segunda-feira, 25 de outubro de 2010

You’ve got mail



Adoro receber cartas. Adoro o romantismo associado às cartas.
Estou sempre a espreitar o carteiro.
Entusiasmo-me a ver o remetente, a rasgar o envelope, a desdobrar cuidadosamente o conteúdo…
Infelizmente não recebo tantas como gostaria. As contas e a publicidade são quase a totalidade de um meio que não acho antiquado de todo.
Gosto também de as enviar. Tenho pena é que os selos tenham perdido o formato com bordos picotados. Para mim perderam o carácter.
Em miúda, lembro-me de ter conjuntos de escrita de cartas com envelopes e papel a condizer com motivos florais, coisas de menina prendada, e adorava-os. Escrevia às bonecas, aos desenhos animados… A carta ao Pai-Natal é que teve uma época muito restrita. Fazia-me confusão sobrecarregar de trabalhos um velhote fofo que deveria passar o Natal tranquilamente.
A minha paixão chegou a tal ponto que até já quis trabalhar num posto dos correios. Mas depressa desisti porque as cartas não seriam para mim e não podia ter o prazer de as abrir, de lhes dar a capacidade de me surpreender.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Descubra as diferenças



Toda a gente que me conhece sabe que eu encontro semelhanças entre pessoas muito diferentes.
Melhor, acho muito parecidas, e chego mesmo até a confundir, pessoas que aos olhos dos outros são muito diferentes.
Vejamos o exemplo típico do Brad Pitt e do Tom Cruise. Agora já os consigo distinguir mas já me foi muito difícil.
Neste momento as visadas são as fantásticas atrizes Julianna Margullies e Brooke Shields.
Acho-as parecidas e não só no talento, o que vou fazer?!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Distância



Pode ser relativa.
Estou distante de muitas pessoas que considero muito presentes.
Posso estar perto de alguém e estar muito distante.
Aproximei-me de pessoas depois de estar longe fisicamente. Mesmo depois de ter convivido imenso tempo com elas, agora que estou longe, sinto-as mais próximas.
Há pessoas que sinto longínquas. Foram/estiveram muito próximas mas a distância afastou-as.
Até mesmo a olhar nos olhos posso sentir a distância. Porque simplesmente escolhemos que fosse assim mas não ousamos dizer.
E o amor à distância?
Há quem diga que se for mesmo amor este suporta tudo e pode até mesmo ser fortalecido.
Comecei a pensar como era antigamente, sem telemóveis, nem internet. As mulheres dos baleeiros podiam estar mais de três anos sem notícias dos maridos e teriam muita sorte em receber alguma carta neste espaço de tempo. E o mesmo com os soldados que iam para a guerra. O certo é que a chegada era muito festejada. Será que sempre? As histórias contadas têm sempre finais felizes (agora com os telejornais não é bem a mesma coisa).
Será que hoje em dia pode ser assim? Não contactar com o(a) seu(a) amado(a) durante anos é impensável. O estranho é que o nível das relações não pode ser também comparado. E as distâncias entre pessoas que vivem na mesma casa podem ultrapassar os vários quilómetros. Seria de esperar que com todos os meios que “encurtam as distâncias” essas não se tornassem maiores. A realidade não é bem essa.
No fundo, só interessa saber a que distância está o alguém que está no nosso pensamento. Nele a distância anula-se e será alguém sempre presente. Pelo menos em nós.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Desejos



Hoje apetece-me andar de comboio.
Uma viagem de duas ou três horas, não mais.
Sem destino.
Para olhar pela janela, para observar tudo à volta.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nem de propósito



A minha mãe quer que encha o carro novo com mil e um “adereços” contra a má-sorte, mau olhado, protecção divina, etc.
Mas hoje enquanto ia a conduzir e exactamente enquanto pensava nisso não é que o vidro não queria fechar?! Foi um sinal?! Será melhor não correr riscos nem com vidros com a mania que podem fazer o que lhe apetece (raio de coisas electrónicas sempre a avariar).

Vou ter mesmo que lhe fazer a vontade porque se algo acontecer (três vezes na madeira) a culpa não seja atribuída à falta de consideração. Mas vai ter que estar tudo bem escondidinho porque gosto pouco de coisas penduradas e desarrumadas num carro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Supersticiosa?



