quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cumplicidades



A minha melhor amiga da primária vai casar.
Enviou-me o convite e instantaneamente comecei a pensar nos momentos deliciosos que passamos juntas.
A primeira foto de turma. Ela com um ar decidida e eu tímida embora a mini-saia não o fizesse transparecer. Era a minha mãe ainda que me escolhia a roupa e aquele conjunto também trazia uma boina a condizer. Eu, que gostava de manter o low profile e porque não conhecia ninguém que usasse boina, recusei-me a usá-la. Lembro-me de mais tarde encontrar num baú a camisola e a saia com sinais óbvios de bastante uso e a boina azul-marinho sem o mínimo sinal de ar.
Éramos as duas as mais baixinhas da turma. Partilhamos a carteira, a primeira, mais junto ao quadro. Esta era ainda de madeira, inclinada, com o banco junto. Colocámos as mochilas no meio de nós as duas nos primeiros tempos, afinal éramos desconhecidas e antes de sair de casa repetiam-me para não falar com desconhecidos, mas depois passaram para o chão porque nos tornámos inseparáveis.
Ela tinha tudo a condizer e com um tema. O estojo, o lápis, o afia. Naquele primeiro ano era o rei leão. Tínhamos em comum o amor por aquele filme.
No recreio tínhamos um castelo. Eram num canto, umas pedras com formato de trono. Dividíamos o reinado entre nós, democraticamente. Um dia uma era a rainha, no outro a princesa. E havia um príncipe. Uns dias figurado porque o futebol parecia-lhe mais interessante. Chamava-se Nuno. Era o mais alto da classe. Tinha uma paixoneta por mim mas, mais tarde, acabou por namorar com ela. Houve um dia que brincamos à bela adormecida e ele foi mesmo o meu príncipe. Dependendo dos dias da semana levávamos bonecas. Eram as nossas filhas ou irmãs. As outras meninas quando nos pediam para se juntar a nós eram as nossas aias.
Deixamo-nos de falar vezes sem conta. Amuamos. Fizemos planos juntas. Coleccionamos trevos de quatro folhas e secamos-lhos nas páginas dos livros.
Passaram-se tantos anos. Para ela continuo a ser a loirinha e para mim a baixinha adorável, com uma personalidade que transborda para além da sua altura.
E agora vai casar. Já conheci o noivo e pareceu-me perfeito para ela. Pressinto que vão ser muitos felizes!
Muitas felicidades miga*

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Trilhos



Nos últimos tempos tenho ouvido demasiadas vezes que o que importa não é a meta, a chegada, mas sim todo o caminho, o percurso para lá chegar.
Por isso ponderamos por que vereda nos dirigir. Se só nos interessasse o final escolhíamos o mais fácil, o mais rápido, o mais curto, o sem menos percalços.
Mas não é na meta que esquecemos tudo o que ficou para trás? Ninguém tem fotos a escalar uma montanha, só no cimo! Porque ninguém se quer lembrar da dor, do sofrimento, da angústia até lá chegar. E para descer não necessitamos de tudo o que aprendemos? De reconhecer os caminhos mais fáceis, menos enlameados.
Resta saber se escalaríamos a montanha se soubéssemos que no cimo não iríamos respirar aquela neblina e vista de calma que nos faz sentir mais vivos e no topo do mundo. Para fazer um percurso não necessitamos de um incentivo que nos leve ao topo e não nos faça desistir no meio do caminho?

sábado, 18 de setembro de 2010

Despertares



Qual o limite entre a ambição e a necessidade?
Podemos ser desmedidamente ávidos que nos arriscamos a perder algo que sem o qual não sobrevivemos.
Qual é a altura ideal para deixar de sonhar e acordar? Afinal acordar é a realidade. Mas seria esta a mesma se não a idealizássemos?
Poderemos deixar o sonho comandar a vida e este a destruir?
Afinal o despertador é nosso amigo? Ou só serve para nos interromper os sonhos e com isso dar-nos liberdade para os continuar após o acordar?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Não (Nunca) me esqueci de ti



