domingo, 19 de janeiro de 2014

Frescos



Desde pequenina que costumava ir ao mercado ao sábado de manhã com o meu pai.

Comprávamos sempre laranjas para o sumo matinal que nunca podia faltar em casa, muita fruta (adorava a banca onde comprávamos as maçãs, os irmãos eram poucos mais velhos que eu e lindos de morrer), legumes para a sopa, cenouras juntas pela ramada, alface com muitas gotas de água, e no final, flores. Normalmente gerberas ou rosas nas ocasiões mais especiais.

Carregávamos os sacos cheios e pesados até ao carro mas a mim parecia-me que tinha estado na horta a colher. E no fundo estava. Não na minha horta (que também tivemos anteriormente), mas numa horta comum, de todos.

Agora não há mercado por aqui. As hortas são todas individuais, nas casas de cada um. Já me ofereceram tomates mas sinto falta de um local que cheire a fresco, que me sinta segura, o ano inteiro.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Amar o Amor


Talvez só esteja apaixonada pela sensação de amar alguém.

Por aquele arrepio que nos percorre enquanto sorrimos por qualquer gesto.

Das borboletas no estômago e cartas de amor mentais.

Talvez só ame o amor.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

As Severas


Há pessoas que apreciam a rispidez.

Não gostam de simpatias nem floreados.

São frias e exigem ser tratadas assim mesmo numa conversa de circunstância.

O engraçado é ver a sua reação quando lhe fazem a vontade. Quase que ficam felizes por finalmente alguém perceber e lhes tratar como se exprimem.

Mas com atitudes dessas brevemente serão sempre tratadas tal como como merecem. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Feira das Profissões


Lembro-me de estar sentada nas carteiras de madeira da primária a responder à professora o que queria ser quando fosse grande.

Disse-lhe professora. 

Talvez incitada pela minha mãe que sempre que alguém me perguntava e eu calada pensava que não sabia ela adiantava-se na minha resolução.

Lembro-me que era algo muito comum. As meninas queriam ser enfermeiras, médicas, professoras. Acho que a AP queria ser hospedeira porque o pai trabalhava no aeroporto.

(É engraçado rever essas pessoas hoje e ver quantas seguiram o futuro que pensavam que queriam aos sete anos.)

Os meninos queriam ser mecânicos, advogados, jogadores de futebol, soldados. (O M. confessou-me algures nas nossas conversas que me marcaram que queria ser pescador. Ou seria o seu disfarce de Carnaval? São essas confusões de ideias que me fazem querer voltar a saber dele. Mas não posso!)

Além dos jogadores de futebol, as respostas que hoje ouvimos à mesma questão são bastante diferentes.

Ninguém, hoje, diz que quer ser professora. Talvez ainda se oiça médicos. Mas a maioria responde que querem ser cantoras, atrizes, modelos/manequins.

Não sei o que mudou entretanto.

Talvez as notícias sobre o desemprego mesmo em profissões anteriormente vistas como uma boa aposta de futuro. Talvez o deslumbramento com a fama, o desenvolvimento das revistas cor-de-rosa e a casa dos segredos.

Nada contra os atores, os cantores, porque admiro imenso a vocação e a dedicação necessária para ser bem sucedido nessa área. 

Serão os ideais aos seis anos representativos da mentalidade de um futuro?

O certo é que será igualmente engraçado descobrir no que essa geração se irá transformar.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

(Des)ilusões


Gostava de saber de ti para me desiludires.

Para não estar sempre a pensar no bom que poderia ter sido.

Porque sei que provavelmente não me farias feliz. 

Apesar de todos os momentos que guardo com carinho há os outros. Os que ficaram emaranhados e escondidos no novelo de recordações que ainda me assaltam de vez em vez. Demasiadas vezes.

Só saber por ti que não pensas em mim seria o ponto final. Sem mais suposições, sonhos ou adivinhações.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

SAPS


Tenho um problema.

