quinta-feira, 25 de abril de 2013

Liberdade




Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.



Evolução, Antero de Quental in Sonetos

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Descobri-o há pouco tempo e reservei-o para hoje :)

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  2. Adoro! Perfeito para o dia de hoje :)

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  3. Quer-me parecer que já tinha lido uma referência qualquer a este poema, algures no Passado deste blog... Ehehe.

    Muito boa escolha, Junto à Janela!

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