A minha mãe quer que encha o carro novo com mil e um “adereços” contra a má-sorte, mau olhado, protecção divina, etc.
Mas hoje enquanto ia a conduzir e exactamente enquanto pensava nisso não é que o vidro não queria fechar?! Foi um sinal?! Será melhor não correr riscos nem com vidros com a mania que podem fazer o que lhe apetece (raio de coisas electrónicas sempre a avariar).
Vou ter mesmo que lhe fazer a vontade porque se algo acontecer (três vezes na madeira) a culpa não seja atribuída à falta de consideração. Mas vai ter que estar tudo bem escondidinho porque gosto pouco de coisas penduradas e desarrumadas num carro.
Não gosto de superstições mas ao mesmo tempo fico com apreensão de arriscar.
Não me importo de passar por baixo de escadas, os gatos pretos são-me indiferentes, já parti um espelho… Não considero que tenha ficado azarada.
Mas quando estou à espera de alguma coisa importante tenho receio de falar nela enquanto não tiver a certeza. Fico ansiosa e quero guardá-la mas a possibilidade de não acontecer deixa que as dúvidas apoderem-se do estado. Enquanto espero acabará por chegar. E se for positiva a alegria de contar será maior.
Às vezes a coragem para arriscarmos pode partir dos outros.
Quando todos os que gostam de nós nos encorajam para determinada realidade é porque pensam que somos capazes. Mesmo que depois se revele um fracasso fomos arrojados o suficiente e a experiência terá valido a pena nem que tenha sido somente para sabermos, nós próprios, a não duvidar daquilo que estamos aptos. Para nos conhecermos melhor.
Gosto de comédias românticas porque sei sempre como acabam.
Ando a ler um livro sobre o amor impossível de um padre com uma mulher mais nova. E estou a adorar. Gosto da linguagem, do espaço, e a história só pode terminar de duas formas. É a típica narrativa do amor impossível mas ainda vou à procura de figuras de estilo, de pequenos apontamentos que fazem prever o desfecho, ainda me entusiasma.
Gosto da pressuposição. Não gosto de grandes surpresas. Não sei reagir.
Sinto-me mal com a estranheza e não me dou bem com a indefinição do amanhã.
Suponho que seja um defeito.
Ou então ainda não fui (agradavelmente) surpreendida para mudar de opinião.
Estou com a sensação que estão a tentar dar-me a volta. Começou com um pedido de uma coisa minha mas aquando de um aprofundar (subtil) do objectivo não obtive resposta.
Costumo ter razão nas desconfianças afinal porque não há fumo sem fogo mas não quero acreditar porque tenho muita consideração por esta pessoa.
Acho que vou pegar na minha imaginação e inventar qualquer coisa para descobrir o que exactamente se passa. Não aguento ficar na dúvida. E acho bem estar enganada porque detesto que façam de mim parva!
Apesar de esta semana ter um cheiro a sexta-feira continuo de mau-humor.
Por nada em especial. Porque sei que é segunda…
Será geral ou a segunda-feira está mesmo destinada a ser um ódio de estimação? Afinal as coisas boas também podem acontecer a este dia e as más nos outros todos…
O bom é que fiz tudo o que queria e tinha mesmo que fazer e em menos tempo do que previa.
Acho que sou mesmo eu a implicar… Há dias assim… E se é para implicar contem comigo, principalmente se for segunda-feira.
“Daqui a um ano, se continuarmos sem ninguém, tentamos nós.”
Sempre que oiço algo semelhante penso se seria capaz.
Pressupondo que se tratam de amigos, as amizades que “evoluem” podem ser perigosas. As coisas podem nunca voltar a ser as mesmas e não necessariamente acabarem melhor. É certo que nunca saberemos enquanto não experimentarmos mas é inevitável pensar que não queremos nunca perder o que temos com alguém que é tão importante para nós. Tornarmo-nos namorados de ex-amigos é mais doloroso e comum do que ser-mos amigos de ex-namorados. Valerá a pena sacrificar um pequeno amor por grande amizade?
E se afinal aquela pessoa sempre lá esteve porque é que nunca aconteceu? Teremos que impingir ao destino para que ele se sentenceie e decida a favor daquilo que nem nós temos a certeza, de que duvidamos?
Outra questão importante é darmos um limite a nós próprios para “encontrar o príncipe”. Com isso, deixa logo de haver um curso natural das coisas, com o seu tempo próprio, sem pressões nem pressas.