Tenho saudades tuas.
Quero esquecer-te.
Não quero reconhecer-te na rua.
Quero que me identifiques na multidão quando estou tão diferente.
Quero que me recites poemas outra vez
E elogies o meu cabelo mesmo quando este já mudou tanta vez e tu não assististe.
Não quero que estejas presente para não discutir por tua causa com alguém que não gosta de ti.
Quero que me cantes aquelas músicas que aprendeste na guitarra e me tocavas baixinho.
Não quero reler as confissões de como gostava tanto de ti.
Quero te ligar e ouvir a tua voz sempre calma.
Não quero ouvir aquela canção que era a tua com ela.
Não quero que me falem de ti. Nem da tua família, nem dos teus amigos.
Quero me lembrar de ti e sorrir.
Quero repetir os passeios, as conversas, as palavras de conforto, os risos.
Não quero que me tentes arranjar alguém.
Quero saber onde estás agora.
Quero te deixar ir.
Tu já partiste mas ainda permaneces no meu coração.
Por nunca ter acontecido ficou sempre o que poderia ter sido.
Não te consigo esquecer.
Tenho saudades tuas.
Gostava que desfizesses o castelo que construi em teu redor.
Seria mais fácil não gostar de ti, esquecer-te.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Trust me



Posso pedir a confiança de alguém em quem não confio?
Posso ficar ressentida por esta pessoa não demonstrar confiança em mim quando eu própria não confio nela?
Que legitimidade tenho para desconfiar de alguém que não confia em mim?
Como posso provar a minha rectidão sem dar espaço a possíveis ardis?
Suponho que alguém tenha que ceder.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Apanha-me


Matt Bomer

Estupidamente giro!
Acho que até aparecerá nos meus sonhos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Verbos



Aprendi a falar com o gerúndio no sotaque.
Penso pouco o presente. Tenho muito em mente o futuro e esqueço o actual.
Como perfeccionista olho pretérito perfeito com demasiada importância. Analiso-o desmedidamente. Normalmente o imperfeito nem passa por mim.
Gosto do imperativo. De o empregar e de o seguir. Porque muitas vezes é bom que alguém nos grite ao ouvido o que não queremos ver.
Não gosto do condicional. Os “ses” perseguem-me. Fantasio demasiado no que poderia acontecer, se percorresse determinado caminho. Porque as coisas acabam por não acontecer e se escolhesse outro caminho na encruzilhada poderia ser diferente. As opções aumentam e podem diminuir proporcionalmente à nossa indecisão. Hoje arrependo-me de imensa coisa. E continuo a olhar para trás, a pensar se poderia estar noutro local, e para a frente, se as oportunidades entretanto não se extinguirem. Condiciono audácias passadas, presentes e futuras.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

I really can't feel it right now






I've been down so low
People look at me and they know
They can tell something is wrong
Like I don't belong

Staring through a window
Standing outside, they're just too happy to care tonight
I want to be like them
But I'll mess it up again

I tripped on my way in
And got kicked outside, everybody saw...

And I know that it's a wonderful world
But I can't feel it right now
Well I thought that I was doing well
But I just want to cry now
Well I know that it's a wonderful world
From the sky down to the sea
But I can only see it when you're here, here with me

Sometimes I feel so full of love
It just comes spilling out
It's uncomfortable to see
I give it away so easily
But if I had someone I would do anything
I'd never, never, ever let you feel alone
I won't I won't leave you, on your own

But who am I to dream?
Dreams are for fools, they let you down...

And I know that it's a wonderful world
But I can't feel it right now
Well I thought that I was doing well
But I just want to cry now
Well I know that it's a wonderful world
From the sky down to the sea
But I can only see it when you're here, here with me

And I wish that I could make it better
I'd give anything for you to call me, or maybe just a little letter
Oh, we could start again

And I know that it's a wonderful world
But I can't feel it right now
Well I thought that I was doing well
But I just want to cry now
Well I know that it's a wonderful world
From the sky down to the sea
But I can only see it when you're here, here with me

And I know that it's a wonderful world
I can't feel it right now
I got all the right clothes to wear
I just want to cry now
Well I know that it's a wonderful world
From the sky down to the sea
But I can only see it when you're here, here with me

And I know that it's a wonderful world
When you're with me

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Correctos enganos



“É sobre uma rapariga que queria mais do que tinha, que teve que crescer para perceber que já tinha tudo o que queria.”
Quis sair e sai. Não sabia se voltaria. Voltei.
Quis conhecer. Conheci muito mas não conheci o que tinha em mente, o que planeara. Terei que procurar agora onde estou. Se calhar onde sempre esteve.
Ainda bem que quis. Porque só a sensação de procura me fez encontrar algo de muito bom, me fez crescer. Cresci. Ainda não cresci tudo. Tenho muito para crescer. Mas apercebi-me que tenho o que quero. Não sei se será tudo mas se for fico sem metas para atingir. Apesar de, cada vez mais, achar que o tudo, por vezes, é demasiado.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Oh meu rico S. João…



