Adoro-a mas esta música em particular contagia-me. Faz-me mexer, irremediavelmente.
Há dias que armo-me em bailarina contemporânea (influências do programa do Achas que Sabes Dançar) e salto, os braços soltam-se, a cabeça move-se estranhamente. A distinta coreografia é sempre diferente mas o sorriso apatetado é constante.
Não ligo à letra e limito-me a fluir. Sabe-me mesmo bem!
Hoje apercebi-me que as despedidas são todas difíceis.
Mesmo quando estamos longe e sabemos que alguém se vai mudar para mais longe.
Inevitavelmente vem à memória a despedida física que já aconteceu, aquele abraço que sufoca de um modo afável, aquele sorriso a conter as lágrimas que teimam em soltar-se. Mas por telefone ainda não é possível abraçar.
São ditas coisas que nos ficarão para sempre no coração, são revistos momentos, “as melhores coisas que me aconteceram”.
Gosto muito de ti I.. Nestes momentos as palavras custam a sair-me e serão sempre poucas para declarar toda a minha amizade mas sei que sabes tudo o que sinto. Resta-me desejar a sorte que eu sei que já está “instalada”.
Começou a chuva. Fico junto à janela com vontade de me molhar. Estico o braço e as gotas batem-me nas mãos, frias.
Como eu adoro o Outono.
Enlouqueço com as cores.
O dourado das folhas que vão aparecendo no chão, o começar a pensar nos casacos, o sentir o peso do cobertor na cama, as botas em vez das sandálias que dão muito mais jeito para chapinhar com a chuva que já dura o dia todo…
Tenho que comprar um guarda-chuva. Já ando a dizer isso há algum tempo. Sou muito cautelosa e mesmo quando o sol esteve forte me lembrava do ventinho bom a despentear levemente. Pode ser que com a minha tenção de sentir o orvalho na pele, na face, me esqueça por mais algum tempo.
Agora que viajo menos é que se lembra de facilitar as coisas.
Podia ser amiguinha e contratar-me para um estudo de mercado. Respondo a todos os questionários (podem ser dos intermináveis) se me puserem a voar. Nem precisam de se incomodar com a classe executiva. Sou vossa cobaia à vontade, com o maior dos gostos!
Atentamente,
Alguém muito ansioso para experimentar este novo serviço.
Nunca gostei muito daqueles jogos de lógica onde se tem que “descobrir” o próximo da sequência.
E eu sou assim: quando não gosto, ou sou pior em qualquer coisa torno-me ainda mais teimosa a fazê-la para conseguir faze-la bem. Desde a primária com uns rabiscos para treinar a mão antes de aprender a escrever que me lembro da minha obstinação.
Do nada, o outro dia, provavelmente ainda uma reminiscência do trauma, dei por mim a pensar que se temos a sequência ”pequeno-almoço, almoço” o que vem a seguir é o grande-almoço.
Certo? Natural e obviamente! Não!!! Porque o português gosta de complicar. Até mesmo na temática semântica-gramatical.
Descobri há pouco tempo. Fiquei perplexa e com a sensação associada aos velhotes “o que irão mais inventar?!”.
Ao investigar mais um bocadinho descobri que há variantes. Afinal há mesmo gengival, nas papilas mais propriamente, e nos freios. Só gostava de saber se quem os coloca (nos estúdios da “especialidade”) se retrai a ir ao dentista sem estar receoso do barulho, da picada da anestesia, do saber que poderá tirar um siso…
Não gosto, acho que não fica bonito, não recomendo e é lesivo. Mas até os famosos já aderiram: “que exemplo!”.
Só há pouco tempo é que descobri que não gosto de música jazz. Fazia-me imensa confusão porque acabo por gostar de todos os estilos mas este nunca me cativou. E ao longo dos anos nunca aprendi a gostar. Ainda me esforcei.
Nesta semana que está a passar muito lentamente há uma publicidade que me arranca sorrisos. Já estou farta de a procurar e não consigo encontrá-la em lado nenhum na net!
