domingo, 26 de janeiro de 2014

Carrosséis e Montanhas-Russas


Esta semana foi uma verdadeira montanha-russa emocional. Apesar de me parecer que continuo num carrossel que não pára mas volta ao mesmo sítio, estanque, sem outro destino.

Chorei como já não o fazia. Soluçando sozinha, na almofada. Com a minha mãe com quem só desabo quando já não aguento mais.

Enraiveci. Talvez porque apesar de tantas vezes o ter feito há quem ainda me continue a desiludir.

Surpreenderam-me com a sua generosidade. Sou cínica e continuo à espera da contrapartida.

As oportunidades surgiram apressadamente mas depressa, pensadas, desvaneceram-se.

Fizeram-me sentir útil. Tiveram palavras simpáticas.

Voltei a sentir necessidade de rezar. Do nada, dei por mim a proferir orações, palavras memorizadas há anos que algures deixaram de fazer sentido. 

O corpo começou a ressentir-se dos pesadelos.

Senti-me mal por me sentir pessimamente.

Descomprimi, deixei-me levar.

Todas as emoções foram largamente amplificadas.

Pouco verbalizei. Guardei muito para mim.

Voltei a ter esperança embora o desenrolar possa ainda não acontecer.

A sensação de rodar na chávena, no carrossel, já não é assim tão agradável como quando era uma miúda despreocupada e inclinava a cabeça para trás, sentindo o vento.

sábado, 25 de janeiro de 2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Talvez Saiba


Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.


Luís Vaz de Camões

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sai da Frente


Há pessoas que violam o nosso espaço pessoal.

Pessoas que numa conversa cordial agitam as mãos e quase nos dão um tabefe, tocam-nos nos braços e ombros, chegam tão perto que consigo ouvir o batimento cardíaco, já para não falar no hálito.

Por momentos penso que poderão ser surdas, ou ter problemas de visão, talvez gostem do nosso perfume... Há outra explicação?


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Just Friends

Tenho amigos homens que serão sempre amigos.

O engraçado é que são giros que se fartam mas como os sempre os vi quase como irmãos nunca houve nenhuma atração para algo mais do que uma amizade.

Tenho consciência que eles são fantásticos como pessoas e seriam ótimos namorados mas simplesmente é uma situação muito estranha imaginá-los como tal.

Talvez só me tenha apercebido quando confrontada com isso por outras pessoas. Perguntam-me se sinto algo mais, se há ou houve "história"...

Confesso que houve namoradas ciumentas mas nós temos sobrevivido. (E por muitos anos espero!).

Conversamos, desabafamos e rimos imenso. 

Somos amigos! 
Só amigos?
Só?! Muito!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cólo

Desilude toda a gente, nunca te desiludas a ti.

Sou muito conscienciosa sobre desiludir os que me são queridos, mais do que a mim. 

Mas quando tomo decisões que afetam a minha vida, e inerentemente a deles porque se preocupam, obtenho o apoio que a voz na minha cabeça quer combater. Confiam em mim mais do que eu.

Afinal não era preciso duvidar porque independentemente de tudo terei sempre o seu ombro.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Frescos



Desde pequenina que costumava ir ao mercado ao sábado de manhã com o meu pai.

Comprávamos sempre laranjas para o sumo matinal que nunca podia faltar em casa, muita fruta (adorava a banca onde comprávamos as maçãs, os irmãos eram poucos mais velhos que eu e lindos de morrer), legumes para a sopa, cenouras juntas pela ramada, alface com muitas gotas de água, e no final, flores. Normalmente gerberas ou rosas nas ocasiões mais especiais.

Carregávamos os sacos cheios e pesados até ao carro mas a mim parecia-me que tinha estado na horta a colher. E no fundo estava. Não na minha horta (que também tivemos anteriormente), mas numa horta comum, de todos.

Agora não há mercado por aqui. As hortas são todas individuais, nas casas de cada um. Já me ofereceram tomates mas sinto falta de um local que cheire a fresco, que me sinta segura, o ano inteiro.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Amar o Amor


Talvez só esteja apaixonada pela sensação de amar alguém.