Há exactamente um ano atrás fomos às compras. A I. tinha martelinhos no carro.
Decorámos a sala da mini-S. com luzinhas, balões e não faltou o manjerico.
As meninas trataram da salada (a habitual com os cherry) e os homens do churrasco. O F. exercitou o braço direito. Tentou trocar mas não dava jeito. Mesmo assim não queria ajuda. As acendalhas ainda estão na dispensa. Fomos chamadas à varanda porque a vizinha do prédio enfrente estava a lavar a sua varanda fervorosa e intermitentemente. Foi piada a noite toda.
A sangria levou martini porque já não havia vodka.
A chouriça estava óptima, a alheira também mas a broa fazia com que tudo combinasse. As febras eram enormes e acabaram por sobrar para o dia seguinte.
Enquanto nos empanturrámos fizemos planos para sair. Não o chegamos a fazer.
Não me lembro da sobremesa mas aposto que não faltou o struddel (o F. não o dispensa por nada) e o pão-de-ló maravilhoso da A.
O I. deixou-nos a meio da noite para ir ver o fogo de artificio com os seus (outros) amigos. Era o seu primeiro S. João no Porto. Nós vimos o fogo pela televisão enquanto comentávamos a evolução da Ana Malhoa.
Acabamos no mini-sofá branco, todas encima das outras. O abat-jour do sexy hot acabou na cabeça da I. e tirámos fotos. E pudemos fazer barulho sem medo do vizinho de baixo porque afinal a noite é de folia.
Descemos e lançámos balões de S. João dos chineses. Mas foram até à Venezuela, Caracas. Os vizinhos malucos do 5º duvidaram mas nós não. Voámos todos um bocadinho naquela noite juntamente com imensos pontos brilhantes no céu.
Esta noite não vou voar tão alto porque não os tenho por perto. Mas o sorriso mantém-se porque há coisas que não se tiram.
Um óptimo S. João.

domingo, 20 de junho de 2010

Maluquinha



Quando estou nervosa, saturada, “passada da cabeça”, o stress diminui quando pego numa caneta e risco um caderno com muita força, muitas vezes. As páginas amarelas antigas são óptimas porque nunca mais acabam. O azul da esferográfica acalma-me.
Isso e ir ao vidrão desfazer umas quantas garrafas, de preferência de champanhe porque são maiores e mais pesadas. Uma óptima sessão de relaxamento!
Podia ser bem pior!

sábado, 19 de junho de 2010

Favores



Já acreditei na boa vontade das pessoas e fui enganada. Mesmo assim custa-me porque sempre acreditei que no fundo todos temos o nosso lado altruísta. (Ingenuidade?)
Há um sinal que nos diga com precisão se alguém nos ajuda desinteressadamente ou está à espera que o favor seja retribuído? A recorrência e a sua demonstração explícita são óbvios mas quando não o são?
Sinto que fui enredada nesta teia de (des)favores. Pedir ajuda é cada vez mais difícil. E se no momento de compensar não estiver ao meu alcance ou se simplesmente não concordar com o que me pedem? Estarei a ser mal-agradecida? E se no reverso da medalha dou por mim a fazer algo sem pensar em prémios será algo recíproco? É legitimo pensar que se fui auxiliada por alguém estou em dívida para com ela? E esta para ser justamente saldada é quantificável ou qualificável? Quem decide os termos do “contrato” se este foi realizado à posteriori?
Actualmente sinto que toda a gente tem algo que as motiva nas suas acções e esta motivação pode ser para benefício próprio, sem pensar nos intervenientes. Haverá ainda a chamada benevolência ou esta transformou-se num meio para atingir fins?
Gostava que as coisas acontecessem por um sentimento real e mútuo e não em possíveis compensações. E cada vez mais é difícil abstrairmo-nos e distingui-las. Estaremos a ser honestos, coerentes e leais ou simplesmente os valores alteraram-se e as regras do jogo não são as mesmas?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Pecados



“Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.”
Eu menti a um mentiroso.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Limites



Quando é que deixámos de amar alguém que algures no tempo nos fazia respirar?
Quando é que a amizade passou a ser inveja?
Quando é que as palavras carinhosas passaram a ser frias expressões de desagrado?
Quando é que as óptimas noticias passaram a segredo?
Quando é que o silêncio caloroso passou a um incómodo tempo a pensar no que dizer a seguir?
Quando é que os abraços de desfizeram?
Quando é que as preocupações passaram a desprezo?
Quando é que a verdade passou a aparência?
E num gesto de magia tudo muda.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Eu sei!



