sonoridade de calçada. Com uma luz sombria, com ar de indiferença e elevação, de feitio recolhido.
Fica a promessa de voltar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Telefonemas


Quando se espera um telefonema importante e se tem sempre o telemóvel debaixo de vista, se está sempre a verificar que tem bateria e está com som, é quando se recebe mais contactos enganosos.
“É o Bernardo?” Reviro os olhos e com a minha voz rouca respondo o óbvio.
“Tou sim, posso falar com o Cristóvão?” Não pode porque é engano. “Então deixe-me confirmar o número por favor”. Tive que ouvir o senhor a repetir os meus dígitos.
Enervada pego no telefone e ligo para marcar viagem. Ao contrário do habitual a “menina” não é muito simpática e descubro que a ligação é gravada, caso contrário terei que me dirigir às instalações ou fazer pela internet algo que já me avisaram que não posso. Pronto, a minha voz de bagaço deve ficar bem sexy gravada. E se é para contribuir para um melhor atendimento que seja.
E pronto já tá. Bem fácil e rápido, só não dá milhões. Só se forem de saudades.

domingo, 28 de março de 2010

Ao sol



Coberta por um cristal de betão onde o sol domingueiro não penetra anseio por uma fresta que guie a luz.
Mesmo que tenha que semicerrar os olhos hoje não me importo, mesmo que os óculos escuros não sejam suficientes.
Mesmo com o nariz franzido, ainda combalido da virose, dou por mim a sorrir porque me apetece.
No meio de um arrepio penso nas possíveis histórias de quem passa. Talvez influenciada por um conto que vinha a ler no metro, local pouco propício à leitura dada a nova geração de telemóveis com música altifalante e adolescentes que pensam que gritando fazem com que o mundo os oiça, mundo que gira à sua volta.
Sou confrontada com a boa educação e o sorriso torna-se maior. Mantém-se quando a má aparece sem avisar. Tal como perguntas sempre sobre o mesmo, com diferentes sotaques, ritmos, línguas, tal como pedidos invulgares. Outros, envergonhados, entram a medo por entre um frio espaço onde esperam que contribua para melhorar ou definir o futuro. Por entre os desconhecidos surge um rosto familiar que me questiona sobre o meu futuro. Vagamente, porque não o conheço, retribuo a incerteza, sem previsões ou projectos.
A formiguinha no estômago inquieta-se como o pensamento no jardim e no sol. A pausa feita num curto tempo, é mesmo assim, curativa.

sábado, 27 de março de 2010

Mais um lencinho de papel



Tinha tanto para escrever mas o cansaço, imenso que fazer e a constipação não deixam.
Com o nariz feito numa verdadeira batatinha e rodeada de lenços de papel teclo sofregamente neste teclado que parece de chumbo.
Preciso de cama e hoje com a mudança da hora tenho que dormir menos uma hora. Tudo para melhorar.
As divagações surgirão noutra altura. Quero acreditar de não são delírios da possível febre.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Acordares



Acordo cedo quando podia acordar tarde.
Oiço o bebé do andar de baixo a chamar pela mãe. Passa a choro e a grito que se confunde com os gritos da mãe a tentar calá-lo. Passa a chama-la de forma carinhosa para ver se a convence. Ela não vai em cantigas mas não demora muito para que volte.
A vizinha de cima já calçou os saltos e deve estar quase a sair. O namorado ou marido toca a campainha vindo de passear o cão que ainda agora uiva sem se cansar. As cordas vocais dos mais pequenos são bastante potentes.
Olho o tecto sem estrelas, recordo que o meu “verdadeiro” quarto tem estrelas. Este foi o meu quarto mas já não o é. Dentro em breve terei outro ainda. O que vale é que não sou esquisita com camas.
Vêm-me à cabeça imensos devaneios. Terei espaço para tudo o que quero levar nas malas sem pagar excesso? Tenho a certeza que me vou esquecer de qualquer coisa que me vai fazer falta. Hoje tenho que voltar à faculdade e amanhã também, provavelmente, e agora sim, o último vislumbre daqueles vidros por muito tempo. Amanhã também começo uma manobra de diversão para me distrair da monotonia. Logo depois devo partir definitivamente. Ainda não marquei nada por não querer pensar nisso, não querendo antecipar. Penso demasiado em coisas que não vale a pena reflectir.
Já farta de pensamentos profundos matutinos levanto-me, sorrio, cheia de energia. Lá fora chuvisca mas who cares? É um óptimo dia à mesma.