Por aquele arrepio que nos percorre enquanto sorrimos por qualquer gesto.

Das borboletas no estômago e cartas de amor mentais.

Talvez só ame o amor.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

As Severas


Há pessoas que apreciam a rispidez.

Não gostam de simpatias nem floreados.

São frias e exigem ser tratadas assim mesmo numa conversa de circunstância.

O engraçado é ver a sua reação quando lhe fazem a vontade. Quase que ficam felizes por finalmente alguém perceber e lhes tratar como se exprimem.

Mas com atitudes dessas brevemente serão sempre tratadas tal como como merecem. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Feira das Profissões


Lembro-me de estar sentada nas carteiras de madeira da primária a responder à professora o que queria ser quando fosse grande.

Disse-lhe professora. 

Talvez incitada pela minha mãe que sempre que alguém me perguntava e eu calada pensava que não sabia ela adiantava-se na minha resolução.

Lembro-me que era algo muito comum. As meninas queriam ser enfermeiras, médicas, professoras. Acho que a AP queria ser hospedeira porque o pai trabalhava no aeroporto.

(É engraçado rever essas pessoas hoje e ver quantas seguiram o futuro que pensavam que queriam aos sete anos.)

Os meninos queriam ser mecânicos, advogados, jogadores de futebol, soldados. (O M. confessou-me algures nas nossas conversas que me marcaram que queria ser pescador. Ou seria o seu disfarce de Carnaval? São essas confusões de ideias que me fazem querer voltar a saber dele. Mas não posso!)

Além dos jogadores de futebol, as respostas que hoje ouvimos à mesma questão são bastante diferentes.

Ninguém, hoje, diz que quer ser professora. Talvez ainda se oiça médicos. Mas a maioria responde que querem ser cantoras, atrizes, modelos/manequins.

Não sei o que mudou entretanto.

Talvez as notícias sobre o desemprego mesmo em profissões anteriormente vistas como uma boa aposta de futuro. Talvez o deslumbramento com a fama, o desenvolvimento das revistas cor-de-rosa e a casa dos segredos.

Nada contra os atores, os cantores, porque admiro imenso a vocação e a dedicação necessária para ser bem sucedido nessa área. 

Serão os ideais aos seis anos representativos da mentalidade de um futuro?

O certo é que será igualmente engraçado descobrir no que essa geração se irá transformar.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

(Des)ilusões


Gostava de saber de ti para me desiludires.

Para não estar sempre a pensar no bom que poderia ter sido.

Porque sei que provavelmente não me farias feliz. 

Apesar de todos os momentos que guardo com carinho há os outros. Os que ficaram emaranhados e escondidos no novelo de recordações que ainda me assaltam de vez em vez. Demasiadas vezes.

Só saber por ti que não pensas em mim seria o ponto final. Sem mais suposições, sonhos ou adivinhações.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

SAPS


Tenho um problema.

Nos momentos antes de adormecer a minha mente lembra-se de pensar em tudo e mais alguma coisa.

Futilidades, sentimentos adormecidos, necessidades, pessoas, trabalhos, memórias, ânsias...

Um turbilhão que impede que aquele sono que nos faz os olhos semicerrar e não nos deixa ler mais uma frase desapareça após apagar o candeeiro da mesinha de cabeceira.

Chamo-lhe Síndrome Ansioso Pré-Sono

E é uma patologia dolorosa! 


domingo, 12 de janeiro de 2014

Sons d' Alma


O silêncio ensurdece.

Emudece.

As vozes interiores entram em conflito.

Aflito.

O pensamento atemoriza.

Relativiza.

O sentimento duvida.

Convida.

Às suposições frágeis.

Esmiuçáveis.

Num sonho imaginário.

Revolucionário.

Cenário irrealizável.

Desagradável.

Desfechos absurdos. 