E quando nos lembram de alguma coisa que nos incomoda? Daquilo que estamos fartos de saber mas não a podemos mudar. Daquilo que nos ocupa o pensamento mas queremos que se espalhe e se resolva rapidamente, porque não depende de nós. Mas mesmo assim há alguém que faz questão de analisar mais uma vez a situação e combater o óbvio.
Apetece-me desligar o telemóvel, ouvir música bem alta e, eventualmente, gritar!

terça-feira, 15 de junho de 2010

A arte de decidir



Decisões ponderadas. Tomadas conscientemente. Ponto assente, resoluto.
Quando parece que mais nada a vai afectar continua a orbicular, onde a lua enfeitiça o livre arbítrio. “E faz todo o sentido que seja assim por isso… está decidido”. Estará? Porque quando a pergunta é verbalizada a segurança não é mesma.
Os prós, os contras, as virtudes, os defeitos, as projecções, os caminhos tortuosos, tudo prudentemente acautelado.
Sou teimosa. Não quero ouvir a opinião de ninguém. Mantenho-a. Mas espero que não me questionem nem uma vez.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pensar demais



Redemoinhos de pensamentos ao deitar. Balanço do dia passado e do próximo. Coisas boas, más, inutilidades. Tenho-nos afastado com leituras. A decoração da minha mesinha de cabeceira agora conta sempre com vários livros.
Burburinhos ao acordar. Como superar algumas dificuldades. Muitas vezes a imaginação congemina contra nós. Salto da almofada. Afinal pensar de pé, num ambiente pouco propenso a sonhos (ou pesadelos) consegue calar a voz cautelosa que sempre nos falou ao ouvido.
Pensar faz bem. Rever atitudes, apontamentos vividos. Ter metas, sem previsões. Mas quero reduzir a previsibilidade. Quero ser surpreendida pela vida. Todos os dias um bocadinho que o meu grau de aventura tem que vir na dose certa, não pode chegar todo de uma vez e de raciocínio e um pára-quedas nunca fizeram mal a ninguém. 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

“É como andar de bicicleta”



Mas eu nunca aprendi a andar de bicicleta. Triciclo serve?
Farta de arranjar desculpas, a adiar o óbvio lá fui eu. Sem direcção assistida e pronta para usar os bicípites.
Não correu mal. Afinal de contas já soube como se fazia só não o fazia há muito tempo. Não foi perfeito mas amanhã a volta continua e só com a prática podemos esperar a perfeição.
Correu melhor do que esperava. O percurso foi maior para a primeira aventura sem rodinhas/pedais de conforto.
Senti-me grande. Cresci um bocadinho assim e amanhã mais um bocadinho está pronto para crescer.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Aparências



Superficiais.
Tornam o momento e a experiência incompletos.
Podem surpreender-nos.
Apesar de algumas vezes ser difícil olhar para além delas sem uma primeira impressão dolorosa podem valer a pena. Ou simplesmente, enganar-nos. (Às vezes gosto de ser enganada).

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Revi-me



Apesar de haver coisas que ainda me custam a acreditar, a ser, há outras que são o meu reflexo no espelho, a minha história.

“ Eu tinha medo de tantas coisas. De nunca crescer, de ficar presa no mesmo sitio para sempre, de nunca alcançar os meus sonhos.
O tempo ilude-nos. Num dia sonhamos, noutro o nosso sonho torna-se realidade.
Agora que esta menina assustada não me acompanha para todo o lado tenho saudades dela. Porque tenho coisas a dizer-lhe. Queria que ela descontraísse, que não fosse tão séria. Porque tudo vai correr bem!
Devia saber que conhecer pessoas que gostem de nós, que nos aceitam como somos, será cada vez mais raro. Todos aqueles que moldaram quem sou estão sempre comigo. A história reescreve-se em detalhes a cada dia que passa e o meu amor por eles só aumenta. Porque a verdade é que foram tempos inesquecíveis. Cometemos erros, tivemos desgostos, aprendemos lições mas tudo isso agora é recordado com carinho. Como se proporciona? Porque nos esquecemos do mau e floreamos o bom? Talvez por necessidade de crer que aquele período significou algo. Que estivemos presentes numa época que nos definiu. Uma época que jamais esqueceremos.
Não garanto que tenha sido assim. Mas foi assim que me pareceu.”

