segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mecânica


Passar os dias de uma forma monótona, quase mecanizada, é perigoso. 

A quase apatia exacerba outras emoções quando essas tornam a emergir. Quando essas sensações são negativas tornam-se demasiado intensas, gritantes, raivosas.

Torna-se difícil domar essas reações, ter controlo sobre elas.  Perde-se o discernimento.

Assusta a indolência, ressoa no corpo, sente-se na alma. Monstrifica.

 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Thanks God it is Friday


Há dias em que todos os loucos saem e cruzam o nosso caminho.

Não posso fugir nem me esconder.

Socorro!

terça-feira, 25 de março de 2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

Retrata-me


Naquele lugar era uma eremita. Ali, não tinha passado. A sua biografia tinha ficado noutra cidade.

in A ilha dos amores infinitos de Daína Chaviano


quarta-feira, 19 de março de 2014

Visão Turva


Por já não acontecer há muito tempo, chego a duvidar se realmente as coisas boas acontecem.

Já não consigo distinguir quando algo novo espreita. Se será mais do mesmo, com fim à vista, ou uma verdadeira nova e boa oportunidade.

Tornei-me desconfiada (não gosto de o ser) mas as surpresas também podem ser desagradáveis.

Resta dar-lhes uma oportunidade e esperar para ver.
 

terça-feira, 18 de março de 2014

Desvanecendo


Apesar de uma noite inteira a sonhar contigo apercebi-me que já não me lembro da tua voz.

Nem quando me sussurravas ao ouvido.

Devagar, vais-te esfumando na minha memória.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Reconhecimentos


Há dias o meu irmão não me reconhecia. Estava demasiado triste. Não está habituado a sentir-me assim.

Ontem pensei que a minha cama me ajudaria a curar. Pelo menos um bocadinho. Também não me reconheceu. Tratou-me com indiferença, não me acolheu nem aconchegou.

Sinto-me estranha. Com atos que não são os meus. Palavras sussurradas que tardam em fazer frases coerentes.

Também eu não me reconheço.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sem Inspiração (Nem Expiração)



Preciso de novo fôlego. 

Uma injeção reforçada. 

Para continuar a respirar. 

Sem esforço, novamente.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Detetor de Chaves


Telefone da minha mãe aflitíssima:

- Ai filha, saí um instante e agora que cheguei não encontro a chave. Devo tê-la deixado na porta e agora alguém a tirou. Até tenho medo de dizer ao teu pai. Vamos ter que substituir as fechaduras!

- Calma mãe. Não comece já a pensar no pior e procure mais um bocadinho.

- Já procurei tudo. Já virei a casa do avesso duas vezes! Não sei onde procurar mais!

- Procure outra vez até encontrar. Veja novamente nos bolsos.

(curto silêncio)

- Tu és uma santa! Estavam mesmo no bolso do casaco. Como é que sabias?!

Desatamos as duas às gargalhadas.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ainda sobre as Encruzilhadas


Perante dois caminhos possíveis, a escolha.

Ambos desconhecidos, destinos distintos.

Mesmo que tente espreitar as curvas não deixam antever as subidas e descidas.

Nunca saberei o que se passaria se a opção fosse a outra. Se me faria mais feliz, se teria menos percalços.

A decisão  é difícil quando simplesmente ambos são o desconhecido, ambos arriscados, ambos longe.

Mesmo com as opiniões divergentes dos outros que querem ajudar a última resposta será sempre só minha. Para mais tarde louvar ou lastimar.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

The Road Not Taken

 
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim
Because it was grassy and wanted wear,
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I,
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference. 


Robert Frost

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Primeiras Vezes


O que nos tira da nossa zona de conforto é o que nos faz avançar.

Verificamos que o poderíamos ter feito mais cedo, sem medos de parecer pateta ou desadequado.

O difícil é fazer algo pela primeira vez. Depois torna-se conhecido e entranha-se.
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Reações Químicas


Há vezes em que nada muda mas chegamos a um ponto de saturação. Simplesmente não conseguimos absorver mais nada. 

O corpo e a mente dilatam. Despertam a qualquer trigger point.

E subitamente atinge-se o ponto de ebulição. Quando nada volta a ser como era. 