A palavra resignação não me sai da cabeça. Estaremos a acomodarmo-nos quando deixamos ou simplesmente desistimos de procurar? Estaremos a contentarmo-nos perante o desalento ou tudo se resume somente à coragem de querer arriscar?
Adoro-a mas esta música em particular contagia-me. Faz-me mexer, irremediavelmente.
Há dias que armo-me em bailarina contemporânea (influências do programa do Achas que Sabes Dançar) e salto, os braços soltam-se, a cabeça move-se estranhamente. A distinta coreografia é sempre diferente mas o sorriso apatetado é constante.
Não ligo à letra e limito-me a fluir. Sabe-me mesmo bem!
Hoje apercebi-me que as despedidas são todas difíceis.
Mesmo quando estamos longe e sabemos que alguém se vai mudar para mais longe.
Inevitavelmente vem à memória a despedida física que já aconteceu, aquele abraço que sufoca de um modo afável, aquele sorriso a conter as lágrimas que teimam em soltar-se. Mas por telefone ainda não é possível abraçar.
São ditas coisas que nos ficarão para sempre no coração, são revistos momentos, “as melhores coisas que me aconteceram”.
Gosto muito de ti I.. Nestes momentos as palavras custam a sair-me e serão sempre poucas para declarar toda a minha amizade mas sei que sabes tudo o que sinto. Resta-me desejar a sorte que eu sei que já está “instalada”.
Começou a chuva. Fico junto à janela com vontade de me molhar. Estico o braço e as gotas batem-me nas mãos, frias.
Como eu adoro o Outono.
Enlouqueço com as cores.
O dourado das folhas que vão aparecendo no chão, o começar a pensar nos casacos, o sentir o peso do cobertor na cama, as botas em vez das sandálias que dão muito mais jeito para chapinhar com a chuva que já dura o dia todo…
Tenho que comprar um guarda-chuva. Já ando a dizer isso há algum tempo. Sou muito cautelosa e mesmo quando o sol esteve forte me lembrava do ventinho bom a despentear levemente. Pode ser que com a minha tenção de sentir o orvalho na pele, na face, me esqueça por mais algum tempo.
Agora que viajo menos é que se lembra de facilitar as coisas.
Podia ser amiguinha e contratar-me para um estudo de mercado. Respondo a todos os questionários (podem ser dos intermináveis) se me puserem a voar. Nem precisam de se incomodar com a classe executiva. Sou vossa cobaia à vontade, com o maior dos gostos!
Atentamente,
Alguém muito ansioso para experimentar este novo serviço.
Nunca gostei muito daqueles jogos de lógica onde se tem que “descobrir” o próximo da sequência.
E eu sou assim: quando não gosto, ou sou pior em qualquer coisa torno-me ainda mais teimosa a fazê-la para conseguir faze-la bem. Desde a primária com uns rabiscos para treinar a mão antes de aprender a escrever que me lembro da minha obstinação.
Do nada, o outro dia, provavelmente ainda uma reminiscência do trauma, dei por mim a pensar que se temos a sequência ”pequeno-almoço, almoço” o que vem a seguir é o grande-almoço.
Certo? Natural e obviamente! Não!!! Porque o português gosta de complicar. Até mesmo na temática semântica-gramatical.
Descobri há pouco tempo. Fiquei perplexa e com a sensação associada aos velhotes “o que irão mais inventar?!”.
Ao investigar mais um bocadinho descobri que há variantes. Afinal há mesmo gengival, nas papilas mais propriamente, e nos freios. Só gostava de saber se quem os coloca (nos estúdios da “especialidade”) se retrai a ir ao dentista sem estar receoso do barulho, da picada da anestesia, do saber que poderá tirar um siso…
Não gosto, acho que não fica bonito, não recomendo e é lesivo. Mas até os famosos já aderiram: “que exemplo!”.
Só há pouco tempo é que descobri que não gosto de música jazz. Fazia-me imensa confusão porque acabo por gostar de todos os estilos mas este nunca me cativou. E ao longo dos anos nunca aprendi a gostar. Ainda me esforcei.
Nesta semana que está a passar muito lentamente há uma publicidade que me arranca sorrisos. Já estou farta de a procurar e não consigo encontrá-la em lado nenhum na net!