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Voos desconhecidos



Decisões muito pensadas. Planos raciocinados ao extremo. Para que nada seja inesperado. Como se um passo em falso nos faz cair num precipício sem volta.
O conforto do premeditado. Contempla-se um infinito número de futuros no presente e o presente acaba por se desvanecer nos futuros. A surpresa nunca vem porque foi sempre questionada.
E quando chegamos a uma meta sem termos feito mais planos? E as coisas começam a acontecer sem avisar, sem termos premeditado?
Subitamente estamos sem chão. O melhor é que aprendemos a voar. E podemos descobrir um céu que nunca pensáramos que existisse.

sábado, 22 de maio de 2010

Amor racional



Há uma altura na vida em que se passa a procurar coisas diferentes nas pessoas que nos rodeiam, naquelas que vamos conhecemos.
Quando se procura alguém que nos faça feliz para sempre os requisitos também vão mudando. A paixão extrema aquando do primeiro vislumbre é coisa de adolescentes? Quando crescemos damos mais valor ao que se vai construindo? A aparência deixa de ser essencial e começa-se a pensar em estabilidade? Resumindo, ao ficarmos mais velhos ficamos mais racionais e somos mais (ou menos) exigentes naquilo que queremos que alguém nos acompanhe?
Os padrões mudam, nós mudamos, os outros mudam. Apercebi-me que agora procuro algo que não me passava pela cabeça há uns tempos atrás. Ou antes, já não procuro aquilo que procurava há uns tempos atrás. Estarei a resignar-me ou simplesmente acordei do conto de fadas onde o meu príncipe pode ter caído do cavalo branco ou simplesmente nunca ter ocorrido a transformação do sapo?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

The same old one



Queremos parecer de uma certa forma. Agradáveis, bonitos, simpáticos, afáveis. Outras vezes fazemos questão de parecer exactamente o oposto. Porque nos dá mais jeito que determinada pessoa nos ache antipáticos, convencidos, macambúzios.
Outras vezes só “mostramos” metade daquilo que somos. Simplesmente porque achamos que determinada pessoa só gosta (gostará) de nós com as nossas (potenciais) virtudes. É preciso coragem para nos “despirmos” e sermos nós próprios, com todos os nossos defeitos ou lados lunares.
Muitas vezes escondemo-nos em falsas falhas ou intuições.
Mas muitas vezes somos genuínos, pelo menos naquele momento. E quem nos conhece, convive com connosco, sabe que o estamos a ser. Não nos julga, não nos trata de forma diferente porque acha que mudamos, não nos fala da mesma maneira porque na cabeça deles estamos diferente.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Amar para todo o sempre



Houve uma altura em que me apercebi que havia pessoas que eu gostava muito que acabavam por desaparecer da minha vida. Sumiam-se devido a um ponto de viragem nas vidas delas que tiveram que se distanciar espacialmente, emocionalmente.
Apercebi-me que se não me tornasse tão próxima de pessoas que me pudessem dizer adeus e nunca mais olá tudo seria mais fácil e o duro sofrimento não me tornaria a visitar.
Distanciei-me, tornei-me menos eu e simplesmente uma pessoa com quem podiam falar mas não mostrava muita intimidade. Quando era a minha vez não continuava com o meu lado pessoal e dizia o que qualquer pessoa e senso comum acreditavam. Acho que me tornei mais fria.
Mas a amargura não desapareceu. Em vez do sentimento de perda de alguém sentia que me estava a perder a mim. Não era aquela pessoa sorridente que as pessoas conheciam.
O distanciamento só me veio provar que independentemente de as pessoas terem que deixar de fazer parte da minha vida eu continuava a gostar e lembrar-me delas, mesmo sem falarmos, mesmo só pelas óptimas recordações.
Arrisquei mais e deixei-me soltar. Sem medos, sem preocupações. E agora deixo-me levar. Independentemente do que possa acontecer um dia porque há momentos que valem a pena por si só, sem pensar no futuro. Mas também há momentos que por mais que tenhamos gostado de alguém a temos que a deixar ir. Porque sabemos que o que virá somente irá desvanecer o bom que foi. Faz sentido que assim seja.
Quero que as pessoas que façam parte da minha vida o façam eternamente. Se houver uma vida futura quero que elas permaneçam. Mas, às vezes, há pessoas que tanto surgem como desaparecem num suspiro e nos deixam sem fôlego para todo o sempre. Estas também permanecerão connosco indelevelmente.

domingo, 9 de maio de 2010

Porque não é só de futebol que é feito o desporto



Não vou falar do Benfica. Toda a gente o fará. Alguns com egos gigantes outros com ele ferido.
Falarei sim de ténis. Final do Estoril Open. Fantástica.
Umas palavras para o Montanez: “Aproveita os milhares de euros para arranjares os dentes”.
Parabéns Frederico Gil. A força física, psicológica, o acreditar até ao fim.
Fiquei ainda mais surpreendida com este desporto. Tenho as unhas desfeitas mas os inúmeros cerrar de punhos valeram a pena.
Gosto de torcer pelo meu país e não só no mundial de futebol.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

As inseguranças voltaram



Estou a fazer vudu para que desapareçam rapidamente