terça-feira, 21 de junho de 2011

Nunca hei-de perceber



Como é alguém capaz de abandonar os animais?
Não pensam no olhar que eles farão quando se sentirem perdidos, sozinhos?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Já vou tarde



A manutenção de um carro não é coisa barata. Até as coisas mais simples têm um custo enorme…
Carro é artigo de luxo! Mesmo os sem estofos de cabedal e com poucos cavalos.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ondas



Sou uma romântica incurável, adoro histórias de amor, todas. As mais simples, de amor à primeira vista, primeiros olhares em lugares de filme.
E agora com as minhas viagens a trabalho, o aeroporto desperta-me aquela sensação de “procura”, mesmo que inconsciente.
Na última avistei um surfista. Gosto do ar descontraído deles, da filosofia… Basicamente porque sou o oposto. Menina certinha, cabelo alinhado… na sala de embarque estava eu com o meu livro e ele com uma revista de surf estrangeira, calções e t-shirt, cabelo claro… Dei mais atenção ao meu “homem americano” porque as probabilidades de nos entendermos seriam ínfimas. Apesar de gostar da descontracção comecei logo a pensar na trabalheira que seria limpar a areia do chão, da prancha na sala… Complicadinha, eu sei, além de estar a por o carro à frente dos bois…
No avião ele sentou-se à minha frente (sim, naqueles aviões mínimos os lugares não são marcados) e começou a falar com a hospedeira. Foi cumprimentar o comandante. Aparentemente já trabalhou na companhia aérea. Escusado será dizer que ouvi as conversas todas e o americano passou para segundo plano. O ter adorado o local, pelas ondas fantásticas, pela hospitalidade das pessoas…
A meio da viagem perguntou as horas à hospedeira comentando que detestava usar relógio, gostava de se sentir livre em todos os sentidos, de tempo, nos pulsos…
Nessa altura voltei definitivamente ao livro enquanto desatava às gargalhadas por dentro: eu tinha acabado de comprar um relógio no aeroporto porque não consigo viver sem relógio e o meu tinha-se estragado.
Há coisas que simplesmente se sabem que nunca resultariam.
Mas vou continuar atenta.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Uma carta a eles



Uma amiga enviou-me este texto. As razões dela… Agora não interessam…
Parei tantas vezes até chegar ao fim…

"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.
Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.
Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo. 
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo. 
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
 Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

(Texto de Rosemary Urquico, encontrado no blogue de Cynthia Grow. Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril.)

domingo, 12 de junho de 2011

Crappy Sunday



O facto de amanhã ainda ser feriado, por estas bandas, não anima. E devia!
O que vale é que o dia já termina daqui a nada e amanhã o programa até pode ser divertido.

sábado, 11 de junho de 2011

Livros



Este livro anda a mudar-me.
Já não me lembro do último que me fez o mesmo.
Uma lição, do princípio ao fim. Para seguir ou para nos obrigar a olhar para dentro de nós e dos outros.

“- Acho que não era capaz de coser a minha própria pele – disse eu.
- Você é capaz de fazer tudo aquilo em que acredita.
- Não acredito que fosse capaz de coser a minha própria pele.
Eustace riu-se e concedeu:
- Nesse caso, talvez não fosse.”
Elizabeth Gilbert in O Último Homem Americano

sexta-feira, 10 de junho de 2011

De poucas palavras



Há quem lhe chame preguiça.
Há quem lhe chame dormência.
Estou assim…
Num estado de abrandamento, simplesmente a não acelerar. A desfrutar o momento…
Os silêncios também falam.
E se não tenho palavras, deixo-os falar por mim.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ops



Ando tão desastrada.
E não é nada normal.
Só faço asneiras.
Respirar e concentrar antes do que quer que seja!

domingo, 22 de maio de 2011

Sunday’s Soundtrack



Cada vez que oiço uma música deste sr. surpreendo-me.
Hoje é uma a seguir à outra.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Off



Ando numa fase zen, calma descontraída mas há dias em que a cabeça fica pesada com tantas coisas a pairar. De um lado para o outro, de importância relativa, tanto para pensar.
Hoje é um destes dias. Até o estômago anda às voltas.
Espero que a sensação vá como veio, rapidamente.
Era tão bom o cérebro ter um botão de Off ou pelo menos stand by.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Papéis, papéis


Tenho que estudar umas coisas porque tenho medo de não saber o que fazer se ocorrer determinada situação.
Tenho que acabar um livro que o prazo da biblioteca termina amanhã.
Tenho que organizar uns papéis que já não encontro nada na minha secretária.
Tenho que tratar de burocracias.
E não me apetece fazer nada disso!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Danças



