segunda-feira, 17 de junho de 2013

Verbal


Todas as minhas ações passam e repassam na minha cabeça.

Penso demasiado, sempre pensei. Tenho conseguido, nas coisas menos importantes, ser mais impulsiva. Mas as decisões são sempre demasiado ponderadas.

Só quando as verbalizo é que se tornam reais e consigo perceber a sua importância. Antes poderiam ser somente devaneios numa noite de insónias que se desvanecem junto com o amanhecer.

Mesmo assim, o que seria uma ótima revelação para a realidade torna-se assustador: há mais alguém que sabe como me sinto, não desvanecendo os medos que até à altura podiam ser fruto da imaginação.

domingo, 16 de junho de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

Em Construção


Sempre tive vizinhos barulhentos.

Se não é o bebé e a mãe aos berros, são obras.

E se aqui pensava que ia ser diferente dado que o som que normalmente me acorda varia entre os sinos ou os pássaros, todos os sábados às 8h o meu vizinho começa com marteladas ou serras.

Só espero que a garagem/churrasqueira termine rapidamente dado que têm-me assaltado insónias de fim-de-semana.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Utilidades


Sempre anotei algumas ideias que poderão originar posts.

Anoto-as num caderno, como rascunho no próprio blogue, mas agora, bem mais frequentemente no telemóvel.

Nele aponto mais coisas: lembretes, músicas que gostei e tenho que juntar à playlist, os dias de recolha do lixo...

Coisas úteis.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Crítica


Acato bem críticas.

Talvez até lhe dê demasiado valor.

Só não suporto críticas e conselhos de alguém sem o conhecimento de causa. Sem saber do que se trata.

Falar é fácil.

À distância do acontecimento então, muito fácil.

Não nos colocar na pele do outro e pensar numa reação fantasiosa, facílimo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Prevenção Rodoviária


A forma de prevenção rodoviária que melhor funciona comigo é saber de algum acidente grave.

Nos tempos seguintes sou mais cautelosa a relembrar o susto dos outros e o quanto se pode sair magoado (e magoar outros) de um ato tão natural.


terça-feira, 11 de junho de 2013

Resolução Rápida de Dilemas


Há sempre situações que uma vez escolhidas eliminam umas tantas opções que foram ponderadas.

E se houve alturas em que me dilacerava pensar que estaria a perder algo em detrimento de outra, magicava se haveria outra solução para poder ter acesso às duas, hoje não complico: o que não tem solução remediado está.

Há simplesmente acontecimentos e escolhas que anulam um vasto leque de probabilidades mas que podem dar origem ao inesperado. E este pode ser surpreendentemente maravilhoso.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pensamentos Atrasados


Passei imenso tempo a pensar em ti.

Como gostei de ti, como estarias agora comigo, se poderíamos ter voltado àquele momento que não consigo situar no tempo.

Mas para quê?

Se estás longe e eu estou longe. (Talvez não só fisicamente.)

Não era prático nem funcional. As nossas vidas agora não encaixariam.

E se o meu romantismo queria acreditar que faríamos com que resultasse, indo eu ter contigo, ou para um sítio novo, saindo daqui para estarmos juntos, também porque este local cada vez me sufoca mais, sei que estamos tão diferentes daqueles dois que fomos.

Pensei demasiado tempo. Tempo perdido, pensamentos inúteis.

domingo, 9 de junho de 2013

Lazyyy


Ultimamente os domingos têm voltado a ser como quase sempre foram: de preguiça e de um descanso prolongado e languido.

Há uns que desfruto, outros fico com o peso na consciência de tanto que podia ter feito.

O que vale é que amanhã ainda é feriado.

sábado, 8 de junho de 2013

Poker Face


Às vezes não podemos mostrar logo o jogo todo.

Há que analisar as jogadas e o adversário primeiro. Ser pacientes e espertos.

E desconfiar do bluff.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Ver o que se Quer Ver


Do passado há quem se lembre só das coisas boas. Outros, só as coisas más.

O certo é que ambas existem e fazem parte do passado de todos.

Está na forma de encarar a vida, na forma otimista ou pessimista de cada um.

Ou simplesmente querer ver somente o que interessa.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Fome


Ver blogues de culinária enquanto se prepara o almoço e a morrer de fome transforma-nos num cão pavloviano.


sábado, 1 de junho de 2013

Crónicas (Pouco) Tenísticas


A seguir intensamente o Roland Garros encontrei o Benoit Paire.