Nos momentos antes de adormecer a minha mente lembra-se de pensar em tudo e mais alguma coisa.

Futilidades, sentimentos adormecidos, necessidades, pessoas, trabalhos, memórias, ânsias...

Um turbilhão que impede que aquele sono que nos faz os olhos semicerrar e não nos deixa ler mais uma frase desapareça após apagar o candeeiro da mesinha de cabeceira.

Chamo-lhe Síndrome Ansioso Pré-Sono

E é uma patologia dolorosa! 


domingo, 12 de janeiro de 2014

Sons d' Alma


O silêncio ensurdece.

Emudece.

As vozes interiores entram em conflito.

Aflito.

O pensamento atemoriza.

Relativiza.

O sentimento duvida.

Convida.

Às suposições frágeis.

Esmiuçáveis.

Num sonho imaginário.

Revolucionário.

Cenário irrealizável.

Desagradável.

Desfechos absurdos. 

Gritos mudos.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Repetição de Erros


No processo de tomar decisões, mesmo que bastante ponderadas, essas acabam por ser a escolha errada.

Só o sabemos no futuro, no decorrer da história e normalmente já não podemos voltar atrás.

O certo é que muitas vezes o mesmo tipo de decisão repete-se. Com outros traços, disfarçada.

Resta lembrar o passado e  não repetir os mesmos erros. Sem mais desculpas nem hipóteses, opiniões ou reflexões.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Perfeição é Relativa


Quando aquela pessoa é perfeita aos olhos de todos, até aos nossos, mas não é perfeita para nós.

Quando alguém que tem inúmeros defeitos é perfeito para nós.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Feridas de Guerra



Quando estou a trabalhar magoo-me.

Corto-me, espeto-me mas não sinto nada, não me apercebo.

Nem depois, ao ver as mazelas, o ardor, as consigo situar no tempo.

Qualquer dia cai-me um dedo e eu continuo.

Podia gostar da sensação de concentração que está implícita mas o certo é que depois dói.
    

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Oportunidades


“Our lives are defined by opportunities, even the ones we miss.”

O Estranho Caso de Benjamin Burton, de David Fincher

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Oh Pai-Natal Chega Depressa Pf


O Natal está à porta e o espírito natalício ainda não me assaltou.

Nem com as luzes, nem com as músicas...

Pensei que só quando chegasse a casa, esse viria naturalmente.

Mas nada ainda. Cheguei hoje e ainda não dei tempo. São Pedro também não ajudou porque nos presenteou com um dia de Verão, literalmente.

Entretanto nos próximos dias vou-me entupir de Natal. Enfeitar a casa, comprar presentes, vestida de vermelho, sempre com música da época...

Se mesmo assim não resultar forro as paredes de papel de embrulho, enrolo-me num cachecol à porta do frigorífico, e começo a fazer pisca-pisca com os interruptores.

Nota-se que estou a ficar afetada?

Lembrei-me! Ainda não comi bolo rei. Só pode ser esse o remédio!


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Elogios


Nunca lidei bem com os elogios.

Talvez porque sempre me parecessem forçados.

Corava imenso. Nunca os agradeci. Tentava-os justificar e relativizar de tal forma que chegava a ser ainda mais constrangedor.

Agora luto para somente dizer um Obrigada sentido. Tento disfarçar que continuo a corar com um sorriso e agradeço.

Afinal era tão simples e indolor.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Leste

 
 
Desde muito nova que memorizo datas importantes.
 
Os aniversários da família, dos amigos, casamentos, eventos a acontecer...
 
Mesmo tendo essa capacidade normalmente registo-os para continuar a lembrá-los.
 
Não entendo que até na época dos lembretes no telemóvel haja alguém tão distraído que deixe de dar os parabéns aos pais.
 
