Ando numa fase zen, calma descontraída mas há dias em que a cabeça fica pesada com tantas coisas a pairar. De um lado para o outro, de importância relativa, tanto para pensar.
Hoje é um destes dias. Até o estômago anda às voltas.
Espero que a sensação vá como veio, rapidamente.
Era tão bom o cérebro ter um botão de Off ou pelo menos stand by.
Ultimamente tenho conhecido algumas pessoas mais velhas, com idade que podiam ser meus avós.
Os meus avós morreram quando eu era muito pequena, não me lembro deles, pelo que nunca tive uma relação do género. Acho que me fez falta mas não podia mudar nada.
O certo é que agora tenho criado uma empatia enorme com elas, as conversas deliciam-me.
Não falo só de trabalho, não respondo só às questões que todos me fazem. Não falo do tempo, de trivialidades.
Contamos histórias, falamos de coisas sérias, rimos, sem pressas. Tratam-me como igual As experiências acabam por ter a mesma relevância. Não parece que somos de gerações tão diferentes, que as realidades de nós jovens fossem tão distantes.
Entristece-me que só agora tenha descoberto esta sensação enriquecedora, mas se calhar só agora é que consigo dar-lhe o devido valor.
Numa pausa de meio da manhã, a comer iogurte lembrei-me: não era bom ter uma bolacha em forma de colher? Não podia amolecer rapidamente, podia ir largando um sabor ao iogurte, café, não podia era sujar as mãos. Do género do cone de gelado mas com uma sabor mais agradável…
Até que ponto “os pólos atraem-se” funciona numa vida em comum?
Conheço um casal que são exactamente opostos. Estão casados há alguns anos e vão ter um bebé dentro de pouco tempo.
Ela queixa-se de tudo. Resmunga do tempo, da espera, da vida, de tudo. Nunca está satisfeita com nada, raramente dá uma gargalhada sentida.
Ele está sempre a sorrir. É despachado, comunicativo, resolve tudo sem ficar a remoer no problema.
Não imagino o quão exaustiva deve ser uma vida assim a dois.
O certo é que eles parecem entender-se e a coisa lá vai funcionando. A mim, que estou de fora, faz-me confusão que os ambos não se deixem influenciar pelo estado de espírito do outro.
Ambos completam-se mas as diferenças são enormes e não se anulam. Ou será que o amor anula todas as diferenças mesmo que elas estejam sempre presentes, constantemente?
A propósito de uma composição de francês para a minha amiga Só Sedas comecei a escrever sobre a minha terra.
É a minha visão, restrita, íntima. Verdade aos meus olhos. Hoje mas muito da minha infância. E tal não se resume só a isso.
Há quem confunda o sotaque açoriano com a língua francesa.
Sou dos Açores e posso corroborar que as semelhanças são ilimitadas.
Talvez tal se associe ao Pauleta ter imenso sucesso em França e, ao contrário do sotaque espanhol do Ronaldo, o dele ser bastante perfeito.
Sou da ilha do Pauleta, S. Miguel. A maior das nove, a ilha verde. As ilhas têm cores. Diz-se que vistas de cima, do ar, têm determinada característica que lhe confere tal cor. Foram-lhes atribuídas aquando da sua descoberta mas nunca percebi como é que numa época de barcos e naus, não de aviões, se conseguiam ver as ilhas de cima.
Falo no gerúndio sem terminar as palavras até ao fim. Somos tímidos, falamos com a boca fechada e com os lábios contraídos como se fossemos dar um beijo. Apelidam-nos de distantes, temos um bocadinho essa personalidade enquanto não conhecemos. Logo que possa confiar deixo-me levar.
Estou habituada aos outros virem passar férias na terra onde vivo. Convivo com as máquinas fotográficas a tiracolo, a flashes que tentam reproduzir algo único mas que já não me apercebo da sua presença. Arrepio-me com as t-shirts dos nórdicos no Inverno, não habituados ao clima imprevisível de chuva de manhã e sol à tarde, de humidade sufocante e ventos propícios a ondas pouco favoráveis a banhos.