Não consigo perceber como é que não me chamou a atenção no Portugal Open. Devia estar mesmo distraída. Ou cegueta.

Os comentadores dizem que tem tudo para ser um grande jogador, tem uma técnica quase perfeita mas ainda lhe falta trabalhar na questão mental tão importante nesta modalidade.

Mesmo assim tem um tipo de jogo que admiro e é descontraído.

O patrocínio da Lacoste podia influenciar porque é uma marca que, na minha opinião, favorece imenso a imagem. Mas mesmo a jogar de hoodie não fica nada mal.

Neste caso a elegância transcende.

Estou aqui a roer-me enquando ele joga com um chinês sem piada nenhuma e a torcer para que ganhe e continue no torneio. Para eu continuar deliciada.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ahahaha & Ehehehehe


Ao longo da vida a minha gargalhada passou por tímida a espalhafatosa, recatada a indiferente...

Tenho reparado que agora anda numa fase goofy.

Pode não ser bonito mas a essência do riso é sempre boa.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Caminho Traçado


Na vida existem escolhas erradas que podem levar a bons resultados e escolhas certas que conduzem a situações desastrosas. Pela minha parte, adoptei a posição de que, na realidade, nunca escolhemos rigorosamente nada do que acontece. As coisas acontecem, ou não, ponto final.

Haruki Murakami

terça-feira, 28 de maio de 2013

Instruções


Com algumas pessoas mais vale fazer do que delegar.

Além de não perceberem à primeira e perdermos quase o tempo todo a tentar explicar, o trabalho não fica como queremos.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Universalidade


O meu facebook é bastante reservado e partilho pouco.

Tenho em consideração as pessoas que aceito como "amigos". Há muitos colegas de faculdade com falei pouco mas mesmo assim estão lá. Há contatos relacionados com trabalho. Há os verdadeiros amigos e família (excepto o mano que continua a não aceitar o meu pedido). Certo é que a aceitação depende do meu estado de espírito mas há certos padrões que não ultrapasso.

Já recebi pedidos de amizade de pessoas que conheço mas rejeitei porque simplesmente não quero intrometido o nariz delas.

Já fiz exatamente o contrário para não haver caras melindradas.

Já houve situações presenciais constrangedoras com alguém que está na rede.

Já recebi mensagens de um sul-americano com o mesmo sobrenome que eu a dizer que gostava que fossemos da mesma família. Não fui confirmar a árvore genealógica mas não preciso de juntar mais loucos à família que já passou da conta.

Amigos loucos de familiares loucos também já arriscaram, sem sucesso.

Grande parte dos pedidos são estrangeiros. Eu já sabia que os meus traços não revelam a minha nacionalidade mas mesmo assim a diversidade é imensa.

É engraçado reparar como as relações humanas mudaram com as redes sociais.

domingo, 26 de maio de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

Pc Crash


E se o telemóvel não foi à vida (ainda) o computador resolveu que era hora de parar.

Durante as magníficas férias fiquei sem ele. Deve ter ficado chateado por não lhe dar a atenção habitual e resolveu amuar. Com sorte lá deixou fazer o backup à pressa.

Certo é que agora que voltei ao trabalho e ele ficou noutra ilha a ver se tem arranjo resta-me o da empresa. Lento, coitadinho.

Escrever aqui numas teclas diferentes e ir buscar imagens ao disco externo não me é familiar e parece que há qualquer coisa errada. But I'll try. Vou resistir à estranheza.

A boa notícia é que já dei notícias e vou tentar por-me a par de tantas leituras virtuais que durante um mês inteiro não foram atualizadas. Trabalho árduo mas certamente prazenteiro.

Voltei ao trabalho, às leituras e às escritas e tenho tantas recordações das férias para intemporalizar.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tec Rehab

 

Há dias a trackball do meu telemóvel deixou de funcionar "para cima". Apontava para baixo e para os lados, cima é que não.

Sendo um dual sim e tendo-o comprado pela internet achei que não me ia safar com apoios técnicos. Mesmo assim fui à vodafone e lá disseram-me que tratavam disso mas teria que ficar, no mínimo, duas semanas sem o telemóvel. 

A minha mente parou mesmo enquanto a menina simpática continuava a falar. Como é que eu ia voltar a ter dois telemóveis? Pior, como é que eu cheguei ao ponto de achar que a minha vida não é a mesma sem tecnologia?

Eu não era assim!

Ainda sou do tempo em que ligava para os meus pais do telefone público da escola e falava rápido para o tempo da moeda não terminar e me cortar a palavra.