Agora, no intervalo da novela, estejam muito atentos ao anúncio do Volkswagen Sharan. A estrela principal é um cão espertíssimo.
Enviou-me o convite e instantaneamente comecei a pensar nos momentos deliciosos que passamos juntas.
A primeira foto de turma. Ela com um ar decidida e eu tímida embora a mini-saia não o fizesse transparecer. Era a minha mãe ainda que me escolhia a roupa e aquele conjunto também trazia uma boina a condizer. Eu, que gostava de manter o low profile e porque não conhecia ninguém que usasse boina, recusei-me a usá-la. Lembro-me de mais tarde encontrar num baú a camisola e a saia com sinais óbvios de bastante uso e a boina azul-marinho sem o mínimo sinal de ar.
Éramos as duas as mais baixinhas da turma. Partilhamos a carteira, a primeira, mais junto ao quadro. Esta era ainda de madeira, inclinada, com o banco junto. Colocámos as mochilas no meio de nós as duas nos primeiros tempos, afinal éramos desconhecidas e antes de sair de casa repetiam-me para não falar com desconhecidos, mas depois passaram para o chão porque nos tornámos inseparáveis.
Ela tinha tudo a condizer e com um tema. O estojo, o lápis, o afia. Naquele primeiro ano era o rei leão. Tínhamos em comum o amor por aquele filme.
No recreio tínhamos um castelo. Eram num canto, umas pedras com formato de trono. Dividíamos o reinado entre nós, democraticamente. Um dia uma era a rainha, no outro a princesa. E havia um príncipe. Uns dias figurado porque o futebol parecia-lhe mais interessante. Chamava-se Nuno. Era o mais alto da classe. Tinha uma paixoneta por mim mas, mais tarde, acabou por namorar com ela. Houve um dia que brincamos à bela adormecida e ele foi mesmo o meu príncipe. Dependendo dos dias da semana levávamos bonecas. Eram as nossas filhas ou irmãs. As outras meninas quando nos pediam para se juntar a nós eram as nossas aias.
Deixamo-nos de falar vezes sem conta. Amuamos. Fizemos planos juntas. Coleccionamos trevos de quatro folhas e secamos-lhos nas páginas dos livros.
Passaram-se tantos anos. Para ela continuo a ser a loirinha e para mim a baixinha adorável, com uma personalidade que transborda para além da sua altura.
E agora vai casar. Já conheci o noivo e pareceu-me perfeito para ela. Pressinto que vão ser muitos felizes!
Nos últimos tempos tenho ouvido demasiadas vezes que o que importa não é a meta, a chegada, mas sim todo o caminho, o percurso para lá chegar.
Por isso ponderamos por que vereda nos dirigir. Se só nos interessasse o final escolhíamos o mais fácil, o mais rápido, o mais curto, o sem menos percalços.
Mas não é na meta que esquecemos tudo o que ficou para trás? Ninguém tem fotos a escalar uma montanha, só no cimo! Porque ninguém se quer lembrar da dor, do sofrimento, da angústia até lá chegar. E para descer não necessitamos de tudo o que aprendemos? De reconhecer os caminhos mais fáceis, menos enlameados.
Resta saber se escalaríamos a montanha se soubéssemos que no cimo não iríamos respirar aquela neblina e vista de calma que nos faz sentir mais vivos e no topo do mundo. Para fazer um percurso não necessitamos de um incentivo que nos leve ao topo e não nos faça desistir no meio do caminho?
Penso pouco o presente. Tenho muito em mente o futuro e esqueço o actual.
Como perfeccionista olho pretérito perfeito com demasiada importância. Analiso-o desmedidamente. Normalmente o imperfeito nem passa por mim.
Gosto do imperativo. De o empregar e de o seguir. Porque muitas vezes é bom que alguém nos grite ao ouvido o que não queremos ver.
Não gosto do condicional. Os “ses” perseguem-me. Fantasio demasiado no que poderia acontecer, se percorresse determinado caminho. Porque as coisas acabam por não acontecer e se escolhesse outro caminho na encruzilhada poderia ser diferente. As opções aumentam e podem diminuir proporcionalmente à nossa indecisão. Hoje arrependo-me de imensa coisa. E continuo a olhar para trás, a pensar se poderia estar noutro local, e para a frente, se as oportunidades entretanto não se extinguirem. Condiciono audácias passadas, presentes e futuras.