Não gosto de superstições mas ao mesmo tempo fico com apreensão de arriscar.
Não me importo de passar por baixo de escadas, os gatos pretos são-me indiferentes, já parti um espelho… Não considero que tenha ficado azarada.
Mas quando estou à espera de alguma coisa importante tenho receio de falar nela enquanto não tiver a certeza. Fico ansiosa e quero guardá-la mas a possibilidade de não acontecer deixa que as dúvidas apoderem-se do estado. Enquanto espero acabará por chegar. E se for positiva a alegria de contar será maior.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Riscos



Às vezes a coragem para arriscarmos pode partir dos outros.
Quando todos os que gostam de nós nos encorajam para determinada realidade é porque pensam que somos capazes. Mesmo que depois se revele um fracasso fomos arrojados o suficiente e a experiência terá valido a pena nem que tenha sido somente para sabermos, nós próprios, a não duvidar daquilo que estamos aptos. Para nos conhecermos melhor.
Resta-nos acreditar e aventurar-nos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Previsível



Gosto de clichés.
Gosto de comédias românticas porque sei sempre como acabam.
Ando a ler um livro sobre o amor impossível de um padre com uma mulher mais nova. E estou a adorar. Gosto da linguagem, do espaço, e a história só pode terminar de duas formas. É a típica narrativa do amor impossível mas ainda vou à procura de figuras de estilo, de pequenos apontamentos que fazem prever o desfecho, ainda me entusiasma.
Gosto da pressuposição. Não gosto de grandes surpresas. Não sei reagir.
Sinto-me mal com a estranheza e não me dou bem com a indefinição do amanhã.
Suponho que seja um defeito.
Ou então ainda não fui (agradavelmente) surpreendida para mudar de opinião.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Teorias da Conspiração



Estou com a sensação que estão a tentar dar-me a volta. Começou com um pedido de uma coisa minha mas aquando de um aprofundar (subtil) do objectivo não obtive resposta.
Costumo ter razão nas desconfianças afinal porque não há fumo sem fogo mas não quero acreditar porque tenho muita consideração por esta pessoa.
Acho que vou pegar na minha imaginação e inventar qualquer coisa para descobrir o que exactamente se passa. Não aguento ficar na dúvida. E acho bem estar enganada porque detesto que façam de mim parva!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Silent Day



Estou de poucas palavras. (As aftas não ajudam.)
Nem escrevendo elas surgem.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Síndrome da Segunda-Feira



Apesar de esta semana ter um cheiro a sexta-feira continuo de mau-humor.
Por nada em especial. Porque sei que é segunda…
Será geral ou a segunda-feira está mesmo destinada a ser um ódio de estimação? Afinal as coisas boas também podem acontecer a este dia e as más nos outros todos…
O bom é que fiz tudo o que queria e tinha mesmo que fazer e em menos tempo do que previa.
Acho que sou mesmo eu a implicar… Há dias assim… E se é para implicar contem comigo, principalmente se for segunda-feira.

domingo, 3 de outubro de 2010

Pactos



“Daqui a um ano, se continuarmos sem ninguém, tentamos nós.”
Sempre que oiço algo semelhante penso se seria capaz.
Pressupondo que se tratam de amigos, as amizades que “evoluem” podem ser perigosas. As coisas podem nunca voltar a ser as mesmas e não necessariamente acabarem melhor. É certo que nunca saberemos enquanto não experimentarmos mas é inevitável pensar que não queremos nunca perder o que temos com alguém que é tão importante para nós. Tornarmo-nos namorados de ex-amigos é mais doloroso e comum do que ser-mos amigos de ex-namorados. Valerá a pena sacrificar um pequeno amor por grande amizade?
E se afinal aquela pessoa sempre lá esteve porque é que nunca aconteceu? Teremos que impingir ao destino para que ele se sentenceie e decida a favor daquilo que nem nós temos a certeza, de que duvidamos?
Outra questão importante é darmos um limite a nós próprios para “encontrar o príncipe”. Com isso, deixa logo de haver um curso natural das coisas, com o seu tempo próprio, sem pressões nem pressas.
A palavra resignação não me sai da cabeça. Estaremos a acomodarmo-nos quando deixamos ou simplesmente desistimos de procurar? Estaremos a contentarmo-nos perante o desalento ou tudo se resume somente à coragem de querer arriscar?