E se há dias em que apetece mesmo isolar do mundo a simples possibilidade de voltar estar contatável reconforta mesmo que inconscientemente.

Aflige-me pensar que estamos imensamente dependentes da tecnologia. Viciados até.


A trackball voltou a funcionar perfeitamente depois de uma queda aparatosa.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sons Saudosistas


Há cidades que nos conquistam pela sua sonoridade, pelo seu sotaque.

Tinha tantas saudades de Te ouvir!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Vencer


O meu professor de ténis ensina-me imensas coisas. Aprendo imenso com ele. Não só ténis, mas lições que se transportam para a vida:


Joga sempre com alguém melhor que tu!


Ficamos cientes das nossas capacidades e dificuldades.

Descemos do possível pedestal. 

Há sempre alguém que nos pode superar. Mesmo nós próprios.

Nunca desistimos porque sabemos que não há impossíveis e podemos sempre vencer.

Acreditando sempre! Lutando!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quando a Velhice Chegar


Tenho a certeza que os lares de idosos nas próximas gerações (na minha quando chegar a minha vez) serão completamente diferentes.

 Só consigo imaginar os homens em Playstations e joysticks para combater o Parkinson.

As senhoras falarão sobre decoração e aquecimento global. Faremos compras virtuais e discutiremos os giraços da nossa adolescência.

Não falaremos do Governo. Já todos desperdiçaram imensa conversa sobre assuntos que nunca mudarão.

As partidas de sueca serão substituídas por poker.

Os livros serão ebooks (eu não!) e os quartos terão reconhecimento por voz para apagar e acender a luz e a box da Tv que não servirá somente para gravar. Poderemos escolher tudo, mesmo que não tenha passado. Vamos sempre preferir programas que nos façam lembrar a nossa juventude e não os da tarde, da sra Fátima.

Os andarilhos terão um mecanismo com motor que nos exercita os músculos e as bengalas serão ergonómicas. Os aparelhos auditivos serão invisíveis.

Caminhando a passos largos para um enorme  aumento da população geriática haverão imensas mudanças. E não demorará muito. 

Embora a mentalidade para com os velhos possa (não) mudar.

domingo, 28 de abril de 2013

Não, Não me vou Casar


Na última semana já "me casaram" duas vezes?

Não sei o que se passa.

O que virá aí?

sábado, 27 de abril de 2013

Avançar


Passei pelo meu antigo emprego.

A placa com o meu nome trouxe-a comigo mas queria ver se outra, com outro nome, a estava a substituir.

Continua o espaço vazio.

Fiquei com uma estranha sensação de alívio. Não sei bem porquê porque não me passa pela cabeça voltar. 

Suponho que ninguém goste de ser substituído mesmo por escolha.

Não estou contente com o agora mas o antes é simplesmente passado. 

Acredito que o avançar seja isso mesmo, sem ressentimentos, mas ciente de que aconteceu.

Precisava de lá passar, só para saber. E já satisfiz a curiosidade, não terei mais vontade de lá voltar.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Regresso a um Passado e Presente que quero que seja também Futuro


Os últimos dias têm sido maravilhosos.

O regresso a casa, às minhas pessoas, às minhas coisas, ao meu envolvente...

Tenho estado realmente feliz mas há sempre qualquer coisa que me faz pensar que estou de passagem.

Pequenos segundos que são suficientes para não aproveitar em plenos todas as sensações até ao tutano. Ninguém repara mas eu sinto-o e rasga-me profundamente.

Sempre fui assim. Não consigo aliar-me dos pequenos pormenores que muitas vezes são por mim lembrados, em momentos simples. E só sinto que estão a terminar, já passaram.

Acabo por me abstrair e sofrer silenciosamente mesmo a rir-me quando estamos todos juntos. 

Dou por mim a conhecer pessoas novas e a pensar que não vou estar cá para conviver, continuar a descoberta... A passar por ruas que sei que não são o quotidiano... A ir a restaurantes que gosto e sei que vou lembrar-me tanto das saudades que me vão produzir...

Tenho noção que só me faz mal, que não posso fazer-me isso, porque um dia haverão consequências ainda mais graves.

Não deixo de absorver e aproveitar tudo ao máximo mas com uma sensação estranha...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Liberdade




Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.



Evolução, Antero de Quental in Sonetos

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A Voar


Será um mês de viagens.

De voltar a casa. Reencontrar família, amigos, afazeres.