Tudo muda, tudo se transforma.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Carrosséis e Montanhas-Russas


Esta semana foi uma verdadeira montanha-russa emocional. Apesar de me parecer que continuo num carrossel que não pára mas volta ao mesmo sítio, estanque, sem outro destino.

Chorei como já não o fazia. Soluçando sozinha, na almofada. Com a minha mãe com quem só desabo quando já não aguento mais.

Enraiveci. Talvez porque apesar de tantas vezes o ter feito há quem ainda me continue a desiludir.

Surpreenderam-me com a sua generosidade. Sou cínica e continuo à espera da contrapartida.

As oportunidades surgiram apressadamente mas depressa, pensadas, desvaneceram-se.

Fizeram-me sentir útil. Tiveram palavras simpáticas.

Voltei a sentir necessidade de rezar. Do nada, dei por mim a proferir orações, palavras memorizadas há anos que algures deixaram de fazer sentido. 

O corpo começou a ressentir-se dos pesadelos.

Senti-me mal por me sentir pessimamente.

Descomprimi, deixei-me levar.

Todas as emoções foram largamente amplificadas.

Pouco verbalizei. Guardei muito para mim.

Voltei a ter esperança embora o desenrolar possa ainda não acontecer.

A sensação de rodar na chávena, no carrossel, já não é assim tão agradável como quando era uma miúda despreocupada e inclinava a cabeça para trás, sentindo o vento.

sábado, 25 de janeiro de 2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Talvez Saiba


Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.


Luís Vaz de Camões

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sai da Frente


Há pessoas que violam o nosso espaço pessoal.

Pessoas que numa conversa cordial agitam as mãos e quase nos dão um tabefe, tocam-nos nos braços e ombros, chegam tão perto que consigo ouvir o batimento cardíaco, já para não falar no hálito.

Por momentos penso que poderão ser surdas, ou ter problemas de visão, talvez gostem do nosso perfume... Há outra explicação?


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Just Friends

Tenho amigos homens que serão sempre amigos.

O engraçado é que são giros que se fartam mas como os sempre os vi quase como irmãos nunca houve nenhuma atração para algo mais do que uma amizade.

Tenho consciência que eles são fantásticos como pessoas e seriam ótimos namorados mas simplesmente é uma situação muito estranha imaginá-los como tal.

Talvez só me tenha apercebido quando confrontada com isso por outras pessoas. Perguntam-me se sinto algo mais, se há ou houve "história"...

Confesso que houve namoradas ciumentas mas nós temos sobrevivido. (E por muitos anos espero!).

Conversamos, desabafamos e rimos imenso. 

Somos amigos! 
Só amigos?
Só?! Muito!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cólo

Desilude toda a gente, nunca te desiludas a ti.

Sou muito conscienciosa sobre desiludir os que me são queridos, mais do que a mim. 

Mas quando tomo decisões que afetam a minha vida, e inerentemente a deles porque se preocupam, obtenho o apoio que a voz na minha cabeça quer combater. Confiam em mim mais do que eu.

Afinal não era preciso duvidar porque independentemente de tudo terei sempre o seu ombro.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Frescos



Desde pequenina que costumava ir ao mercado ao sábado de manhã com o meu pai.

Comprávamos sempre laranjas para o sumo matinal que nunca podia faltar em casa, muita fruta (adorava a banca onde comprávamos as maçãs, os irmãos eram poucos mais velhos que eu e lindos de morrer), legumes para a sopa, cenouras juntas pela ramada, alface com muitas gotas de água, e no final, flores. Normalmente gerberas ou rosas nas ocasiões mais especiais.

Carregávamos os sacos cheios e pesados até ao carro mas a mim parecia-me que tinha estado na horta a colher. E no fundo estava. Não na minha horta (que também tivemos anteriormente), mas numa horta comum, de todos.

Agora não há mercado por aqui. As hortas são todas individuais, nas casas de cada um. Já me ofereceram tomates mas sinto falta de um local que cheire a fresco, que me sinta segura, o ano inteiro.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Amar o Amor


Talvez só esteja apaixonada pela sensação de amar alguém.

Por aquele arrepio que nos percorre enquanto sorrimos por qualquer gesto.

Das borboletas no estômago e cartas de amor mentais.