Gritos mudos.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Repetição de Erros


No processo de tomar decisões, mesmo que bastante ponderadas, essas acabam por ser a escolha errada.

Só o sabemos no futuro, no decorrer da história e normalmente já não podemos voltar atrás.

O certo é que muitas vezes o mesmo tipo de decisão repete-se. Com outros traços, disfarçada.

Resta lembrar o passado e  não repetir os mesmos erros. Sem mais desculpas nem hipóteses, opiniões ou reflexões.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Perfeição é Relativa


Quando aquela pessoa é perfeita aos olhos de todos, até aos nossos, mas não é perfeita para nós.

Quando alguém que tem inúmeros defeitos é perfeito para nós.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Feridas de Guerra



Quando estou a trabalhar magoo-me.

Corto-me, espeto-me mas não sinto nada, não me apercebo.

Nem depois, ao ver as mazelas, o ardor, as consigo situar no tempo.

Qualquer dia cai-me um dedo e eu continuo.

Podia gostar da sensação de concentração que está implícita mas o certo é que depois dói.
    

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Oportunidades


“Our lives are defined by opportunities, even the ones we miss.”

O Estranho Caso de Benjamin Burton, de David Fincher

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Oh Pai-Natal Chega Depressa Pf


O Natal está à porta e o espírito natalício ainda não me assaltou.

Nem com as luzes, nem com as músicas...

Pensei que só quando chegasse a casa, esse viria naturalmente.

Mas nada ainda. Cheguei hoje e ainda não dei tempo. São Pedro também não ajudou porque nos presenteou com um dia de Verão, literalmente.

Entretanto nos próximos dias vou-me entupir de Natal. Enfeitar a casa, comprar presentes, vestida de vermelho, sempre com música da época...

Se mesmo assim não resultar forro as paredes de papel de embrulho, enrolo-me num cachecol à porta do frigorífico, e começo a fazer pisca-pisca com os interruptores.

Nota-se que estou a ficar afetada?

Lembrei-me! Ainda não comi bolo rei. Só pode ser esse o remédio!


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Elogios


Nunca lidei bem com os elogios.

Talvez porque sempre me parecessem forçados.

Corava imenso. Nunca os agradeci. Tentava-os justificar e relativizar de tal forma que chegava a ser ainda mais constrangedor.

Agora luto para somente dizer um Obrigada sentido. Tento disfarçar que continuo a corar com um sorriso e agradeço.

Afinal era tão simples e indolor.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Leste

 
 
Desde muito nova que memorizo datas importantes.
 
Os aniversários da família, dos amigos, casamentos, eventos a acontecer...
 
Mesmo tendo essa capacidade normalmente registo-os para continuar a lembrá-los.
 
Não entendo que até na época dos lembretes no telemóvel haja alguém tão distraído que deixe de dar os parabéns aos pais.
 
Parece-me simplesmente de alguém que não quer saber, que não liga a essas coisas, com outras prioridades, porque mesmo a distração tem limites. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Fôlego Novo


Falar sem filtros, sem medos, com alguém que não nos julga, que nos conhece, é libertador.


domingo, 15 de dezembro de 2013

Confissões Noturnas


Sempre que vejo o Masterchef Australia penso em como me faz falta ter um cozinheiro aqui por casa.

De preferência um Andy!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Portugal dos Coitadinhos


Fala-se de Portugal, fala-se da crise.

Crise económica. Crise de valores.

Será algo recente? Cada um culpa alguém. Há quem culpe o Sócrates, há quem defenda Salazar. O Durão também anda na boca de muita gente. O Passos é o óbvio por ser o atual. Interessam as culpas?

Não sou de grandes políticas. Voto. Tenho a minha opinião. Defendo-a mas não a imponho. Gosto pouco que me imponham a sua, tentando converter-me.

Voltando aos valores.

Na pobreza evidencia-se o pior de cada um. Até os mais justos podem roubar para dar de comer aos filhos.

Talvez por isso, porque estamos pobres, todos nos atacam, atacamo-nos mutuamente. Será uma desculpa para dar sentido ao desconforto social, fazer valer o que ouvimos diariamente nos noticiários?