Agora, no intervalo da novela, estejam muito atentos ao anúncio do Volkswagen Sharan. A estrela principal é um cão espertíssimo.
Enviou-me o convite e instantaneamente comecei a pensar nos momentos deliciosos que passamos juntas.
A primeira foto de turma. Ela com um ar decidida e eu tímida embora a mini-saia não o fizesse transparecer. Era a minha mãe ainda que me escolhia a roupa e aquele conjunto também trazia uma boina a condizer. Eu, que gostava de manter o low profile e porque não conhecia ninguém que usasse boina, recusei-me a usá-la. Lembro-me de mais tarde encontrar num baú a camisola e a saia com sinais óbvios de bastante uso e a boina azul-marinho sem o mínimo sinal de ar.
Éramos as duas as mais baixinhas da turma. Partilhamos a carteira, a primeira, mais junto ao quadro. Esta era ainda de madeira, inclinada, com o banco junto. Colocámos as mochilas no meio de nós as duas nos primeiros tempos, afinal éramos desconhecidas e antes de sair de casa repetiam-me para não falar com desconhecidos, mas depois passaram para o chão porque nos tornámos inseparáveis.
Ela tinha tudo a condizer e com um tema. O estojo, o lápis, o afia. Naquele primeiro ano era o rei leão. Tínhamos em comum o amor por aquele filme.
No recreio tínhamos um castelo. Eram num canto, umas pedras com formato de trono. Dividíamos o reinado entre nós, democraticamente. Um dia uma era a rainha, no outro a princesa. E havia um príncipe. Uns dias figurado porque o futebol parecia-lhe mais interessante. Chamava-se Nuno. Era o mais alto da classe. Tinha uma paixoneta por mim mas, mais tarde, acabou por namorar com ela. Houve um dia que brincamos à bela adormecida e ele foi mesmo o meu príncipe. Dependendo dos dias da semana levávamos bonecas. Eram as nossas filhas ou irmãs. As outras meninas quando nos pediam para se juntar a nós eram as nossas aias.
Deixamo-nos de falar vezes sem conta. Amuamos. Fizemos planos juntas. Coleccionamos trevos de quatro folhas e secamos-lhos nas páginas dos livros.
Passaram-se tantos anos. Para ela continuo a ser a loirinha e para mim a baixinha adorável, com uma personalidade que transborda para além da sua altura.
E agora vai casar. Já conheci o noivo e pareceu-me perfeito para ela. Pressinto que vão ser muitos felizes!
Nos últimos tempos tenho ouvido demasiadas vezes que o que importa não é a meta, a chegada, mas sim todo o caminho, o percurso para lá chegar.
Por isso ponderamos por que vereda nos dirigir. Se só nos interessasse o final escolhíamos o mais fácil, o mais rápido, o mais curto, o sem menos percalços.
Mas não é na meta que esquecemos tudo o que ficou para trás? Ninguém tem fotos a escalar uma montanha, só no cimo! Porque ninguém se quer lembrar da dor, do sofrimento, da angústia até lá chegar. E para descer não necessitamos de tudo o que aprendemos? De reconhecer os caminhos mais fáceis, menos enlameados.
Resta saber se escalaríamos a montanha se soubéssemos que no cimo não iríamos respirar aquela neblina e vista de calma que nos faz sentir mais vivos e no topo do mundo. Para fazer um percurso não necessitamos de um incentivo que nos leve ao topo e não nos faça desistir no meio do caminho?
Penso pouco o presente. Tenho muito em mente o futuro e esqueço o actual.
Como perfeccionista olho pretérito perfeito com demasiada importância. Analiso-o desmedidamente. Normalmente o imperfeito nem passa por mim.
Gosto do imperativo. De o empregar e de o seguir. Porque muitas vezes é bom que alguém nos grite ao ouvido o que não queremos ver.
Não gosto do condicional. Os “ses” perseguem-me. Fantasio demasiado no que poderia acontecer, se percorresse determinado caminho. Porque as coisas acabam por não acontecer e se escolhesse outro caminho na encruzilhada poderia ser diferente. As opções aumentam e podem diminuir proporcionalmente à nossa indecisão. Hoje arrependo-me de imensa coisa. E continuo a olhar para trás, a pensar se poderia estar noutro local, e para a frente, se as oportunidades entretanto não se extinguirem. Condiciono audácias passadas, presentes e futuras.