O mar é visto de qualquer lado para onde nos viremos. O azul com rebentação branca contrasta com a areia escura. Basalto, usado tanto na calçada como em jóias. As piscinas naturais são cuidadosamente esculpidas com o escopro precioso na mão das marés temperamentais.
As paisagens verdejantes são pintalgadas por branco e preto. As vacas guiam-se pelo seu próprio destino. Nos planaltos, nos vales, nas pastagens, nas ruas interrompidas pela sua pachorrenta marcha. Interrompem também quem por ali passa, desaceleram a agitação.
As lagoas têm lendas que se contam aos netos na porta de casa, abertas, com a chave do lado de fora, para que comam a papa toda do lanche, para que se distraiam.
Os vulcões expelem água fervilhante onde são confeccionadas refeições para famílias inteiras que piquenicam ali mesmo, à sombra do verde, no cheiro a enxofre, no colorido das hortênsias e azáleas que nos guiam através de vales tortuosos, onde os mapas pouco ajudam a desorientação de quem navega pela primeira vez.
Não estamos parados no tempo, imbuídos na nossa solidão. Temos um passado de isolamento que nos faz ter a independência e subsistência como valores.
Gosto do olhar surpreso de quem me visita. De quem não estava à espera do resultado. De quem se surpreende a cada passo, a cada olhar, em cada direcção. Não me canso de pensar que as palavras não conseguem ser fiéis à realidade.
Estou sem TV, sozinha, numa casa que não é minha. Dá sinal mas não a consigo ligar, se calhar não sei como se liga… On/Off, Power, mudar de canal, desligar da ficha, nada funciona.
O silêncio ensurdece-me. Tive que ligar o computador e por música.
Vai ser um domingo diferente.
Adivinho que vou acabar o livro que comecei ontem e não me parece um mau plano.
Se calhar vou passear e sentar-me naquela pracinha amorosa sem me importar que toda a gente que passe me olhe como “a turista”.
Talvez veja um filme que tenho aqui no computador que já anda por cá há muito.
Talvez ligue a toda a gente que estou em falta, para por a conversa em dia, para ouvir vozes de que sinto falta.
Se calhar só aproveitarei a folga que muito provavelmente os próximos dias terão horas extraordinárias.
Talvez não faça nada disso e improvise, deixe-me levar…
É engraçado que sempre vivi perto de escolas secundárias.
Já me diverti a ver os casalinhos, os grupinhos de amigos com a mania que são espertos, os nerds, os emo (teve que ser o meu mano a explicar-me esta variante que desconhecia), as moranguitas, eles com jeitos de lançar de cabelo para trás… todos aqueles que nos lembrámos que já existiam na nossa altura.
Mas ultimamente ando com pouca paciência para os comentários e olhares quando passo por eles. Bem lhes podia gritar para crescerem, mas todos sabemos que não resultaria porque é mesmo atenção que eles(as) querem, tudo vale para se afirmarem. O alarido seria maior e uma tremenda perda de tempo e latim.
Estarei a tornar-me uma adulta chata ou simplesmente sem pachorra para aturar a idade da parvalheira dos outros? (Aposto na segunda hipótese!)
“Um dia destes ouvi alguém, uma mulher, comentar que somos umas víboras umas com as outras. Julgo que isso já não é verdade. As mulheres inteligentes, e não creio passar por pretensiosa se me incluir entre elas, já deitaram por terra esse lugar-comum, que fazia com que as nossas avós, e quem sabe também algumas das nossas mães, acreditassem que o perigo e o inimigo eram as outras mulheres. Divide e vencerás. Durante séculos vimos em qualquer mulher a rival que podia tirar-nos tudo, quando esse tudo se reduzia, na realidade, ao marido e, por isso, à nossa subsistência. Mas desde que começámos a trabalhar ombro a ombro, parece-me que todas nós vamos descobrindo até que ponto isso pode ser agradável e eficaz. E avançámos com passos de gigante. Sem pretender, evidentemente, excluir os homens, com quem seria óptimo poder trabalhar e colaborar em igualdade de condições…”
Nada como um casamento real para fazer sobressair o nosso romantismo.