I've been down so low People look at me and they know They can tell something is wrong Like I don't belong
Staring through a window Standing outside, they're just too happy to care tonight I want to be like them But I'll mess it up again
I tripped on my way in And got kicked outside, everybody saw...
And I know that it's a wonderful world But I can't feel it right now Well I thought that I was doing well But I just want to cry now Well I know that it's a wonderful world From the sky down to the sea But I can only see it when you're here, here with me
Sometimes I feel so full of love It just comes spilling out It's uncomfortable to see I give it away so easily But if I had someone I would do anything I'd never, never, ever let you feel alone I won't I won't leave you, on your own
But who am I to dream? Dreams are for fools, they let you down...
And I know that it's a wonderful world But I can't feel it right now Well I thought that I was doing well But I just want to cry now Well I know that it's a wonderful world From the sky down to the sea But I can only see it when you're here, here with me
And I wish that I could make it better I'd give anything for you to call me, or maybe just a little letter Oh, we could start again
And I know that it's a wonderful world But I can't feel it right now Well I thought that I was doing well But I just want to cry now Well I know that it's a wonderful world From the sky down to the sea But I can only see it when you're here, here with me
And I know that it's a wonderful world I can't feel it right now I got all the right clothes to wear I just want to cry now Well I know that it's a wonderful world From the sky down to the sea But I can only see it when you're here, here with me
And I know that it's a wonderful world When you're with me
“É sobre uma rapariga que queria mais do que tinha, que teve que crescer para perceber que já tinha tudo o que queria.”
Quis sair e sai. Não sabia se voltaria. Voltei.
Quis conhecer. Conheci muito mas não conheci o que tinha em mente, o que planeara. Terei que procurar agora onde estou. Se calhar onde sempre esteve.
Ainda bem que quis. Porque só a sensação de procura me fez encontrar algo de muito bom, me fez crescer. Cresci. Ainda não cresci tudo. Tenho muito para crescer. Mas apercebi-me que tenho o que quero. Não sei se será tudo mas se for fico sem metas para atingir. Apesar de, cada vez mais, achar que o tudo, por vezes, é demasiado.
Há exactamente um ano atrás fomos às compras. A I. tinha martelinhos no carro.
Decorámos a sala da mini-S. com luzinhas, balões e não faltou o manjerico.
As meninas trataram da salada (a habitual com os cherry) e os homens do churrasco. O F. exercitou o braço direito. Tentou trocar mas não dava jeito. Mesmo assim não queria ajuda. As acendalhas ainda estão na dispensa. Fomos chamadas à varanda porque a vizinha do prédio enfrente estava a lavar a sua varanda fervorosa e intermitentemente. Foi piada a noite toda.
A sangria levou martini porque já não havia vodka.
A chouriça estava óptima, a alheira também mas a broa fazia com que tudo combinasse. As febras eram enormes e acabaram por sobrar para o dia seguinte.
Enquanto nos empanturrámos fizemos planos para sair. Não o chegamos a fazer.
Não me lembro da sobremesa mas aposto que não faltou o struddel (o F. não o dispensa por nada) e o pão-de-ló maravilhoso da A.
O I. deixou-nos a meio da noite para ir ver o fogo de artificio com os seus (outros) amigos. Era o seu primeiro S. João no Porto. Nós vimos o fogo pela televisão enquanto comentávamos a evolução da Ana Malhoa.
Acabamos no mini-sofá branco, todas encima das outras. O abat-jour do sexy hot acabou na cabeça da I. e tirámos fotos. E pudemos fazer barulho sem medo do vizinho de baixo porque afinal a noite é de folia.
Descemos e lançámos balões de S. João dos chineses. Mas foram até à Venezuela, Caracas. Os vizinhos malucos do 5º duvidaram mas nós não. Voámos todos um bocadinho naquela noite juntamente com imensos pontos brilhantes no céu.