A questão é se realmente seremos tão diferentes das gerações passadas que viviam confortavelmente. Mudou a mentalidade ou simplesmente mudou a visão que temos de nós próprios?

Ainda, como país, mesmo tendo uma identidade própria, uma cultura (e como me orgulho dessa distinção) somos assim tão diferentes dos outros que não estão tão pobres? Porque quando éramos ricos ninguém falava de nós, os coitadinhos, pobrezinhos em tostões e em pensamentos.

Não pretendo abrir mais uma discussão política. A intenção é somente relembrar(-me) que a maior assembleia está na nossa casa, as mais importantes sentenças, na nossa cabeça. As únicas críticas a valorizar são as bem fundamentadas e com alcance prático. Até as pequenas decisões têm enormes repercussões em nós, mas essencialmente nos outros, porque Portugal (qualquer país) é somente o espelho do mais pequeno pormenor daquilo que somos, dos nossos atos, como portugueses, como pessoas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Atualização Imediata


Sinto que estou a ser ultrapassada pela tecnologia quando miúdos de três anos dominam o tablet e eu sou confrontada que não tenho conta PayPal nem sabia como funcionava.

Por sorte não foi nenhum a explicar-me.
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

No Meu Deserto


Desertei.

Por um deserto só meu.

Numa viagem só minha. 

Só eu e os meus pensamentos. 

Com as adversidades de uma areia permanente e um calor abrasador. 

Sem mais nenhuma envolvência ou distração.

Caminhava com um oásis em vista.

Ainda não sei se o encontrei.

A viagem continua mas voltei a essa escrita.

Indefinidamente. Despretensiosamente.

Só assim a bússola toma sentido.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Hoje... Eu...


Aos 27 a minha mãe casou. Engravidou.

Talvez por isso sempre achei que era um número, uma idade, tão bonita, marcante.

Certamente este ano não casarei, não engravidarei mas muitas coisas boas acontecerão.

Lembrar-me-ei desta passagem como um meio, mesmo que em nada significativo, uma aprendizagem, um caminho. Como todos os anos. 

Sei que exatamente daqui a 365 dias farei uma curta retrospetiva e achar-me-ei mais crescida. Porque é o que me acontece sempre.

Um crescimento não em altura, espero que não em largura, talvez não em inteligência e saberes científicos mas de valores, de sabedoria e conhecimento pessoal.

A retrospetiva dos 26 é boa. Tenho pessoas fantásticas na minha vida, no panorama geral tenho emprego, faço o que gosto, gosto de quem me vou tornando e moldando. Há coisas a melhorar mas como ex-perfecionista assumo que a perfeição é aborrecida.

Hoje é o primeiro dia dos 27 e é um ótimo dia para (re)começar.

sábado, 19 de outubro de 2013

No Reino da Fantasia


Somos colegas de profissão e por mais pequeno que seja o mundo só nos cruzamos nessas situações.

Aproximava-se o curso. Um curso de um dia, para aperfeiçoamento de determinada técnica. Confesso que já me tinha perguntado se te iria encontrar novamente.

O voo era cedo, muito cedo e ao longe avistei-te no aeroporto. 

Entreolhamo-nos e nada dissemos. Fomos fiéis ao silêncio que sempre pautou e permaneceu até ao final do dia. Mesmo na pressa de acabar pedi-te que me passasses um objeto. Permaneceste inatingível.

Sinto que se trocássemos uma palavra teríamos uma longa e fluída conversa.Partilharíamos ideias, receios, sonhos.

Não terei coragem para uma abordagem. Tive com outro colega hoje. Simples, sem receios nem medos, natural. Giro mas sem faísca. Porque ainda mais nestas coisas a primeira impressão conta. Já percebi que por ti também continuaremos estranhos.

Há sentimentos assim, que permanecerão sempre platónicos, utópicos.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Amor Bom


"O amor torna-nos bons. Não importa a quem amemos, também não importa sermos correspondidos ou se a relação é durável. Basta a experiência de amar, isso transforma-nos."