Estamos programadas para nos comovermos nestas situações, nestes contos de fadas e princesas. Modernos ou antiquados, de cavalo branco ou helicóptero…
Adorei a simplicidade, o vestido, as árvores na abadia, ele a não poder olhar para ela a encaminhar-se para o altar e o Harry cúmplice a denunciar, as mãos trémulas, os sorrisos torpos, os elegantes irmãos padrinhos, os pajens e meninas das flores fofissímos…
Polémicas aparte, como os preparativos já enjoavam mas confesso que me fez suspirar. E que sejam muito felizes, pelo menos para sonharmos um bocadinho.
Porque a maravilhosa MEO que até agora só me tinha dado alegrias resolveu me desiludir. Além de demorarem a ligar não é que levei dois dias mais de duas horas em cada um ao telefone com os técnicos! E ainda veio um técnico cá a casa! Após imensas tentativas, muita espera, está ligada mas a recepção é uma merd@! Apesar do sinal excelente fico com recepção dois segundos e depois leva um minuto a recuperar. Resultado: nem actualizar o anti-vírus consigo. Já estou mesmo a ver o tempo que vai demorar a publicar este post…
Estou fula, já estive bem mais no entretanto. Mas cheira-me que esta querida amiga não vai durar muito. Vou-lhe dar uma oportunidade mas se não me convencer…
Com tudo isso já tenho os conhecimentos todos para prestar assistência técnica à querida operadora. Foi tanta repetição que apesar de não perceber nada de informática já sei os passos todos. Tantos “obrigado por ter esperado”, pessoas simpáticas, outras menos ou nada mesmo…Ligar e desligar cabos até ficar com muita vontade de enfiar os cabos no nariz de alguém, confirmar 500 000 vezes a password porque teimavam que a culpa era minha dela não dar…
Todas as quaresmas tento fazer alguns sacrifícios. Quase sempre relacionados com a gula. O meu principal pecado são os doces, o chocolate então… Não tanto a carne como era antigamente proclamado…
O certo é que tento, resultados já é outra coisa. Sou gulosa gulosa e o vício não escolhe temporadas.
Normalmente lembro-me quando a delícia já está a terminar e já lambo os lábios.
O meu mano chega amanhã. Vem passar as férias da Páscoa.
Já estou com imensas saudades.
Na idade da parvalheira éramos muito distantes mas depois tivemos que morar os dois sozinhos, numa cidade bem longe dos pais.
Tentei não fazer de “mãezinha”, confesso que houve vezes que não foram bem sucedidas (eu tenho a mania do controlo). Aproximamo-nos imenso, acho que nos tornamos mais cúmplices, com uma relação daquela que acho que todos os irmãos devem ter. Acima de tudo tentei orientá-lo em todas aquelas coisas novas, onde me senti bem perdida no início, mas só lhe dando algumas noções, para que ele pudesse ver, aprender, fazer, por si próprio.
Custou-me imenso termo-nos que separar outra vez. Apesar de falarmos imenso, rirmos de coisas parvas só nossas, não é a mesma coisa.
Farto-me de rir com as coisas que ele faz/omite aos meus pais mas que comigo ele engasga-se, não consegue esconder. Coisas sem importância, das “próprias da idade”, que ele sabe que não farei problema.
Estou em pulgas que chegue amanhã. Mesmo que depois passe as férias todas fora, como costume, com os amigos, porque tem que revê-los.
E vou mimá-lo. Também vou querer mimo e sei que vão ser uns ótimos dias.