Não tenho outro remédio a não ser ir dançando consoante a música que toca.
Sem tentar adivinhar a que vem a seguir.

domingo, 15 de maio de 2011

Irresistível



Ando numa época de iogurtes e não é por se estar a aproximar o Verão e querer mostrar a linha no biquíni até porque não gosto de praia. Apetece-me.
E este é simplesmente maravilhoso. Vou ali comer um que já pareço o cão do Pavlov.

sábado, 14 de maio de 2011

Fascínio Cinderela



Estamos formatadas para os contos de fadas.
E eles são a excepção. Chamem-me descrente.
Esquecemo-nos logo da primeira frase: “era uma vez…”, não está sempre a acontecer, só uma vez é que aconteceu.
Esquecemo-nos que há madrastas e irmãs más. E colegas, e conhecidos maus. E estes muitas vezes ganham.
As fadas atrasam-se, perdem-se, estão surdas pelos headphones e música alta e por mais que gritemos os nossos desejos elas não nos ouvem.
As abóboras são só mesmo para a sopa com pouca batata por causa da linha.
Os sapatos na maioria das vezes não são Louboutin e magoam-nos, estão tão apertados que não se perdem nas escadas.
O príncipe não nos procura. O único cavalo branco que pode ter é num de Ford ou Volkswagen que parte logo que o semáforo fica verde.
Os bailes não servem para conhecer ninguém, só para reparar nos vestidos e penteados pavoneantes e no fato Boss alugado.
E “foram felizes para sempre” dura enquanto não nos fartamos. O sempre passa de infinito para imediato.
O certo é que lá no fundo acreditamos que será tudo como as histórias que nos ensinaram em pequeninas…

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Gerações



Ultimamente tenho conhecido algumas pessoas mais velhas, com idade que podiam ser meus avós.
Os meus avós morreram quando eu era muito pequena, não me lembro deles, pelo que nunca tive uma relação do género. Acho que me fez falta mas não podia mudar nada.
O certo é que agora tenho criado uma empatia enorme com elas, as conversas deliciam-me.
Não falo só de trabalho, não respondo só às questões que todos me fazem. Não falo do tempo, de trivialidades.
Contamos histórias, falamos de coisas sérias, rimos, sem pressas. Tratam-me como igual As experiências acabam por ter a mesma relevância. Não parece que somos de gerações tão diferentes, que as realidades de nós jovens fossem tão distantes.
Entristece-me que só agora tenha descoberto esta sensação enriquecedora, mas se calhar só agora é que consigo dar-lhe o devido valor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ideia



Numa pausa de meio da manhã, a comer iogurte lembrei-me: não era bom ter uma bolacha em forma de colher? Não podia amolecer rapidamente, podia ir largando um sabor ao iogurte, café, não podia era sujar as mãos. Do género do cone de gelado mas com uma sabor mais agradável…

segunda-feira, 9 de maio de 2011

(In)compatibilidades



Até que ponto “os pólos atraem-se” funciona numa vida em comum?
Conheço um casal que são exactamente opostos. Estão casados há alguns anos e vão ter um bebé dentro de pouco tempo.
Ela queixa-se de tudo. Resmunga do tempo, da espera, da vida, de tudo. Nunca está satisfeita com nada, raramente dá uma gargalhada sentida.
Ele está sempre a sorrir. É despachado, comunicativo, resolve tudo sem ficar a remoer no problema.
Não imagino o quão exaustiva deve ser uma vida assim a dois.
O certo é que eles parecem entender-se e a coisa lá vai funcionando. A mim, que estou de fora, faz-me confusão que os ambos não se deixem influenciar pelo estado de espírito do outro.
Ambos completam-se mas as diferenças são enormes e não se anulam. Ou será que o amor anula todas as diferenças mesmo que elas estejam sempre presentes, constantemente?

domingo, 8 de maio de 2011

Sobrenatural



Não é que, horas depois de nem sequer me aproximar do comando, a TV liga-se do nada?!
Dei cá um salto!
Não sei o que se passou, nem quero saber. E dispenso explicações de casas assombradas, bruxedos e sinais do além…
Logo à noite é que vai ser bonito. E se se liga a meio do meu sono de descanso é que vai ser mesmo bonito!

Terra minha



A propósito de uma composição de francês para a minha amiga Só Sedas comecei a escrever sobre a minha terra.
É a minha visão, restrita, íntima. Verdade aos meus olhos. Hoje mas muito da minha infância. E tal não se resume só a isso.