Talvez só ame o amor.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

As Severas


Há pessoas que apreciam a rispidez.

Não gostam de simpatias nem floreados.

São frias e exigem ser tratadas assim mesmo numa conversa de circunstância.

O engraçado é ver a sua reação quando lhe fazem a vontade. Quase que ficam felizes por finalmente alguém perceber e lhes tratar como se exprimem.

Mas com atitudes dessas brevemente serão sempre tratadas tal como como merecem. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Feira das Profissões


Lembro-me de estar sentada nas carteiras de madeira da primária a responder à professora o que queria ser quando fosse grande.

Disse-lhe professora. 

Talvez incitada pela minha mãe que sempre que alguém me perguntava e eu calada pensava que não sabia ela adiantava-se na minha resolução.

Lembro-me que era algo muito comum. As meninas queriam ser enfermeiras, médicas, professoras. Acho que a AP queria ser hospedeira porque o pai trabalhava no aeroporto.

(É engraçado rever essas pessoas hoje e ver quantas seguiram o futuro que pensavam que queriam aos sete anos.)

Os meninos queriam ser mecânicos, advogados, jogadores de futebol, soldados. (O M. confessou-me algures nas nossas conversas que me marcaram que queria ser pescador. Ou seria o seu disfarce de Carnaval? São essas confusões de ideias que me fazem querer voltar a saber dele. Mas não posso!)

Além dos jogadores de futebol, as respostas que hoje ouvimos à mesma questão são bastante diferentes.

Ninguém, hoje, diz que quer ser professora. Talvez ainda se oiça médicos. Mas a maioria responde que querem ser cantoras, atrizes, modelos/manequins.

Não sei o que mudou entretanto.

Talvez as notícias sobre o desemprego mesmo em profissões anteriormente vistas como uma boa aposta de futuro. Talvez o deslumbramento com a fama, o desenvolvimento das revistas cor-de-rosa e a casa dos segredos.

Nada contra os atores, os cantores, porque admiro imenso a vocação e a dedicação necessária para ser bem sucedido nessa área. 

Serão os ideais aos seis anos representativos da mentalidade de um futuro?

O certo é que será igualmente engraçado descobrir no que essa geração se irá transformar.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

(Des)ilusões


Gostava de saber de ti para me desiludires.

Para não estar sempre a pensar no bom que poderia ter sido.

Porque sei que provavelmente não me farias feliz. 

Apesar de todos os momentos que guardo com carinho há os outros. Os que ficaram emaranhados e escondidos no novelo de recordações que ainda me assaltam de vez em vez. Demasiadas vezes.

Só saber por ti que não pensas em mim seria o ponto final. Sem mais suposições, sonhos ou adivinhações.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

SAPS


Tenho um problema.

Nos momentos antes de adormecer a minha mente lembra-se de pensar em tudo e mais alguma coisa.

Futilidades, sentimentos adormecidos, necessidades, pessoas, trabalhos, memórias, ânsias...

Um turbilhão que impede que aquele sono que nos faz os olhos semicerrar e não nos deixa ler mais uma frase desapareça após apagar o candeeiro da mesinha de cabeceira.

Chamo-lhe Síndrome Ansioso Pré-Sono

E é uma patologia dolorosa! 


domingo, 12 de janeiro de 2014

Sons d' Alma


O silêncio ensurdece.

Emudece.

As vozes interiores entram em conflito.

Aflito.

O pensamento atemoriza.

Relativiza.

O sentimento duvida.

Convida.

Às suposições frágeis.

Esmiuçáveis.

Num sonho imaginário.

Revolucionário.

Cenário irrealizável.

Desagradável.

Desfechos absurdos. 

Gritos mudos.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Repetição de Erros


No processo de tomar decisões, mesmo que bastante ponderadas, essas acabam por ser a escolha errada.

Só o sabemos no futuro, no decorrer da história e normalmente já não podemos voltar atrás.

O certo é que muitas vezes o mesmo tipo de decisão repete-se. Com outros traços, disfarçada.

Resta lembrar o passado e  não repetir os mesmos erros. Sem mais desculpas nem hipóteses, opiniões ou reflexões.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Perfeição é Relativa


Quando aquela pessoa é perfeita aos olhos de todos, até aos nossos, mas não é perfeita para nós.