sábado, 2 de outubro de 2010

Florence & the Machine





Adoro-a mas esta música em particular contagia-me. Faz-me mexer, irremediavelmente.
Há dias que armo-me em bailarina contemporânea (influências do programa do Achas que Sabes Dançar) e salto, os braços soltam-se, a cabeça move-se estranhamente. A distinta coreografia é sempre diferente mas o sorriso apatetado é constante.
Não ligo à letra e limito-me a fluir. Sabe-me mesmo bem!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Despedidas



Hoje apercebi-me que as despedidas são todas difíceis.
Mesmo quando estamos longe e sabemos que alguém se vai mudar para mais longe.
Inevitavelmente vem à memória a despedida física que já aconteceu, aquele abraço que sufoca de um modo afável, aquele sorriso a conter as lágrimas que teimam em soltar-se. Mas por telefone ainda não é possível abraçar.
São ditas coisas que nos ficarão para sempre no coração, são revistos momentos, “as melhores coisas que me aconteceram”.
Gosto muito de ti I.. Nestes momentos as palavras custam a sair-me e serão sempre poucas para declarar toda a minha amizade mas sei que sabes tudo o que sinto. Resta-me desejar a sorte que eu sei que já está “instalada”.
Obrigada por tudo.
E, meus amigos, sejam ainda mais felizes!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pintado em tons de dourado



Começou a chuva. Fico junto à janela com vontade de me molhar. Estico o braço e as gotas batem-me nas mãos, frias.
Como eu adoro o Outono.
Enlouqueço com as cores.
O dourado das folhas que vão aparecendo no chão, o começar a pensar nos casacos, o sentir o peso do cobertor na cama, as botas em vez das sandálias que dão muito mais jeito para chapinhar com a chuva que já dura o dia todo…
Tenho que comprar um guarda-chuva. Já ando a dizer isso há algum tempo. Sou muito cautelosa e mesmo quando o sol esteve forte me lembrava do ventinho bom a despentear levemente. Pode ser que com a minha tenção de sentir o orvalho na pele, na face, me esqueça por mais algum tempo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Cara amiga Sata




Agora que viajo menos é que se lembra de facilitar as coisas.
Podia ser amiguinha e contratar-me para um estudo de mercado. Respondo a todos os questionários (podem ser dos intermináveis) se me puserem a voar. Nem precisam de se incomodar com a classe executiva. Sou vossa cobaia à vontade, com o maior dos gostos!
Atentamente,
Alguém muito ansioso para experimentar este novo serviço.


 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Não seria mais lógico?



Nunca gostei muito daqueles jogos de lógica onde se tem que “descobrir” o próximo da sequência.
E eu sou assim: quando não gosto, ou sou pior em qualquer coisa torno-me ainda mais teimosa a fazê-la para conseguir faze-la bem. Desde a primária com uns rabiscos para treinar a mão antes de aprender a escrever que me lembro da minha obstinação.
Do nada, o outro dia, provavelmente ainda uma reminiscência do trauma, dei por mim a pensar que se temos a sequência ”pequeno-almoço, almoço” o que vem a seguir é o grande-almoço.
Certo? Natural e obviamente! Não!!! Porque o português gosta de complicar. Até mesmo na temática semântica-gramatical.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Piercing gengival



Descobri há pouco tempo. Fiquei perplexa e com a sensação associada aos velhotes “o que irão mais inventar?!”.
Ao investigar mais um bocadinho descobri que há variantes.  Afinal há mesmo gengival, nas papilas mais propriamente, e nos freios. Só gostava de saber se quem os coloca (nos estúdios da “especialidade”) se retrai a ir ao dentista sem estar receoso do barulho, da picada da anestesia, do saber que poderá tirar um siso…
Não gosto, acho que não fica bonito, não recomendo e é lesivo. Mas até os famosos já aderiram: “que exemplo!”.

sábado, 25 de setembro de 2010

Jazz



Só há pouco tempo é que descobri que não gosto de música jazz. Fazia-me imensa confusão porque acabo por gostar de todos os estilos mas este nunca me cativou. E ao longo dos anos nunca aprendi a gostar. Ainda me esforcei.
Não gosto de improviso!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A culpa é do youtube