Há quem confunda o sotaque açoriano com a língua francesa.
Sou dos Açores e posso corroborar que as semelhanças são ilimitadas.
Talvez tal se associe ao Pauleta ter imenso sucesso em França e, ao contrário do sotaque espanhol do Ronaldo, o dele ser bastante perfeito.
Sou da ilha do Pauleta, S. Miguel. A maior das nove, a ilha verde. As ilhas têm cores. Diz-se que vistas de cima, do ar, têm determinada característica que lhe confere tal cor. Foram-lhes atribuídas aquando da sua descoberta mas nunca percebi como é que numa época de barcos e naus, não de aviões, se conseguiam ver as ilhas de cima.
Falo no gerúndio sem terminar as palavras até ao fim. Somos tímidos, falamos com a boca fechada e com os lábios contraídos como se fossemos dar um beijo. Apelidam-nos de distantes, temos um bocadinho essa personalidade enquanto não conhecemos. Logo que possa confiar deixo-me levar.
Estou habituada aos outros virem passar férias na terra onde vivo. Convivo com as máquinas fotográficas a tiracolo, a flashes que tentam reproduzir algo único mas que já não me apercebo da sua presença. Arrepio-me com as t-shirts dos nórdicos no Inverno, não habituados ao clima imprevisível de chuva de manhã e sol à tarde, de humidade sufocante e ventos propícios a ondas pouco favoráveis a banhos.
O mar é visto de qualquer lado para onde nos viremos. O azul com rebentação branca contrasta com a areia escura. Basalto, usado tanto na calçada como em jóias. As piscinas naturais são cuidadosamente esculpidas com o escopro precioso na mão das marés temperamentais.
As paisagens verdejantes são pintalgadas por branco e preto. As vacas guiam-se pelo seu próprio destino. Nos planaltos, nos vales, nas pastagens, nas ruas interrompidas pela sua pachorrenta marcha. Interrompem também quem por ali passa, desaceleram a agitação.
As lagoas têm lendas que se contam aos netos na porta de casa, abertas, com a chave do lado de fora, para  que comam a papa toda do lanche, para que se distraiam.
Os vulcões expelem água fervilhante onde são confeccionadas refeições para famílias inteiras que piquenicam ali mesmo, à sombra do verde, no cheiro a enxofre, no colorido das hortênsias e azáleas que nos guiam através de vales tortuosos, onde os mapas pouco ajudam a desorientação de quem navega pela primeira vez.
Não estamos parados no tempo, imbuídos na nossa solidão. Temos um passado de isolamento que nos faz ter a independência e subsistência como valores.
Gosto do olhar surpreso de quem me visita. De quem não estava à espera do resultado. De quem se surpreende a cada passo, a cada olhar, em cada direcção. Não me canso de pensar que as palavras não conseguem ser fiéis à realidade.

Sunday plans



Estou sem TV, sozinha, numa casa que não é minha. Dá sinal mas não a consigo ligar, se calhar não sei como se liga… On/Off, Power, mudar de canal, desligar da ficha, nada funciona.
O silêncio ensurdece-me. Tive que ligar o computador e por música.
Vai ser um domingo diferente.
Adivinho que vou acabar o livro que comecei ontem e não me parece um mau plano.
Se calhar vou passear e sentar-me naquela pracinha amorosa sem me importar que toda a gente que passe me olhe como “a turista”.
Talvez veja um filme que tenho aqui no computador que já anda por cá há muito.
Talvez ligue a toda a gente que estou em falta, para por a conversa em dia, para ouvir vozes de que sinto falta.
Se calhar só aproveitarei a folga que muito provavelmente os próximos dias terão horas extraordinárias.
Talvez não faça nada disso e improvise, deixe-me levar…

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Chorei tanto

Políticas



Tanto que se tem falado de política, de políticos. Discursos, promessas, campanhas…
“Como um político nunca acredita naquilo que ele próprio diz, surpreende-se quando os outros acreditam nele.”
Charles de Gaulle

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Anónima mas pouco



O sentimento é diferente quando a cidade é tão pequena que somos logo notados.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Teen



É engraçado que sempre vivi perto de escolas secundárias.
Já me diverti a ver os casalinhos, os grupinhos de amigos com a mania que são espertos, os nerds, os emo (teve que ser o meu mano a explicar-me esta variante que desconhecia), as moranguitas, eles com jeitos de lançar de cabelo para trás… todos aqueles que nos lembrámos que já existiam na nossa altura.
Mas ultimamente ando com pouca paciência para os comentários e olhares quando passo por eles. Bem lhes podia gritar para crescerem, mas todos sabemos que não resultaria porque é mesmo atenção que eles(as) querem, tudo vale para se afirmarem. O alarido seria maior e uma tremenda perda de tempo e latim.
Estarei a tornar-me uma adulta chata ou simplesmente sem pachorra para aturar a idade da parvalheira dos outros? (Aposto na segunda hipótese!)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

É muito divertido…



…pintar as unhas com soluços.