Quando alguém que tem inúmeros defeitos é perfeito para nós.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Feridas de Guerra



Quando estou a trabalhar magoo-me.

Corto-me, espeto-me mas não sinto nada, não me apercebo.

Nem depois, ao ver as mazelas, o ardor, as consigo situar no tempo.

Qualquer dia cai-me um dedo e eu continuo.

Podia gostar da sensação de concentração que está implícita mas o certo é que depois dói.
    

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Oportunidades


“Our lives are defined by opportunities, even the ones we miss.”

O Estranho Caso de Benjamin Burton, de David Fincher

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Oh Pai-Natal Chega Depressa Pf


O Natal está à porta e o espírito natalício ainda não me assaltou.

Nem com as luzes, nem com as músicas...

Pensei que só quando chegasse a casa, esse viria naturalmente.

Mas nada ainda. Cheguei hoje e ainda não dei tempo. São Pedro também não ajudou porque nos presenteou com um dia de Verão, literalmente.

Entretanto nos próximos dias vou-me entupir de Natal. Enfeitar a casa, comprar presentes, vestida de vermelho, sempre com música da época...

Se mesmo assim não resultar forro as paredes de papel de embrulho, enrolo-me num cachecol à porta do frigorífico, e começo a fazer pisca-pisca com os interruptores.

Nota-se que estou a ficar afetada?

Lembrei-me! Ainda não comi bolo rei. Só pode ser esse o remédio!


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Elogios


Nunca lidei bem com os elogios.

Talvez porque sempre me parecessem forçados.

Corava imenso. Nunca os agradeci. Tentava-os justificar e relativizar de tal forma que chegava a ser ainda mais constrangedor.

Agora luto para somente dizer um Obrigada sentido. Tento disfarçar que continuo a corar com um sorriso e agradeço.

Afinal era tão simples e indolor.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Leste

 
 
Desde muito nova que memorizo datas importantes.
 
Os aniversários da família, dos amigos, casamentos, eventos a acontecer...
 
Mesmo tendo essa capacidade normalmente registo-os para continuar a lembrá-los.
 
Não entendo que até na época dos lembretes no telemóvel haja alguém tão distraído que deixe de dar os parabéns aos pais.
 
Parece-me simplesmente de alguém que não quer saber, que não liga a essas coisas, com outras prioridades, porque mesmo a distração tem limites. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Fôlego Novo


Falar sem filtros, sem medos, com alguém que não nos julga, que nos conhece, é libertador.


domingo, 15 de dezembro de 2013

Confissões Noturnas


Sempre que vejo o Masterchef Australia penso em como me faz falta ter um cozinheiro aqui por casa.

De preferência um Andy!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Portugal dos Coitadinhos


Fala-se de Portugal, fala-se da crise.

Crise económica. Crise de valores.

Será algo recente? Cada um culpa alguém. Há quem culpe o Sócrates, há quem defenda Salazar. O Durão também anda na boca de muita gente. O Passos é o óbvio por ser o atual. Interessam as culpas?

Não sou de grandes políticas. Voto. Tenho a minha opinião. Defendo-a mas não a imponho. Gosto pouco que me imponham a sua, tentando converter-me.

Voltando aos valores.

Na pobreza evidencia-se o pior de cada um. Até os mais justos podem roubar para dar de comer aos filhos.

Talvez por isso, porque estamos pobres, todos nos atacam, atacamo-nos mutuamente. Será uma desculpa para dar sentido ao desconforto social, fazer valer o que ouvimos diariamente nos noticiários?

A questão é se realmente seremos tão diferentes das gerações passadas que viviam confortavelmente. Mudou a mentalidade ou simplesmente mudou a visão que temos de nós próprios?

Ainda, como país, mesmo tendo uma identidade própria, uma cultura (e como me orgulho dessa distinção) somos assim tão diferentes dos outros que não estão tão pobres? Porque quando éramos ricos ninguém falava de nós, os coitadinhos, pobrezinhos em tostões e em pensamentos.