A uma outra antiga casa. A ruas de uma cidade que será sempre minha. Que guardo tão carinhosamente, invictamente.

Uma cidade nova, luminosa. Com as melhores amigas.

Será um mês de alegria.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sou Antiquada


Não consigo deixar de achar estranho os que correm para o facebook mal ficam noivos e fazem questão de anunciar aos quatro ventos por essa comunidade fora, sabendo que será destacada com ênfase na página dos amigos, para que ninguém deixe de saber.

Modernices...

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Auto-Análise


Não consigo acatar críticas que, para mim, se pressupõem construtivas, de alguém que só refere algo para se destacar. Quando não tem argumentos válidos para contrapor as outras opiniões e razões de estar assim.

Ainda quando alguém só consegue ser crítica em relação aos outros e o seu trabalho é sempre uma nódoa.

Sou a maior auto-crítica que existe. Ponho imensamente em causa tudo o que faço porque quero sempre que fique muito bom, porque sei que sou capaz de o fazer. Muitas vezes sou dura demais comigo. Sendo assim não podia deixar de ser crítica em relação aos outros mas tenho sempre em conta todas as atenuantes, limitações, obstáculos e tecnicidades. 

Talvez só tenha que deixar de pedir opiniões e dá-las, quando solicitadas, sinceramente.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Concentra-te e Faz


Tenho imensas coisas para preparar e fazer até sexta-feira.

Sei que as tenho há já algum tempo.

E se sou uma pessoa que não gosta de adiar para não deixar as coisas para a última hora, para que sejam feitas com tempo e fiquem como devem estar, tal não tem acontecido. Porque sei que não funciono bem com o stress do relógio.

O problema é que as devia despachar para que elas esvoacem da minha to do list mental que está em modo repeat, uma e outra vez, voltando ao início e recomeçando, há já alguns dias.

Se há momentos em que penso que ainda não as fiz é porque pressinto que vai acontecer um imprevisto qualquer que me vai fazer deitar trabalho ao lixo e ter que mudar as coisa quando estas já estão terminadas, há outras que sinto somente a sensação de preguiça e detesto. 

Como os dias têm sido longos e passado lentamente também penso que terei tempo de sobra.

Acho que vou começar a, pelo menos adiantar. Or not.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ouviu?!


Deixo passar disparates que teimam em sair da boca das pessoas. A pensar ou não são palavras pronunciadas logo válidas. Mesmo assim, a grande maioria das vezes, nem me pronuncio.

Até ao ponto que se chega ao extremo da má educação e rudeza.

Aí, como hoje, expludo. 

A pessoa apercebeu-se que vai ter que baixar a bolinha porque aqui a menina carinha de anjo não é nenhuma imbecil. 

E é bom que passe a palavra!
 

domingo, 14 de abril de 2013

Voz de Cachaça


Se há vantagem de estar constipada é a minha voz ficar mais grave.

Consigo cantar notas mais baixas e adoro.

Sempre gostei da rouquidão.

sábado, 13 de abril de 2013

Esgotada




Cansada.

Exausta.

Saturada.

Não consigo ouvir as pessoas. Nem conversar.

Muito menos pensar. Em nada.

Uma semana dura passou. Mais uma para chegar as tão necessárias férias.

Para respirar. Um novo ar.

Estar com os meus. Sentir-me confortável. Acompanhada. Acarinhada. Amada.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pessoínhas


Há outras que nem merecem que se suje as mãos. Ou se gaste a inteligência.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Chuva de Verão


Gosto da chuva de verão.

Quando não há vento e ela cai verticalmente, sem se espalhar em gotículas ínfimas nas janelas. 

Quase silenciosamente, sem se fazer notar.

Daquela chuva em que não nos apetece estar em casa a ouvi-la, confortavelmente com um vidro a separar-nos.

Quando podemos estar na rua e sob ela arrefecemos, refrescamos e molhamos os pés em sandálias sem medo de constipar. E chapinhamos quase descalços.

domingo, 7 de abril de 2013

Simulação de Situações


Por mais que o erro seja desencorajador é na base da tentativa que conseguimos aprender.

A cair. Várias vezes. Mesmo quando parece uma montanha enorme a ser escalada. Barreiras imaginárias.

É a experimentar que ganhamos raciocínio. 

Por mais que seja desconfortável, nas primeiras vezes, desagradável. Depois, vem naturalmente e o que era impraticável torna-se rotineiro. Aprazível. Constante.


sábado, 6 de abril de 2013

Sons da Minha Alma

 

Há dias que não oiço a minha voz.