terça-feira, 23 de março de 2010

Conselhos de Pai



Não tenho sentido o apoio que precisava de ouvir do meu pai.
Ele sempre foi uma pessoa que sempre admirei. As suas palavras sempre foram um ensinamento.
Adoro discutir com ele, discordamos imenso mas respeitamo-nos. Somos ambos teimosos e muitas vezes acabamos com “tá bem, fica com a tua que eu fico com a minha” mas falarmos estimula-me.
Nestes tempos de incerteza ele mostrou sempre uma distância que me estava a fazer confusão. Como se soubesse que as coisas vão correr bem, de alguma indiferença.
E hoje, sem saber, iluminou-me. Disse-me que apesar de ser uma situação aparentemente nova na realidade não o era. Que já tinha passado por algo semelhante e com tranquilidade. Tinha-me esquecido disso. Afinal de contas não deve ser tão diferente do que me esperava e como sempre estou a fazer uma tempestade num copo de água quando, se calhar (espero mesmo que sim, fingers crossed não vá o diabo tecê-las), vai correr tudo bem.
Cabeça erguida e bora lá qualquer coisinha que estou pronta para novas aventuras.
Obrigada Pai por confiares em mim mais do que eu.

Ao sabor do vento



A brisa guia-me. O sopro ampara-me.
Cada momento é único e é passado com a importância do último.
Balanço o corpo e a alma ao ritmo da aragem.
Semicerro os olhos à espera de poeira ou sol. Estou preparada! (Quero acreditar que estou.)

domingo, 21 de março de 2010

Cenários



Estou sentada numa praia, areia escura. Uma praia deserta, pequena, onde a distância entre o mar e o muro é bem pequena.
Está frio mas um sol não muito forte, agradável. Sinto a areia gelada nos meus jeans mas não me incomoda. Tenho uma t-shirt branca e um casaco de malha grossa entre o rosa e o cinza, com as mangas ligeiramente grandes. Desfaço as dobras e cerro os punhos nelas. Estou descalça e não visualizo onde tenho os sapatos nem as chaves do carro.
Oiço as ondas rebentarem, ligeiramente, calmamente. Gosto do murmúrio.
Puxo as mangas para cima. Tenho preguiça de as dobrar. Sei que se o fizer distraio-me pela perfeição que quero que adquiram.
Passo as mãos pelo cabelo, junto ao pescoço. Sinto-o suavemente e aperto-o levemente semicerrando os olhos. Agarro um punhado de areia. A areia passa-me entre os dedos. É fina, tão diferentemente refinada, onde se podem adivinhar tantas histórias. Gosto da sensação e repito vezes sem conta.
Esvazio os pensamentos, respiro fundo, olho para o infinito, limpo a alma.
Sem saber as horas, sem motivo, levanto-me. Agarro as chaves do carro e os sapatos que apareceram sem dar conta. Arrasto os pés na areia e lembro-me de uma citação de um filme sobre a areia ser o melhor exfoliante que existe. Não me importo mas a sensação é óptima e repito. Não experimento a água.
Uns passos adiante consigo saber a minha expressão facial e apesar de não estar a sorrir estou feliz.
Não foi um sonho. Foram pensamentos, tão fortemente descritos pela minha cabeça que podia ter sido um sonho.
Apercebo-me que podia sair agora e ir até à praia mas que não sei onde fica a praia mais próxima. Após seis anos de ter chegado a esta cidade não sei bem qual a praia mais próxima. Nunca me aconteceu. Até não gosto de praia mas o mar faz-me falta, só para o olhar. Provavelmente mesmo que soubesse não iria na mesma dado que é domingo, estar sol, o primeiro domingo solarengo depois do Inverno e incentive toda a gente a sair. A minha praia estava deserta, sem miúdos a correr ou a gritar, sem namorados aos beijinhos, sem cães a passear.
Hoje começa a Primavera e talvez precise de me lembrar que algo vai mudar, tem que mudar.

quinta-feira, 18 de março de 2010

True

Tenho uns amigos fantásticos!



Não podemos dizer o momento preciso em que nasce uma amizade. Tal como ao encher uma vasilha gota a gota há finalmente uma gota que a faz transbordar, assim também numa série de gestos de amabilidade há finalmente um que faz transbordar o coração.
James Boswell