Esta noite não vou voar tão alto porque não os tenho por perto. Mas o sorriso mantém-se porque há coisas que não se tiram.
Quando estou nervosa, saturada, “passada da cabeça”, o stress diminui quando pego numa caneta e risco um caderno com muita força, muitas vezes. As páginas amarelas antigas são óptimas porque nunca mais acabam. O azul da esferográfica acalma-me.
Isso e ir ao vidrão desfazer umas quantas garrafas, de preferência de champanhe porque são maiores e mais pesadas. Uma óptima sessão de relaxamento!
Já acreditei na boa vontade das pessoas e fui enganada. Mesmo assim custa-me porque sempre acreditei que no fundo todos temos o nosso lado altruísta. (Ingenuidade?)
Há um sinal que nos diga com precisão se alguém nos ajuda desinteressadamente ou está à espera que o favor seja retribuído? A recorrência e a sua demonstração explícita são óbvios mas quando não o são?
Sinto que fui enredada nesta teia de (des)favores. Pedir ajuda é cada vez mais difícil. E se no momento de compensar não estiver ao meu alcance ou se simplesmente não concordar com o que me pedem? Estarei a ser mal-agradecida? E se no reverso da medalha dou por mim a fazer algo sem pensar em prémios será algo recíproco? É legitimo pensar que se fui auxiliada por alguém estou em dívida para com ela? E esta para ser justamente saldada é quantificável ou qualificável? Quem decide os termos do “contrato” se este foi realizado à posteriori?
Actualmente sinto que toda a gente tem algo que as motiva nas suas acções e esta motivação pode ser para benefício próprio, sem pensar nos intervenientes. Haverá ainda a chamada benevolência ou esta transformou-se num meio para atingir fins?
Gostava que as coisas acontecessem por um sentimento real e mútuo e não em possíveis compensações. E cada vez mais é difícil abstrairmo-nos e distingui-las. Estaremos a ser honestos, coerentes e leais ou simplesmente os valores alteraram-se e as regras do jogo não são as mesmas?
E quando nos lembram de alguma coisa que nos incomoda? Daquilo que estamos fartos de saber mas não a podemos mudar. Daquilo que nos ocupa o pensamento mas queremos que se espalhe e se resolva rapidamente, porque não depende de nós. Mas mesmo assim há alguém que faz questão de analisar mais uma vez a situação e combater o óbvio.
Apetece-me desligar o telemóvel, ouvir música bem alta e, eventualmente, gritar!
Decisões ponderadas. Tomadas conscientemente. Ponto assente, resoluto.
Quando parece que mais nada a vai afectar continua a orbicular, onde a lua enfeitiça o livre arbítrio. “E faz todo o sentido que seja assim por isso… está decidido”. Estará? Porque quando a pergunta é verbalizada a segurança não é mesma.
Os prós, os contras, as virtudes, os defeitos, as projecções, os caminhos tortuosos, tudo prudentemente acautelado.
Sou teimosa. Não quero ouvir a opinião de ninguém. Mantenho-a. Mas espero que não me questionem nem uma vez.
Redemoinhos de pensamentos ao deitar. Balanço do dia passado e do próximo. Coisas boas, más, inutilidades. Tenho-nos afastado com leituras. A decoração da minha mesinha de cabeceira agora conta sempre com vários livros.
Burburinhos ao acordar. Como superar algumas dificuldades. Muitas vezes a imaginação congemina contra nós. Salto da almofada. Afinal pensar de pé, num ambiente pouco propenso a sonhos (ou pesadelos) consegue calar a voz cautelosa que sempre nos falou ao ouvido.
Pensar faz bem. Rever atitudes, apontamentos vividos. Ter metas, sem previsões. Mas quero reduzir a previsibilidade. Quero ser surpreendida pela vida. Todos os dias um bocadinho que o meu grau de aventura tem que vir na dose certa, não pode chegar todo de uma vez e de raciocínio e um pára-quedas nunca fizeram mal a ninguém.