Nesta semana que está  a passar muito lentamente há uma publicidade que me arranca sorrisos. Já estou farta de a procurar e não consigo encontrá-la em lado nenhum na net!
Agora, no intervalo da novela, estejam muito atentos ao anúncio do Volkswagen Sharan. A estrela principal é um cão espertíssimo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cumplicidades



A minha melhor amiga da primária vai casar.
Enviou-me o convite e instantaneamente comecei a pensar nos momentos deliciosos que passamos juntas.
A primeira foto de turma. Ela com um ar decidida e eu tímida embora a mini-saia não o fizesse transparecer. Era a minha mãe ainda que me escolhia a roupa e aquele conjunto também trazia uma boina a condizer. Eu, que gostava de manter o low profile e porque não conhecia ninguém que usasse boina, recusei-me a usá-la. Lembro-me de mais tarde encontrar num baú a camisola e a saia com sinais óbvios de bastante uso e a boina azul-marinho sem o mínimo sinal de ar.
Éramos as duas as mais baixinhas da turma. Partilhamos a carteira, a primeira, mais junto ao quadro. Esta era ainda de madeira, inclinada, com o banco junto. Colocámos as mochilas no meio de nós as duas nos primeiros tempos, afinal éramos desconhecidas e antes de sair de casa repetiam-me para não falar com desconhecidos, mas depois passaram para o chão porque nos tornámos inseparáveis.
Ela tinha tudo a condizer e com um tema. O estojo, o lápis, o afia. Naquele primeiro ano era o rei leão. Tínhamos em comum o amor por aquele filme.
No recreio tínhamos um castelo. Eram num canto, umas pedras com formato de trono. Dividíamos o reinado entre nós, democraticamente. Um dia uma era a rainha, no outro a princesa. E havia um príncipe. Uns dias figurado porque o futebol parecia-lhe mais interessante. Chamava-se Nuno. Era o mais alto da classe. Tinha uma paixoneta por mim mas, mais tarde, acabou por namorar com ela. Houve um dia que brincamos à bela adormecida e ele foi mesmo o meu príncipe. Dependendo dos dias da semana levávamos bonecas. Eram as nossas filhas ou irmãs. As outras meninas quando nos pediam para se juntar a nós eram as nossas aias.
Deixamo-nos de falar vezes sem conta. Amuamos. Fizemos planos juntas. Coleccionamos trevos de quatro folhas e secamos-lhos nas páginas dos livros.
Passaram-se tantos anos. Para ela continuo a ser a loirinha e para mim a baixinha adorável, com uma personalidade que transborda para além da sua altura.
E agora vai casar. Já conheci o noivo e pareceu-me perfeito para ela. Pressinto que vão ser muitos felizes!
Muitas felicidades miga*

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Trilhos



Nos últimos tempos tenho ouvido demasiadas vezes que o que importa não é a meta, a chegada, mas sim todo o caminho, o percurso para lá chegar.
Por isso ponderamos por que vereda nos dirigir. Se só nos interessasse o final escolhíamos o mais fácil, o mais rápido, o mais curto, o sem menos percalços.
Mas não é na meta que esquecemos tudo o que ficou para trás? Ninguém tem fotos a escalar uma montanha, só no cimo! Porque ninguém se quer lembrar da dor, do sofrimento, da angústia até lá chegar. E para descer não necessitamos de tudo o que aprendemos? De reconhecer os caminhos mais fáceis, menos enlameados.
Resta saber se escalaríamos a montanha se soubéssemos que no cimo não iríamos respirar aquela neblina e vista de calma que nos faz sentir mais vivos e no topo do mundo. Para fazer um percurso não necessitamos de um incentivo que nos leve ao topo e não nos faça desistir no meio do caminho?

sábado, 18 de setembro de 2010

Despertares



Qual o limite entre a ambição e a necessidade?
Podemos ser desmedidamente ávidos que nos arriscamos a perder algo que sem o qual não sobrevivemos.
Qual é a altura ideal para deixar de sonhar e acordar? Afinal acordar é a realidade. Mas seria esta a mesma se não a idealizássemos?
Poderemos deixar o sonho comandar a vida e este a destruir?
Afinal o despertador é nosso amigo? Ou só serve para nos interromper os sonhos e com isso dar-nos liberdade para os continuar após o acordar?