Isabel Allende in O Caderno de Maya

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lixo


Sempre associei uma pessoa que atira lixo para rua como sendo mais velha.

O senhor com os dedos escurecidos e bigode farfalhudo que lança a beata ao chão sem reparar no cinzeiro de rua mais à frente.

A senhora de cabelo grisalho e carrapito vestida de preto que limpa a sua carteira de talões da mercearia e papéis de rebuçados para a tosse na paragem do autocarro.

Talvez porque enquanto andavam na escola não foram instruídos, não havia a preocupação com o ambiente. Simplesmente porque sempre o fizeram e nunca pensaram.

O certo é que estava redondamente errada.

Cada vez mais vejo adolescentes a deixar o plástico das pastilhas no passeio, as próprias pastilhas...

Não compreendo.

Poderia atribuir a necessidade de rebeldia típica da idade e o querer quebrar as regras, quaisquer que sejam essas. Mas no fundo é pura estupidez e falta de bom-senso.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

(I)Maturidade


Pais adolescentes que saem para noitadas ainda posso perceber. Apesar da responsabilidade não querem abdicar das saídas próprias da idade, das festas e social tão importante para se afirmarem junto dos pares. Não concordo mas percebo.

Não concebo pais mais velhos, quase quarentões, que deixam os filhos que já não são bebés, fins-de-semana seguidos para poderem ir para os copos a noite toda. Isso já me transcende.

Os miúdos dormem cedo mas também acordam cedo e não querem pais zombies a um sábado, dos poucos dias em que podem estar mais tempo juntos.

sábado, 28 de setembro de 2013

Minúcia

 

A felicidade está em saber reconhecer os pequenos pormenores.

As particularidades escondidas só estão visíveis para quem está atento e disposto a descobri-las.

A prática leva a que essa descoberta se torne passiva, perceptível sem esforço, uma felicidade natural.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sensações Indefinidas


Há fases. Há dias. Há momentos.

Que nos despoletam sentimentos, sensações, estimula-nos ou deprime-nos.

Há o meio-termo, quase apático.

Laivos sorridentes intercalados com franzir de testa.

Rugas de expressão, torcer de nariz.

Indefinições de estado, alegria, recordações, saudades.

Inúmeros estadios irrefletidos que não refletem o interior.

Espelhos descarados da alma.

Incertezas vagamente esclarecidas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Question Mark



Não fazia perguntas sensíveis.

Tinha medo de melindrar. Talvez tivesse medo de saber a resposta.

Preferia não aprofundar e ficar na dúvida.

Arrisquei e tive bons resultados, bons seguimentos.

É bom saber.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Condescendência



Qualquer dia não me contenho e respondo a jeito àqueles chicos-espertos que lá porque leram qualquer coisa na internet já estão aptos a ensinar os profissionais pondo em causa tudo aquilo o que lhes é dito e explicado.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Amor assim


Sempre que falamos, fala-me dela: a companheira de mais de meio século.

Perdeu-a para o Alzheimer, mesmo antes da morte física.

Perdeu-se também a ele, porque o nós desapareceu dando lugar a um eu solitário.

Sempre que se refere a ela emociona-se.

Sente-se nos seus olhos azuis baços pelo lacrimejar a dor mas principalmente o carinho e amor que não morreu com ela.

São nesses gestos, nessas constatações que esperamos por um amor eterno, que eventualmente voltará a unir para sempre aquelas duas almas ligadas por um amor intemporal.

(Qualquer semelhança com The Notebook é mera coincidência).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Monstros Iluminados


"Os demónios perdem o seu poder quando os arrancamos das profundezas onde se escondem e os olhamos de frente, em plena luz do dia."

Isabel Allende in O Caderno de Maya

sábado, 21 de setembro de 2013

Sorriso de Budha


Sou leiga em matéria de religiões.

Mesmo a católica confesso que me tem lacunas.