Parece-me simplesmente de alguém que não quer saber, que não liga a essas coisas, com outras prioridades, porque mesmo a distração tem limites. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Fôlego Novo


Falar sem filtros, sem medos, com alguém que não nos julga, que nos conhece, é libertador.


domingo, 15 de dezembro de 2013

Confissões Noturnas


Sempre que vejo o Masterchef Australia penso em como me faz falta ter um cozinheiro aqui por casa.

De preferência um Andy!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Portugal dos Coitadinhos


Fala-se de Portugal, fala-se da crise.

Crise económica. Crise de valores.

Será algo recente? Cada um culpa alguém. Há quem culpe o Sócrates, há quem defenda Salazar. O Durão também anda na boca de muita gente. O Passos é o óbvio por ser o atual. Interessam as culpas?

Não sou de grandes políticas. Voto. Tenho a minha opinião. Defendo-a mas não a imponho. Gosto pouco que me imponham a sua, tentando converter-me.

Voltando aos valores.

Na pobreza evidencia-se o pior de cada um. Até os mais justos podem roubar para dar de comer aos filhos.

Talvez por isso, porque estamos pobres, todos nos atacam, atacamo-nos mutuamente. Será uma desculpa para dar sentido ao desconforto social, fazer valer o que ouvimos diariamente nos noticiários?

A questão é se realmente seremos tão diferentes das gerações passadas que viviam confortavelmente. Mudou a mentalidade ou simplesmente mudou a visão que temos de nós próprios?

Ainda, como país, mesmo tendo uma identidade própria, uma cultura (e como me orgulho dessa distinção) somos assim tão diferentes dos outros que não estão tão pobres? Porque quando éramos ricos ninguém falava de nós, os coitadinhos, pobrezinhos em tostões e em pensamentos.

Não pretendo abrir mais uma discussão política. A intenção é somente relembrar(-me) que a maior assembleia está na nossa casa, as mais importantes sentenças, na nossa cabeça. As únicas críticas a valorizar são as bem fundamentadas e com alcance prático. Até as pequenas decisões têm enormes repercussões em nós, mas essencialmente nos outros, porque Portugal (qualquer país) é somente o espelho do mais pequeno pormenor daquilo que somos, dos nossos atos, como portugueses, como pessoas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Atualização Imediata


Sinto que estou a ser ultrapassada pela tecnologia quando miúdos de três anos dominam o tablet e eu sou confrontada que não tenho conta PayPal nem sabia como funcionava.

Por sorte não foi nenhum a explicar-me.
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

No Meu Deserto


Desertei.

Por um deserto só meu.

Numa viagem só minha. 

Só eu e os meus pensamentos. 

Com as adversidades de uma areia permanente e um calor abrasador. 

Sem mais nenhuma envolvência ou distração.

Caminhava com um oásis em vista.

Ainda não sei se o encontrei.

A viagem continua mas voltei a essa escrita.

Indefinidamente. Despretensiosamente.

Só assim a bússola toma sentido.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Hoje... Eu...


Aos 27 a minha mãe casou. Engravidou.

Talvez por isso sempre achei que era um número, uma idade, tão bonita, marcante.

Certamente este ano não casarei, não engravidarei mas muitas coisas boas acontecerão.

Lembrar-me-ei desta passagem como um meio, mesmo que em nada significativo, uma aprendizagem, um caminho. Como todos os anos. 

Sei que exatamente daqui a 365 dias farei uma curta retrospetiva e achar-me-ei mais crescida. Porque é o que me acontece sempre.

Um crescimento não em altura, espero que não em largura, talvez não em inteligência e saberes científicos mas de valores, de sabedoria e conhecimento pessoal.

A retrospetiva dos 26 é boa. Tenho pessoas fantásticas na minha vida, no panorama geral tenho emprego, faço o que gosto, gosto de quem me vou tornando e moldando. Há coisas a melhorar mas como ex-perfecionista assumo que a perfeição é aborrecida.

Hoje é o primeiro dia dos 27 e é um ótimo dia para (re)começar.