Quando não trabalho. Porque estou sozinha.

Passo grande parte do dia em silêncio.

Desperta-me do silêncio a música que cantarolo e as minhas gargalhadas por algo que me lembro, que vejo...

Tenho reparado que tenho rido muito mais alto. Talvez para não me esquecer daquele som, da felicidade.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Escrita Inteligente


Quando a resposta ao envio uma sms a alguém que conheço é "quem és?", fico sempre desconfiada.

E depois à volta da resposta do meu nome vem um "Oh desculpa, tive um problema com o telemóvel e já não tinha o teu número!".

Acho sempre que me estão a enganar. Acho sempre que é desculpa.

Posso acreditar que terá acontecido a algumas pessoas (ninguém está livre da rebeldia das tecnologias) mas noutras quem apaga o seu número, de propósito, sou mesmo eu.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Juízos de Traições

 

Não sei como se conheceram, não sei o seu percurso. Encontrei-me com eles poucas vezes. Descrevo o que me pareceu, o que ouvi, o que vi.

Conheci-os quando já namoravam há muito tempo. Provavelmente desde os tempos de escola.

Ele parece tímido mas trabalhar no bar dos pais deve-lhe ter trazido alguma desenvoltura. Ela era linda e nada envergonhada. Dava simplesmente nas vistas, pela personalidade que transparece na beleza exterior.

Ela foi estudar fora. Está no último ano. Quando regressava estavam sempre juntos. A ele só se via nas festas, no café, na discoteca, com ela.

Pareciam imensamente apaixonados. Quando se nota nos sorrisos, nos olhares.

Avisaram-no de uma traição. De várias traições. Ele reagiu impavidamente. Porque, respondeu ele, sabia que ela seria o melhor que lhe ia acontecer.

Vai haver quem lhe chamará nomes feios, que condenará a sua apatia, que o congratulará pelo amor incondicional, que será complacente por sentir o mesmo, que lhe tentará fazer olhar para a situação com outros olhos, que lhe falará de amor-próprio, que compreenderá, que não aceitará, que se colocará na mesma situação e visualizará as suas ações.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Palerma





Tenho uma relação amor-ódio com a Olivia Palermo. Ok, não tão intenso, um meio termo.

Ao mesmo tempo que a acho insonsa, deslavada e sempre com um falso sorriso Colgate adoro o seu senso de estilo. A forma como combina as coisas mais normais e faz sempre um brilharete de tão bem arranjada e sem o mínimo defeito, com aquele acessório certo.

Sempre atual mas numa elegância intemporal.

E o namorado?!

domingo, 31 de março de 2013

sábado, 30 de março de 2013

Waking Up


Já fui acordada:

Pelo silêncio. Pela minha mãe carinhosamente ou assustada. Pelo meu pai a tentar provocar-me um ataque do coração. Pelo meu mano maroto. Pela minha madrinha em surdina. Pelo meu despertador. Pelo despertador de alguém. Pelo toque de alguém. Com um beijo. Pelos gritos histéricos das crianças no recreio. Pelos enredos das vizinhas coscuvilheiras. Pelo martelar do vizinho. Pelas obras de todos os vizinhos. Pelos saltos altos da vizinha de cima. Pelo bebé do vizinho de baixo. Pelos berros da mãe do bebé a tentar calá-lo. Por cães. Por pássaros. Por carros. Por motas. Por motas sem tubo de escape. Por motas de três rodas. Pelo camião do lixo. Pelo leiteiro. Pelo homem da fruta. Pelo padeiro. Pela campainha. Por alguém a bater à porta, quase a deitá-la abaixo. Pelo telefone. Por sms. Por boas notícias. Por más notícias. Pelo sino. Pela luz do sol. Pela chuva. Pela trovoada. Pelo som do mar.  Pela discussão. Pelas gargalhadas. E hoje, por uma moto-serra (ok, era a máquina da relva do jardineiro mas com o susto parecia mesmo uma moto-serra numa cena de filme de terror).

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sentidos


Pensamentos em quem não devo despertam-me.

Fico a pensar no que nos acorda todas as manhãs. Quando não há despertador, o quarto mantém a escuridão (finalmente) e não há som nenhum do exterior. Os sinos parece que já não têm o mesmo efeito ou podem simplesmente não ter tocado hoje. Afinal é dia de reflexão e religiosamente de silêncio. 

O ritual matinal mantém-se e num misto de preguiça e vontade de fazer mais decido ir num passeio. Ainda penso pegar no carro mas saber que não tenho feito nenhum exercício pesa como uma pedra gigante.

