segunda-feira, 12 de março de 2012

(E)nublado



As nuvens amontoam-se e não deixam antever um céu.

Seria incapaz de ser uma nuvem para alguém, propositadamente.

É um alívio quando as incertezas se desvanecem. 

Quando as nuvens se separam e mostram um azul límpido, uma nova luz. 

É tempo de olhar um céu sem nuvens.


domingo, 11 de março de 2012

O oftalmologista diz que não preciso mudar as lentes



Na fila do caixa do supermercado, enquanto espero que a passadeira fique com espaço para colocar as coisas, olho rapidamente em redor, para nada em especial. No meio das capas de revista, não muito perto, vejo um livro da Hello Kitty onde leio “Kitty Pornstar”.

Não quero acreditar no que leio, e incrédula releio. Sim, enganei-me, afinal é Superstar!


sábado, 10 de março de 2012

Can dance?



Há uns dias vi esta actuação. Não tenho seguido o programa e por acaso apanhei.

Arrepiei-me, sorri, chorei.

Ainda agora me lembrei dela e esquecer-me é tão fácil.

É arte: comove-nos e não nos esquecemos mais.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Esconde - Esconde



Não consigo esconder dos outros pequenas coisas, minhas, grandiosas ou não, algumas sigilosas ou as mais banais, que me acontecem. Não aguento sem contar a alguém. 

A razão pode passar por normalmente serem coisas boas e sentir necessidade de exteriorizar a minha felicidade ao mundo, àqueles que sei que ficarão felizes também.

Pode correr mal, como já tantas vezes já aconteceu, (in)sucessos antecipados que nunca sucederam. Mas aquele momento de surpresa em mim, no outro, partilhado, quase que atenua o fracasso.

Seria de pensar que os segredos dos outros não estivessem seguros comigo. É exactamente o contrário. Muitas vezes esqueço-me que sei coisas.

Mas não sou transparente. Escondo tanto dos meus sentimentos, e esses por mais que me tentem arrancar estão gravados, legíveis em código, e só quando já não suporto mais é que eventualmente podem ter uma oportunidade de serem revelados. 

Chamo-lhe mistério. 

Há quem ache que não é saudável porque não exteriorizo quando mais preciso mas dou-me mal com vulnerabilidade. É uma forma de protecção.

Encantadora ou não, sou eu.

quarta-feira, 7 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Normal



Tenho pena de pessoas pequeninas.

Adultos que nunca cresceram, que nunca quiseram. 

Limitados nos pensamentos. Absortos na sua realidade apertada. Cegos para outras periferias.

De corpo grande, de mentalidade pequenina.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Itinerário



Mais uma semana de viagem. De preparação e viagem. A passada.

Começou cedo e talvez por isso, adormecida ainda. Negligenciando sinais, entradas erradas, estacionamentos fora do local próprio.

Encarreirou.

Desiludiu primariamente. Compôs-se. 

Voltaram as inseguranças. Tiveram que se transformar em certezas ajudadas pelas risadas e pela amizade mesmo daquelas que estão longe.

Voando entre leituras e música, mesmo quando os pensamentos não deixam fui guiada até a uma agradável surpresa. Vendo bem não foi surpresa porque uma companhia adorável transforma toda a envolvência. Mesmo assim rendi-me e mudei de opinião.

Regressei de noite. Voar à noite, com as luzes diminuídas, encanta-me. Já não tive companhia mas tinha a cabeça cheia de gente, mas vinha a sorrir, ainda. 

Nada como voar com um sorriso. Sorrir a desconhecidos. Sorrir a quem gostamos. Sorrir. E voar.