quinta-feira, 20 de março de 2014

Retrata-me


Naquele lugar era uma eremita. Ali, não tinha passado. A sua biografia tinha ficado noutra cidade.

in A ilha dos amores infinitos de Daína Chaviano


quarta-feira, 19 de março de 2014

Visão Turva


Por já não acontecer há muito tempo, chego a duvidar se realmente as coisas boas acontecem.

Já não consigo distinguir quando algo novo espreita. Se será mais do mesmo, com fim à vista, ou uma verdadeira nova e boa oportunidade.

Tornei-me desconfiada (não gosto de o ser) mas as surpresas também podem ser desagradáveis.

Resta dar-lhes uma oportunidade e esperar para ver.
 

terça-feira, 18 de março de 2014

Desvanecendo


Apesar de uma noite inteira a sonhar contigo apercebi-me que já não me lembro da tua voz.

Nem quando me sussurravas ao ouvido.

Devagar, vais-te esfumando na minha memória.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Reconhecimentos


Há dias o meu irmão não me reconhecia. Estava demasiado triste. Não está habituado a sentir-me assim.

Ontem pensei que a minha cama me ajudaria a curar. Pelo menos um bocadinho. Também não me reconheceu. Tratou-me com indiferença, não me acolheu nem aconchegou.

Sinto-me estranha. Com atos que não são os meus. Palavras sussurradas que tardam em fazer frases coerentes.

Também eu não me reconheço.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sem Inspiração (Nem Expiração)



Preciso de novo fôlego. 

Uma injeção reforçada. 

Para continuar a respirar. 

Sem esforço, novamente.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Detetor de Chaves


Telefone da minha mãe aflitíssima:

- Ai filha, saí um instante e agora que cheguei não encontro a chave. Devo tê-la deixado na porta e agora alguém a tirou. Até tenho medo de dizer ao teu pai. Vamos ter que substituir as fechaduras!

- Calma mãe. Não comece já a pensar no pior e procure mais um bocadinho.

- Já procurei tudo. Já virei a casa do avesso duas vezes! Não sei onde procurar mais!

- Procure outra vez até encontrar. Veja novamente nos bolsos.

(curto silêncio)

- Tu és uma santa! Estavam mesmo no bolso do casaco. Como é que sabias?!

Desatamos as duas às gargalhadas.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ainda sobre as Encruzilhadas


Perante dois caminhos possíveis, a escolha.

Ambos desconhecidos, destinos distintos.

Mesmo que tente espreitar as curvas não deixam antever as subidas e descidas.

Nunca saberei o que se passaria se a opção fosse a outra. Se me faria mais feliz, se teria menos percalços.

A decisão  é difícil quando simplesmente ambos são o desconhecido, ambos arriscados, ambos longe.

Mesmo com as opiniões divergentes dos outros que querem ajudar a última resposta será sempre só minha. Para mais tarde louvar ou lastimar.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

The Road Not Taken

 
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim
Because it was grassy and wanted wear,
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I,
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference. 


Robert Frost

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Primeiras Vezes


O que nos tira da nossa zona de conforto é o que nos faz avançar.

Verificamos que o poderíamos ter feito mais cedo, sem medos de parecer pateta ou desadequado.

O difícil é fazer algo pela primeira vez. Depois torna-se conhecido e entranha-se.
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Reações Químicas


Há vezes em que nada muda mas chegamos a um ponto de saturação. Simplesmente não conseguimos absorver mais nada. 

O corpo e a mente dilatam. Despertam a qualquer trigger point.

E subitamente atinge-se o ponto de ebulição. Quando nada volta a ser como era. 

Tudo muda, tudo se transforma.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Carrosséis e Montanhas-Russas


Esta semana foi uma verdadeira montanha-russa emocional. Apesar de me parecer que continuo num carrossel que não pára mas volta ao mesmo sítio, estanque, sem outro destino.

Chorei como já não o fazia. Soluçando sozinha, na almofada. Com a minha mãe com quem só desabo quando já não aguento mais.

Enraiveci. Talvez porque apesar de tantas vezes o ter feito há quem ainda me continue a desiludir.

Surpreenderam-me com a sua generosidade. Sou cínica e continuo à espera da contrapartida.

As oportunidades surgiram apressadamente mas depressa, pensadas, desvaneceram-se.

Fizeram-me sentir útil. Tiveram palavras simpáticas.

Voltei a sentir necessidade de rezar. Do nada, dei por mim a proferir orações, palavras memorizadas há anos que algures deixaram de fazer sentido. 

O corpo começou a ressentir-se dos pesadelos.

Senti-me mal por me sentir pessimamente.

Descomprimi, deixei-me levar.

Todas as emoções foram largamente amplificadas.

Pouco verbalizei. Guardei muito para mim.

Voltei a ter esperança embora o desenrolar possa ainda não acontecer.

A sensação de rodar na chávena, no carrossel, já não é assim tão agradável como quando era uma miúda despreocupada e inclinava a cabeça para trás, sentindo o vento.

sábado, 25 de janeiro de 2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Talvez Saiba


Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.


Luís Vaz de Camões

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sai da Frente


Há pessoas que violam o nosso espaço pessoal.

Pessoas que numa conversa cordial agitam as mãos e quase nos dão um tabefe, tocam-nos nos braços e ombros, chegam tão perto que consigo ouvir o batimento cardíaco, já para não falar no hálito.

Por momentos penso que poderão ser surdas, ou ter problemas de visão, talvez gostem do nosso perfume... Há outra explicação?


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Just Friends

Tenho amigos homens que serão sempre amigos.

O engraçado é que são giros que se fartam mas como os sempre os vi quase como irmãos nunca houve nenhuma atração para algo mais do que uma amizade.

Tenho consciência que eles são fantásticos como pessoas e seriam ótimos namorados mas simplesmente é uma situação muito estranha imaginá-los como tal.

Talvez só me tenha apercebido quando confrontada com isso por outras pessoas. Perguntam-me se sinto algo mais, se há ou houve "história"...

Confesso que houve namoradas ciumentas mas nós temos sobrevivido. (E por muitos anos espero!).

Conversamos, desabafamos e rimos imenso. 

Somos amigos! 
Só amigos?
Só?! Muito!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cólo

Desilude toda a gente, nunca te desiludas a ti.

Sou muito conscienciosa sobre desiludir os que me são queridos, mais do que a mim. 

Mas quando tomo decisões que afetam a minha vida, e inerentemente a deles porque se preocupam, obtenho o apoio que a voz na minha cabeça quer combater. Confiam em mim mais do que eu.

Afinal não era preciso duvidar porque independentemente de tudo terei sempre o seu ombro.