Comprei um buda. 

Não sei bem porquê. Achei que dava um toque engraçado nessa necessidade de transformar esta casa de todos num bocadinho minha.

Igualmente inexplicável é a calma que me transmite. Olhar-lhe para aqueles olhos gordos quase fechados pelo sorriso feliz também me faz sorrir.

Incrível como esta pequena figura dourada com careca semelhante à barriga alterou por completo toda esta envolvência.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Ladra


Um dia terei coragem e roubarei um beijo.

A um conhecido especial. Ou desconhecido.

Na altura certa. Quando ambos soubermos que é o momento. Ou simplesmente me apetecer.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sonhos Reais


Há vezes que fico na dúvida se algum acontecimento ocorreu mesmo ou foi sonhado.

Culpa dos meus sonhos demasiado realistas.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Digam-me


Atualmente uma página no facebook dispensa um site?

Uma entidade, um clube, uma associação pode ser representada credivelmente numa rede social a que toda a gente acede e se atualiza?

Ou, pelo contrário, perde automaticamente o nível por não ter uma página própria, num qualquer domínio definido?

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Zumbaaaa


 Há uma semana que comecei a zumbar.

Não acerto com muitos passos a mexer a anca, sou descoordenada mas divirto-me e rio-me imenso.

Só por isso vale a pena.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Outonal


Gosto destes dias de transição entre estações.

Sou uma rapariga do Outono. 

Adoro ser surpreendida pelo chuviscar na janela e pelo arrepio a pedir cobertor.

Pensar nos casacos pesados e nas botas. Embrulhar o pescoço em cachecóis.

O Verão já foi. Já se faz sentir uma nova vibração. Bem-vinda.

domingo, 15 de setembro de 2013

Libertar Amarras


Apercebi-me do quão escravos do mundo somos.

Há ações que nos conduzem por caminhos pré-concebidos por alguém que desconhecemos. 

Opiniões generalizadas, preconceitos indébitos, concepções antecipadas, valores disfuncionais.

Somos escravos de pequenos objetos, de coisas, de pensamentos.

Acabamos por ser escravos de nós próprios.

Foi libertador notar que estava prisioneira.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Não é uma Despedida


Através dos anos, sempre se tinham separado para voltarem a encontrar-se. Aquela viagem tinha demonstrado isso mesmo. Tinha a certeza de que se veriam em breve.

Alfredo Pita in O Caçador Ausente

domingo, 18 de agosto de 2013

Danci, Danci, Danci


Por uma qualquer razão desconhecida lembrei-me desta música.

E enquanto aspirava com o VH1 no Movie Soundtracks Weekend com diversas opções foi sempre esta que gritava em falsete. E dançava. Sim, porque aspirar a dançar aumenta o esforço. Um género de fusão, uma zumba doméstica.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sonhos


Há sonhos que serão realidade.

Há sonhos que permanecerão sempre utópicos.

Há sonhos que não me atrevo a sonhar.

Há sonhos que deixam de ser ambicionados.

Há sonhos que simplesmente se desvanecem.

Há sonhos que afinal são pesadelos.

Há sonhos que serão sempre lembranças.

Há sonhos que são fruto da imaginação. Outros da insistência.

Há sonhos que serão sempre sonhos.


sábado, 10 de agosto de 2013

Cansaço


Estou tão cansada.

A minha semana começou segunda-feira e só poderei ter algum fôlego no feriado de 15 de Agosto. Até lá os meus dias foram segundas-feiras consecutivas porque não avisto o descanso por perto.

Tive umas viagens de trabalho em que naveguei e apesar de à noite estar moída fez-me bem à alma, lavou-me as maçadas mesmo que pequeninas de todos os dias. Inspirou-me.

Sempre trabalhei mais quando os outros estão de férias e não me posso queixar (muito).

Mesmo assim, estou física e mentalmente cansada só de pensar nos dias que se avizinham. 

Talvez entre no ritmo de tal forma que os meus dias sejam sempre assim agitados. Habituava-me bem.