Não pretendo abrir mais uma discussão política. A intenção é somente relembrar(-me) que a maior assembleia está na nossa casa, as mais importantes sentenças, na nossa cabeça. As únicas críticas a valorizar são as bem fundamentadas e com alcance prático. Até as pequenas decisões têm enormes repercussões em nós, mas essencialmente nos outros, porque Portugal (qualquer país) é somente o espelho do mais pequeno pormenor daquilo que somos, dos nossos atos, como portugueses, como pessoas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Atualização Imediata


Sinto que estou a ser ultrapassada pela tecnologia quando miúdos de três anos dominam o tablet e eu sou confrontada que não tenho conta PayPal nem sabia como funcionava.

Por sorte não foi nenhum a explicar-me.
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

No Meu Deserto


Desertei.

Por um deserto só meu.

Numa viagem só minha. 

Só eu e os meus pensamentos. 

Com as adversidades de uma areia permanente e um calor abrasador. 

Sem mais nenhuma envolvência ou distração.

Caminhava com um oásis em vista.

Ainda não sei se o encontrei.

A viagem continua mas voltei a essa escrita.

Indefinidamente. Despretensiosamente.

Só assim a bússola toma sentido.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Hoje... Eu...


Aos 27 a minha mãe casou. Engravidou.

Talvez por isso sempre achei que era um número, uma idade, tão bonita, marcante.

Certamente este ano não casarei, não engravidarei mas muitas coisas boas acontecerão.

Lembrar-me-ei desta passagem como um meio, mesmo que em nada significativo, uma aprendizagem, um caminho. Como todos os anos. 

Sei que exatamente daqui a 365 dias farei uma curta retrospetiva e achar-me-ei mais crescida. Porque é o que me acontece sempre.

Um crescimento não em altura, espero que não em largura, talvez não em inteligência e saberes científicos mas de valores, de sabedoria e conhecimento pessoal.

A retrospetiva dos 26 é boa. Tenho pessoas fantásticas na minha vida, no panorama geral tenho emprego, faço o que gosto, gosto de quem me vou tornando e moldando. Há coisas a melhorar mas como ex-perfecionista assumo que a perfeição é aborrecida.

Hoje é o primeiro dia dos 27 e é um ótimo dia para (re)começar.

sábado, 19 de outubro de 2013

No Reino da Fantasia


Somos colegas de profissão e por mais pequeno que seja o mundo só nos cruzamos nessas situações.

Aproximava-se o curso. Um curso de um dia, para aperfeiçoamento de determinada técnica. Confesso que já me tinha perguntado se te iria encontrar novamente.

O voo era cedo, muito cedo e ao longe avistei-te no aeroporto. 

Entreolhamo-nos e nada dissemos. Fomos fiéis ao silêncio que sempre pautou e permaneceu até ao final do dia. Mesmo na pressa de acabar pedi-te que me passasses um objeto. Permaneceste inatingível.

Sinto que se trocássemos uma palavra teríamos uma longa e fluída conversa.Partilharíamos ideias, receios, sonhos.

Não terei coragem para uma abordagem. Tive com outro colega hoje. Simples, sem receios nem medos, natural. Giro mas sem faísca. Porque ainda mais nestas coisas a primeira impressão conta. Já percebi que por ti também continuaremos estranhos.

Há sentimentos assim, que permanecerão sempre platónicos, utópicos.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Amor Bom


"O amor torna-nos bons. Não importa a quem amemos, também não importa sermos correspondidos ou se a relação é durável. Basta a experiência de amar, isso transforma-nos."

Isabel Allende in O Caderno de Maya

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lixo


Sempre associei uma pessoa que atira lixo para rua como sendo mais velha.

O senhor com os dedos escurecidos e bigode farfalhudo que lança a beata ao chão sem reparar no cinzeiro de rua mais à frente.

A senhora de cabelo grisalho e carrapito vestida de preto que limpa a sua carteira de talões da mercearia e papéis de rebuçados para a tosse na paragem do autocarro.

Talvez porque enquanto andavam na escola não foram instruídos, não havia a preocupação com o ambiente. Simplesmente porque sempre o fizeram e nunca pensaram.

O certo é que estava redondamente errada.

Cada vez mais vejo adolescentes a deixar o plástico das pastilhas no passeio, as próprias pastilhas...

Não compreendo.

Poderia atribuir a necessidade de rebeldia típica da idade e o querer quebrar as regras, quaisquer que sejam essas. Mas no fundo é pura estupidez e falta de bom-senso.