O sol acompanha o vento que se faz sentir e decido-me pela camisola amarela em vez da cinzenta. A encharpe às flores colmata a essência primaveril junto com as sapatilhas de caminhada todo-o-terreno trazidas especialmente para o efeito. Ainda não dispenso a parka, mesmo que a meio caminho tenha que vir no braço. Podia ter dispensado o telemóvel mas mesmo assim meto-o no bolso juntamente com a chave e o cartão. Cautelosamente uma identificação dado que ainda me mantenho quase no anonimato e pode ser necessário, nunca se sabe. Tão cauteloso como o protetor solar que este ano é a primeira vez que me besunta oleosamente a cara.

Penso em voltar atrás para ir ouvindo música. Rejeito a ideia.  Afinal quero calar os pensamentos, não abafá-los.

Sigo em direção ao mar. Por um caminho sugerido mas desconhecido. Como a grande parte dos que agora percorro. 

Pessoas dentro das suas casas seguem os seus afazeres, oiço-as pelas janelas escancaradas, por portas entreabertas.

Quase a chegar ao mar um senhor velhinho está ao seu portão. Agarrado à madeira escura e envelhecida. Segue-me com o olhar gasto e frágil. Mesmo perto dele desejo-lhe um bom dia. Retribui-me quase que atrapalhadamente, não deve estar habituado a muitas falas, que lhe falem.

Finalmente chego à encruzilhada, ao mar. Não resisto e sento-me no muro a olhar a espuma das ondas que rebentam furiosamente nas pedras basálticas escuras e aguçadas. O vento revolta o azul transformando-o em branco. Um branco que contrasta com as flores tímidas que brotam, amarelas, carmim, nos ramos das árvores que teimam em erguer os seus ramos secos ali, perto de um rocio salgado que desgasta qualquer vida.

Enquanto tento decidir em que direção seguir um carro dirige-se para a direita. O desconhecido. Alguém me observa no alto mas calmamente resolvo-me pela esquerda, onde sei onde sairá. Mesmo assim o percurso surpreende-me.

As curvas de eucaliptos dão-me a sombra, as suas folhas arejam o ambiente enquanto libertam aquele aroma que adoro e me faz lembrar a minha escola primária num flashback sentada sozinha na relva, junto a um plátano majestoso, a observar cada pormenor que me rodeia.

A estrada tortuosa revela posteriormente casas seguidas. Modestas com cães acorrentados a casotas lúgubres como as dos seus donos. Galinhas castanhas cacarejam, um galo da Madeira com a crista vermelha ergue-a imponente enquanto passo. Um pato branco descobre-me e não se esconde nem se recolhe como os humanos que encontro e fecham rapidamente a porta à minha passagem. Verdadeiros castelos erguem-se colados àquela realidade e as diferenças podem-se resumir à carteira ou colchão.

Como descrito chego ao destino. Um destino em que o mar parece ainda mais tumultuoso. Onde a rebentação é mais alta e atinge o passeio, os bancos azuis onde tenciono sentar-me. Ficará para um próxima altura, com um livro. A envolvência convida a voltar inúmeras vezes.

Volto pelo mesmo caminho. A alternativa é demasiado oca. Os cães continuam a ladrar. O único que não o faz é também o único que não está preso. O maior, o mais preto, o com a aparência mais amável e meiga. Lembrança que as aparências iludem.

As galinhas já estão à solta e não deixo de pensar em como se deliciariam com as couves verdes que há pouco me fizeram pensar em caldo verde. O galo está exatamente na mesma posição, aparentemente colado como o seu olhar em mim.

Inversamente à descida agora subo sem esforço. Já não encontro o velhote. Em vez de cortar para casa vou em direção à igreja que quero conhecer. Fechada como sempre que lá passo. Nem à porta alguma informação. As portas vermelhas altas fazem-me esquecer outro senhor a quem cumprimentei com um bom dia e que me respondeu resmungão que já é tarde e não manhã. Sorrio para dentro a pensar que a tarde também é dia e que lhe desejo sempre ótimos dias, menos sorumbáticos.

Penso em como será um excelente percurso para caminhar e quando estiver mais em forma aventurar-me na corrida. Mais uma vez não faço nenhum atalho e dou a volta para aumentar o percurso.

Os pensamentos acabaram por se esvoaçar lentamente com a maresia. 

Chego a casa a cheirar a eucalipto, vento e mar.